. ‘E com ele quatrocentos varões’; que signifique o estado, aqui o estado da conjunção do Divino Bem com o Vero no Natural, é porque se trata dessa conjunção. ‘Quatrocentos’, na Palavra, significa o estado e a duração da tentação (n. 1847, 2959, 2966), e porque toda conjunção do bem com o vero se faz por meio das tentações, por isso é o estado das tentações que se entende aqui. Que os bens devam ser conjungidos aos veros por meio das tentações, foi visto (n. 2272, 3318); e que as tentações existam quando o bem começa a tomar o primeiro lugar, n. 4248, 4249; que, enfim, a união da Essência Divina do Senhor com a Sua Essência Humana tenha sido feita por meio das tentações, n. 1337. [2] O bem mesmo, que deve ser conjungido com o vero, não é tentado, mas é o vero que é tentado; e o vero não é também tentado pelo bem, mas pelos falsos e pelos males, então também pelas falácias e ilusões, e pela afeição dessas falácias e dessas ilusões que aderem aos veros no Natural. De fato, quando o bem influi, o que se faz pelo caminho interno, ou pelo homem interno racional, então as ideias do homem natural, formadas pelas falácias dos sentidos e pelas ilusões que daí provêm, não suportam a aproximação desse bem, porquanto elas são discordantes; daí a ansiedade no natural, e a tentação. São essas coisas que, no sentido interno, se descrevem neste capítulo pelo fato de que, vindo Esaú com quatrocentos varões, Jacó chegou ao temor e, daí, à ansiedade, e que, por isso, estava em um estado de submissão e de humilhação, porquanto a conjunção dessas coisas nunca se faz de outro modo. Sendo assim, é possível ver que pelos ‘quatrocentos varões’ é significado o estado das tentações: por ‘quatrocentos’, o estado mesmo, mas pelos ‘varões’, os veros racionais que são conjuntos ao bem quando ele influi no natural. Que pelos ‘varões’ sejam significadas as coisas intelectuais e racionais, foi visto (n. 265, 749, 1007, 3134). [3] Mas essas coisas são tais que caem no obscuro do homem, por esse motivo, porque, quando ele vive no corpo, a distinção entre o racional e o natural não aparece; ela não se manifesta de modo algum aos que não foram regenerados, e também se manifesta pouquíssimo aos que foram regenerados, pois eles não refletem sobre isso, e até mesmo não se preocupam com isso, pois as cognições das coisas interiores do homem foram quase obliteradas; contudo, essas cognições constituíam, outrora, entre os homens dentro da igreja, tudo que pertence à inteligência. Não obstante, essas coisas podem de algum modo se tornar evidentes pelo que se mostrou precedentemente a respeito do racional e do influxo do racional no natural, a saber, que o natural é regenerado por meio do racional (n. 3286 3288); e que o racional recebe os veros antes de o natural os receber (n. 3321, 3368, 3671). Esses veros, que do Racional influem com o Bem no Natural, são os que são significados, no sentido interno, por ‘quatrocentos varões que estavam com Esaú’.