. Como os três céus constituem juntos o Máximo Homem, e a este Homem correspondem todos os membros, vísceras e órgãos do corpo, segundo as suas funções e usos, como dito acima, não só as coisas que são externas e que se mostram à vista lhe correspondem, mas também as que são internas e que não se oferecem à vista; por conseguinte, as que pertencem ao homem externo e as que pertencem ao homem interno. As sociedades de espíritos e de anjos, a que correspondem as coisas pertencentes ao homem externo, provêm desta terra quanto à maior parte; mas as sociedades a que correspondem as coisas que pertencem ao homem interno provêm de outra parte quanto à sua maioria. Essas sociedades nos céus fazem um, do mesmo modo como, no homem regenerado, o homem externo e o interno. Mas ainda assim, dos que vão desta terra para a outra vida, poucos há, hoje, em que o homem externo faça um com o homem interno, visto que a maioria deles são sensuais a tal ponto que há um número muitíssimo reduzido que crê outra coisa, senão que o externo do homem é tudo que constitui o homem, e que, retirando-se esse externo, como acontece quando o homem morre, dificilmente resta alguma coisa que viva. Creem ainda menos que é o interno que vive no externo, e que, retirando-se o externo, o interno vive principalmente. [2] Mostrou-se-me, por uma viva experiência, como estes são contra o homem interno. Havia um grande número de espíritos desta terra que tinham sido tais quando viviam no mundo; em sua presença vinham espíritos que representavam o homem interno sensual, e então aqueles começaram logo a infestar estes, pouco mais ou menos como os irracionais infestam os que são racionais falando e raciocinando continuamente a partir das falácias dos sentidos e a partir das ilusões que daí provém, e a partir de meras hipóteses, nada crendo senão o que pode ser confirmado pelos sentidos externos; e, além disso, eles se afeiçoavam ao desprezo pelo homem interno. [3] Mas aqueles que se referiam ao homem interno sensual não se preocupavam absolutamente com isso; eles estavam admirados não só pela loucura deles, mas também pela sua estupidez; e o que causa espanto é que os sensuais externos, quando se aproximavam dos sensuais internos e entravam quase na esfera de seus pensamentos, os sensuais externos começavam a respirar dificilmente (pois os espíritos e os anjos respiram como os homens, mas a respiração neles é relativamente interna, n. 3884, 3885 e seguintes, 3893), assim, foram quase sufocados. É por isso que eles se retiravam, e quanto mais longe eles se afastavam dos sensuais internos, mais havia neles sossego e repouso, porque eles respiravam mais facilmente, e de novo quanto mais eles se aproximavam, tanto mais eles ficavam perturbados e agitados. [4] A causa foi porque os sensuais externos quando estão em suas falácias, fantasias e hipóteses, e, por isso, em seus falsos, eles estão em um estado de sossego, e que, vice-versa, quando esses falsos lhes são arrebatados, o que sucede quando o homem interno influi com a luz do vero, eles se acham em um estado de perturbação. Com efeito, na outra vida existem esferas de pensamentos e de afeições, e elas são comunicadas mutuamente conforme a presença e a aproximação (n. 1048, 1053, 1316, 1504 a 1512, 1695, 2401, 2489). Esse conflito durou durante algumas horas; e assim é que me foi mostrado como os homens desta terra são hoje contra o homem interno, e que o sensual externo faz quase tudo neles.