Texto
. Que na Palavra ‘os que moem’ sejam os que, dentro da igreja, estão no vero oriundo da afeição do bem, e, no sentido oposto, aqueles que, no interior da igreja, estão no vero proveniente da afeição do mal, pode-se ver por estas passagens: Em Isaías:
“Desce e assenta-te sobre o pó, ó virgem, filha de Babel; assenta-te na terra, não [há] trono, ó filha dos caldeus;... Toma a mó e mói a farinha; revela os teus cabelos; denuda o pé, revela a coxa, atravessa os rios” (47:1, 2);
a ‘filha de Babel’ está no lugar daqueles em que os externos se mostram santos e bons, mas cujos interiores são profanos e maus (n. 1182, 1326); a ‘filha dos caldeus’ está no lugar daqueles com quem os externos se mostram santos e verdadeiros, mas cujos interiores são profanos e falsos (n. 1368, 1816); ‘tomar a mó e moer farinha’ está por excluir as coisas doutrinais oriundas dos veros que pervertem, porquanto a farinha, pelo fato de provir do trigo e da cevada, significa os veros provenientes do bem, mas no sentido oposto, os veros que pervertem para seduzir. Em Jeremias:
“Farei desaparecer dentre eles a voz de regozijo e a voz de alegria, a voz do esposo e a voz da esposa, a voz das mós e a luz da lâmpada; e será toda esta terra em vastação e desolação” (26:10, 11).
[2] E em João:
“Todo artífice de toda arte não será mais achado em Babilônia; toda voz de mó não se ouvirá nela mais, a luz de lâmpada não luzirá nela mais, e voz de esposo e esposa não se ouvirá nela mais” (Ap. 18:21, 22, 23);
‘a voz da mó não será mais ouvida na Babilônia’ significa que não haverá vero; ‘a luz da lâmpada não luzirá mais’ significa que não haverá também mais inteligência do vero. Em Lamentações:
“Forçaram as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judá. Os príncipes foram enforcados pela mão deles; as faces dos velhos não foram honradas. Os jovens foram tomados para moer, e os moços caem na lenha” (5:11, 12, 13, 14);
‘os jovens foram tomados para moer’ está no lugar de para excluir falsos aplicando os veros, e assim persuadindo.
[3] Em Moisés:
“Morrerá todo primogênito na terra do Egito, desde o primogênito de faraó, que devia assentar-se sobre o trono dele, até o primogênito da serva que [está] após as mós” (Êx. 11:5);
‘os primogênitos do Egito’ estão pelos veros da fé separados do bem da caridade, veros que se tornam falsos (n. 3325); ‘o primogênito da serva que está após as mós’ está pela afeição de um tal vero, de onde provêm os falsos; foram essas coisas que foram representadas por esses históricos.
[4] No mesmo:
“Não em penhor tomará mós nem a mó de cima, porque a alma ela [é] do que penhora” (Dt. 24:6).
Esta lei foi decretada por esta razão, porque as ‘mós’ significavam os doutrinais, e a ‘mó de cima’, os veros dos doutrinais, que são o que é chamado ‘a alma daquele que penhora’. Que sem a significação espiritual das ‘mós’ e da ‘mó de cima’ essa lei não teria sido promulgada, e que não se teria dito que essa mó era a sua alma, isso é evidente.
[5] Que ‘moer’ tira o seu significativo dos representativos que existem no mundo dos espíritos, é o que me foi mostrado, pois ali vi espíritos que estavam como ocupados em moer, sem fim de uso, [sendo] a causa somente sua voluptuosidade; e porque então se acham sem a sua afeição proveniente do bem, eles aparecem, de fato, como veros na forma externa, mas o interno não estando neles, são fantasmas; e se o interno for mau, eles então são empregados para confirmar o mal e, assim, pela aplicação ao mal eles se tornam falsos.
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