Texto
. ‘E o beijou’; que signifique uma conjunção interior oriunda do amor, é o que se vê pela significação de ‘beijar’, que é uma conjunção proveniente do amor (n. 3573, 3574, 4215), aqui, uma conjunção interior. Neste versículo se trata, em geral, da conjunção do Bem Divino Natural (que é Esaú) com o vero ali (que é Jacó); mas nos versículos seguintes se trata dessa conjunção em particular. Quanto ao que diz respeito à conjunção mesma, é ela que faz a regeneração no homem, pois o homem é regenerado pelo fato de serem os veros nele conjungidos com o bem, isto é, pelo fato de as coisas que pertencem à fé serem conjungidas com as que pertencem à caridade. O processo dessa conjunção é plenamente descrito aqui e no que se segue. Trata-se, na realidade, do Senhor, do modo como Ele fizera Divino o Seu Natural, por conseguinte, de que modo Ele tinha unido o Divino Bem ao Divino Vero no Natural; mas porque a regeneração do homem é a imagem da glorificação do Senhor (n. 3138, 3212, 3296, 3490), trata-se também, ao mesmo tempo, dessa regeneração no sentido interno; e porque a regeneração pode cair na ideia do homem, mas não sucede o mesmo com a glorificação do Senhor, permite-se ilustrar esta por meio daquela.
[2] A partir das coisas que foram explicadas, é evidente que a conjunção do bem com os veros, pela qual há regeneração, progride cada vez mais interiormente, isto é, que os veros são sucessivamente conjungidos mais interiormente com o bem; porquanto o propósito da regeneração é que o homem interno seja conjungido com o homem externo, que assim o homem espiritual, por meio do racional, seja conjungido com o homem natural; sem a conjunção de um e do outro a regeneração é nula; nem essa conjunção pode ser feita antes que o bem tenha sido conjunto primeiro com os veros no natural, pois o natural deve ser o plano, e as coisas que estão no natural devem corresponder. É por isso que o natural, quando é regenerado, a conjunção do bem com os veros se torna sucessivamente interior, porquanto o espiritual se conjunge primeiro com as coisas que são intimas no natural, e depois, por estas, com as que são exteriores. O interno do homem também não pode se conjungir com o externo, a não ser que o vero nesse externo se torne o bem do vero, isto é, o vero pela vontade e pelo ato (n. 4337). Com efeito, é então que eles podem primeiro ser conjungidos, pois o Senhor influi no homem por meio do homem interno, e de fato pelo bem ali. O bem ali pode ser conjungido com o bem no homem externo, mas não o bem com o vero imediatamente.
[3] Daí se pode ver que antes o vero no homem deve tornar-se o vero pela vontade e pelo ato, isto é, o bem que pertence ao vero, antes que possa existir a conjunção do racional com o natural, ou do homem interno com o homem externo. Mas de que modo o vero se torna o bem que pertence ao vero, é o que pode ver qualquer um que prestar atenção. Todo vero Divino tem em vista estes dois preceitos, a saber, amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. São esses preceitos dos quais provêm os veros por causa dos quais existem os veros, e para os quais tendem os veros de perto ou de longe, razão por que, quando os veros são postos em ato, então eles são sucessivamente insinuados em seu princípio e em seu fim, a saber, na caridade para com o próximo e no amor ao Senhor, e, por isso, o vero se torna o bem que é chamado o bem que pertence ao vero. Quando tal coisa acontece, esse bem pode ser conjungido com o homem interno, e essa conjunção se torna, sucessivamente, tanto mais interior quanto mais os veros interiores são implantados nesse bem. O ato precede, o querer do homem sucede, pois o que o homem faz a partir do entendimento, isto depois ele faz a partir da vontade, e, finalmente, pelo hábito ele o reveste; e então isso é insinuado no racional ou no homem interno, e quando isso foi insinuado, então o homem não faz mais o bem a partir do vero, mas sim a partir do bem. Com efeito, ele então começa a perceber dentro de si alguma bem-aventurança, e como alguma coisa do céu nele; isso permanece nele depois da morte, e por meio disso é elevado ao céu pelo Senhor.