Texto
. Mostrou-se, por experiências numerosas, que, tanto o homem quanto o espírito, assim como o anjo, nada pense, pronuncie e faça por si, mas que é por outros, nem esses outros por si, mas ainda por outros, e assim por diante, e assim todos e cada um desde o Primeiro da vida, isto é, desde o Senhor, embora pareça absolutamente que seja por eles mesmos. Muitas vezes mostrou-se isso aos espíritos que, na vida do corpo, acreditaram e se confirmaram que neles estavam todas coisas, ou que eles pensam, falam, e agem por si e por sua alma, na qual a vida se mostra ínsita. Mostrou-se também por vivas experiências — quais as que existem na outra vida, mas não podem existir no mundo — que os maus pensam, querem e agem desde o inferno, e os bons, a partir do céu, isto é, pelo céu desde o Senhor; e que, apesar disso, os males, assim como os bens, parecem provir deles. Isto os cristãos podem saber a partir do doutrinal que é extraído da Palavra, a saber: que os males provêm do diabo, e os bens procedem do Senhor. Mas são poucos os que creem; e porque não o creem, eles apropriam a si os males que pensam, querem e fazem. Mas os bens não lhes são apropriados, pois aqueles que creem que os bens procedem de si, os reivindicam e os atribuem a si e, assim, põem neles o mérito. Sabe-se também, a partir do doutrinal na igreja, que ninguém pode por si fazer algum bem, de tal sorte que tudo que procede de si e do seu proprium é o mal, seja qual for o modo como isso se apresenta como bem. Mas também há poucos que o creiam, embora seja verdadeiro.
[2] Havia maus que se tinham confirmado nesta opinião, que eles vivem por si próprios, por conseguinte, que tudo que eles pensam, querem e fazem provém deles. Quando se lhes mostrou que a coisa acontece absolutamente segundo o doutrinal, eles disseram que agora criam. Mas lhes foi dito que saber não é crer, e que crer é interno, e que este interno não pode existir senão na afeição do bem e do vero, por conseguinte, senão naqueles que estão no bem da caridade para com o próximo. Esses mesmos espíritos, porque são maus, insistiam que agora criam porque viam. Mas se lhes fez um exame por meio de uma experiência familiar na outra vida, e que consiste em ser inspecionado pelos anjos. Quando esses espíritos foram inspecionados, a parte superior da sua cabeça apareceu subtraída, e o seu cérebro como uma massa eriçada de cabelos e tenebrosa; daí se viu claramente quais eram interiormente os que possuem somente a fé cientifica e não a verdadeira fé, e que saber não é crer. Com efeito, com os que sabem e creem, a cabeça deles aparece como humana e o cérebro ordenado, níveo e lúcido, pois a luz celeste é recebida por eles. Porém, aqueles somente sabem e, por isso, imaginam crer e, todavia, não creem porque vivem no mal, neles a luz celeste não é recebida, nem, por conseguinte, a inteligência e a sabedoria que estão nessa luz. É por isso que, quando eles se aproximam das sociedades angélicas, isto é, da luz celeste, esta luz é vertida, neles, em trevas. Daí vem que o cérebro desses espíritos tinha aparecido tenebroso.