ac 4352

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E caiu sobre o seu pescoço’; que signifique uma segunda conjunção de todas as coisas que estão nesse universal, vê-se pela significação de ‘cair sobre o pescoço’, que é uma mais estreita conjunção por ser um abraço mais apertado. Pelo ‘pescoço’, no sentido interno, é significado também o influxo e a comunicação dos interiores e dos exteriores e, daí, a conjunção (n. 3542, 3603). Que seja a conjunção de todas as coisas ou com todas as coisas nesse universal, é porque Jacó, que aqui é ‘seu’379, é o universal de todas as coisas quanto aos veros (n. 4345).
[2] A conjunção do bem com os veros no Natural é descrita aqui; eis o que acontece em relação a essa conjunção: O bem, pelo homem interno, influi no homem externo, e aí se conjunge com os veros que são insinuados pelo homem externo. Com efeito, o bem que influi pelo homem interno pertence ao amor, visto que não existe bem espiritual e celeste que não pertença ao amor; daí vem o bem, e daí é que ele é chamado bem no homem. O amor mesmo, que está no bem e com o bem, é o que conjunge; a não ser que o amor estivesse no bem e viesse, jamais poderia haver alguma conjunção, porquanto o amor não é outra coisa senão a conjunção espiritual, porque é por este que ela se faz. Esse amor não vem de outro lugar senão do Senhor, pois o Senhor é a fonte e a origem de todo amor celeste e espiritual, por conseguinte, de todo bem que daí provém. Esse amor é duplo, celeste e espiritual: o amor celeste é o amor ao Senhor, e o amor espiritual é o amor para com o próximo, este é chamado caridade. Esses amores são os dos quais provém todo bem celeste e espiritual, que se conjunge com os veros denominados veros da fé. Com efeito, os veros da fé, considerados sem o amor, são apenas palavras sem vida, mas pelo amor, assim, pela conjunção com o bem do amor, eles recebem a vida. Daí se pode ver, pois, que nunca há coisa alguma da fé senão naqueles que estão no bem do amor, e que a fé exista de acordo com o amor.
[3] E como nunca há alguma fé senão naqueles que estão no bem do amor, é por isso que não há também a confiança, ou segurança. A segurança, ou confiança, que se chama ‘da fé’, em outros que não estão no amor e na caridade, é espúria ou tal qual pode existir entre os espíritos diabólicos quando eles se acham em um estado de temor ou de angústia ou em um estado de persuasão procedente do amor de si e do mundo. Mas porque hoje se tem a fé salvífica sem os bens da caridade, e que, entretanto de longe se vê que os veros da fé não podem salvar, pela razão que esses veros existem também entre os maus, é por isso que se reconhecem a confiança e a segurança, e que são chamadas fé, sem que se saiba o que ela é, e que ela pode existir também entre os maus, e que não existe confiança alguma espiritual, exceto a que influi pelo bem do amor e da caridade não quando se está no temor e na angústia ou em uma persuasão proveniente do amor de si e do mundo, mas sim quando se está em um estado livre; nem em outros senão naqueles nos quais o bem foi conjunto aos veros e enraizados em ato durante o curso precedente da vida; por conseguinte, não nas enfermidades, nos infortúnios, nos perigos da vida, nem na aproximação da morte [ac instante morte]. Se essa confiança, ou segurança, que se manifesta no constrangimento, salvasse o homem, todos os mortais seriam salvos, pois cada um é facilmente levado a isso. Com efeito, o Senhor, Que quer a salvação de todos, não recusaria a ninguém; mas, pela Divina Misericórdia do Senhor, se dirá em outro lugar o que é essa confiança e segurança que é chamada fé, o que ela é e em quem ela está.

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