. Que, no sentido interno histórico, por ‘porque tocou na concavidade da coxa; o nervo de Jacó foi deslocado’ seja significado porque o hereditário com eles não pôde ser desarraigado pela regeneração, porque não admitiam a regeneração, é o que se vê pela significação da ‘coxa’, que é o amor conjugal e, por conseguinte, todo amor celeste e espiritual (n. 4280), e que a ‘concavidade da coxa’ é onde há conjunção do amor conjugal, é também conjunção de todo amor celeste e espiritual com o bem natural (n. 4277, 4280); por conseguinte, ‘tocar a concavidade’, ou danificá-la para que por isso manque, é destruir o bem que pertence a esses amores; e porque isso foi feito em Jacó, é significado que dele isso passou aos seus descendentes, é pois o hereditário. Que o ‘nervo do deslocamento’ seja o falso, foi visto (n. 4303); aqui é o falso que provém do mal hereditário. Que esse hereditário não pôde ser desarraigado neles pela regeneração porque eles não admitiam a regeneração, segue-se daí e da série. [2] Que eles tiveram um tal hereditário, e que não tenham podido ser regenerados, é o que se vê manifestamente por tudo que é lembrado a respeito deles na Palavra, e ainda por estas passagens em Moisés: “Chamou Moisés a todo Israel, e disse-lhes: Vós vistes todas as coisas que JEHOVAH fez aos nossos olhos, na terra do Egito, ao faraó e a todos os servos dele, e a toda a sua terra; e JEHOVAH não deu a vós um coração para saber, e olhos para ver, e orelhas para ouvir, até este dia” (Dt. 29:2, 3 [Em JFA, 29:2, 3, 4])375. No mesmo: “Conheço a imaginação do povo, o que ele faz hoje, antes que o introduza na terra que jurei” (Dt. 31:21); e enfim: “Esconderei as minhas faces deles; verei o que é novíssimo, pois geração de perversidades[são] eles; filhos em quem [não há] nenhuma verdade. Extermina-os, fariacessar do homem a memória deles se a indignação do inimigo [eu] não temesse, porque nação perdida de conselhos [são] eles; e não [há] neles inteligência, porque da vide de Sodoma [é] a vinha deles, e dos campos de Gomorra as uvas deles, uvas de cicuta, cachos amargos com eles; veneno de dragões [é] o vinho deles, e cabeça de áspides cruel. Isso não [está] escondido em Mim, selado nos meus tesouros?” (Dt. 32:20, 26-34); e em muitos outros lugares, principalmente em Jeremias. [3] Que isso tenha sido significado pelo toque na concavidade da coxa de Jacó, e pela claudicação376 que daí resultou, vê-se em Oseias: “Disputa de JEHOVAH com Judá, para visitar sobre Jacó segundo os seus caminhos; e segundo as obras dele retribuir-lhe-á. No ventre suplantou o seu irmão; na sua dor contendeu com Deus, e contendeu com o anjo, e prevaleceu, chorou e implorou-o” (12:3-5). onde ‘contender com Deus’, no sentido interno histórico, é insistir para que o representativo da igreja estivesse com eles (n. 4290, 4293). Que um tal hereditário lhes tenha vindo do próprio Jacó, é o que se vê por estas passagens, e é o que poderia ser ainda mostrado por muitas outras, mas seria supérfluo por enquanto. [4] Quanto ao que diz respeito especificamente ao hereditário, crê-se hoje, na igreja, que todo mal hereditário venha do primeiro pai, e que, por essa razão todos os homens, quanto a esse mal, foram condenados; mas tal coisa não sucede; o mal hereditário tira a sua origem dos pais de cada um, e dos pais dos pais, ou avós e bisavós e outros sucessivamente. Todo mal que aqueles adquiriram pela vida em ato, ao ponto que, pelo frequente uso, ou hábito, é revestido como uma natureza, isto é derivado nos filhos e se torna para estes o hereditário, e ao mesmo tempo o que tinha sido implantado nos pais pelos avós e bisavós. O mal hereditário proveniente do pai é interior, e o mal hereditário proveniente da mãe é exterior; aquele não pode ser facilmente desarraigado, mas este pode ser. Quando o homem é regenerado, o mal hereditário arraigado pelos parentes mais próximos é extirpado, mas nos que não são regenerados, ou não podem ser regenerados, ele permanece. É então isso que é o mal hereditário (ver também os n. 313, 494, 2122, 2910, 3518, 3701). Quem refletir pode também ver claramente, e mais ainda que cada família tem em particular algum mal ou algum bem pelo qual ela se distingue das outras famílias; que isso vem dos pais ou dos avós, é sabido. O mesmo acontece com a nação judaica que subsiste hoje, sabe-se que ela se distingue e facilmente é reconhecida entre as outras nações, não só por um gênio particular,mas também por seus costumes, por sua linguagem e a sua fisionomia [facie]. [5] Mas quanto ao mal hereditário, poucos há que saibam o que é, crê-se que ele consiste em fazer o mal, mas ele consiste em querer e, por conseguinte, pensar o mal. O mal hereditário está na própria vontade e, por conseguinte, no pensamento, é o próprio esforço que está no homem, e também ele o agrega a si quando faz o bem; conhecemo-lo pelo prazer quando acontece um mal a outrem; essa raiz está profundamente oculta, por isso que a forma interior, recebendo o bem e o vero do céu, ou do Senhor pelo céu, é por si própria depravada e, por assim dizer, torcida, de sorte que quando o bem e o vero influem do Senhor, eles são ou refletidos, ou pervertidos ou sufocados. Daí vem que hoje não existe percepção do bem e do vero, mas em vez disso há com os regenerados a consciência, que reconhece por bem e vero o que é aprendido dos pais e dos mestres. É por causa do mal hereditário que se ama de preferência a outrem, que se quer mal a outrem quando não se é honrado; que se experimenta prazer nas vinganças. É também por esse mal que se ama o mundo mais do que o céu, e é desse mal que provém todas as cobiças ou afeições más. O homem ignora que haja nele tais coisas, e ignora ainda mais que essas coisas são opostas às afeições celestes, mas, na outra vida, é-lhe manifestamente mostrado quanto mal ele atraiu a si do hereditário pela vida ativa, e quanto ele se afastou do céu pelas afeições más que dele provinham. [6] Que o mal hereditário nos descendentes de Jacó não tenha podido ser desarraigado pela regeneração, porque eles não eram suscetíveis de admitir a regeneração, é ainda o que se faz evidente pelos históricos da Palavra, porquanto no deserto eles sucumbiram em todas as tentações, das quais se fala em Moisés; eles também sucumbiram mais tarde, na terra de Canaã, todas as vezes que eles não viam milagres, e, entretanto, essas tentações eram externas e não internas, ou espirituais. Eles não puderam ser tentados quanto aos espirituais, porque eles não conheceram os veros internos e não tiveram os bens internos, como já se mostrou; e ninguém pode ser tentado senão quanto às coisas que ele sabe e tem. As tentações são os meios mesmos da regeneração. Essas são as coisas que são significadas quando se diz que eles não admitiam a regeneração. Quanto a seu estado e sua sorte na outra vida, ver os n. 939, 940, 941, 3481.