Texto
. Que, no sentido interno histórico, por ‘Perguntou Jacó, e disse: Declara, peço, o teu nome’ são significados os maus espíritos, é o que se pode ver por muitas particularidades neste sentido, no qual essas palavras e as que seguem se dizem dos descendentes de Jacó, pois o sentido interno se aplica à coisa de que se trata. Que não os bons espíritos, mas os maus, sejam significados por aquele que lutou com Jacó, pode-se ver por isto, que pela luta seja significada a tentação (n. 3927, 3928, 4274); ora, nunca tentação alguma é feita por meio dos bons espíritos, mas [toda tentação se faz] pelos maus espíritos, pois a tentação é a excitação do mal e do falso que estão no homem (n. 741, 751, 761, 1820, 4249, 4299). Os bons espíritos e os anjos nunca excitam os males e os falsos, mas defendem o homem contra eles e os convertem em bem [flectunt illa in bonum]. Com efeito, os bons espíritos são conduzidos pelo Senhor, e do Senhor não procede senão o santo bem e o santo vero. Que o Senhor a ninguém tente, isso é conhecido a partir do doutrinal recebido na igreja (veja-se, além disso, os n. 1875, 2768); daí — e também disso: que os descendentes de Jacó tenham sucumbido em toda tentação, tanto no deserto como posteriormente — é evidente que não são os bons espíritos que são significados por aquele que lutou com Jacó, mas os maus. Além disso, essa nação, que é aqui significada por Jacó, não estava em amor espiritual e celestealgum, mas estava no amor corporal e mundano (n. 4281, 4288, 4289, 4290, 4293). A presença dos espíritos perto do homem se dá de acordo com os amores dos homens, os bons espíritos e os anjos estão presentes perto dos que estão no amor espiritual e celeste, e os maus espíritos, perto daqueles que estão no amor corporal e mundano; e isso de tal modo, que cada um pode saber quais espíritos estão perto de si, contanto que ele observe quais são os seus amores, ou, o que é o mesmo, quais são os seus fins, pois cada um tem por fim o que ama.
[2] Que tenha designado a si ‘Deus’, é porque Jacó o creu, como seus descendentes, que continuamente creram que JEHOVAH estava no [estado] santo externo deles, quando, entretanto, JEHOVAH tinha estado presente de um modo representativo, como se verá nas coisas que seguem. Eles também creram que JEHOVAH induzia em tentação, que todo mal vinha d’Ele, e que Ele se irava e se enfurecia quando eles deviam ser punidos, razão pela qual isso foi assim dito na Palavra segundo a fé deles, quando, entretanto, JEHOVAH nunca induz em tentações, que nunca mal algum vem d’Ele, Ele nunca está em estado de ira, menos ainda defuror (ver n. 223, 245, 592, 696, 1093, 1683, 1874, 1875, 2395, 3605, 3607, 3614). É por isso também que aquele que lutou com Jacó não quis revelar seu nome. Que, no sentido interno espiritual, por aquele que lutou com Jacó se entende o céu angélico (n. 4295), é porque o Senhor, que lá, no sentido supremo, é representado por Jacó, admitiu também anjos que O deviam tentar, e que então os anjos foram deixados em seu proprium, como foi demonstrado ali [n. 4295].