. ‘Edisse Esaú: Tenho muito, meu irmão. Seja para ti o que tens’; que signifique uma tácita aceitação, a fim de que assim ele insinuasse a afeição que pertence ao bem proveniente do vero, é o que se pode ver pela recusa [ou não aceitação] aqui, que envolve um assentimento, pois, ainda assim ele aceitou; a finalidade da recusa, quando alguém aceita, é muitas das vezes para que a afeição seja insinuada, e mesmo por isso aumentada, e assim passa do bem-pensar ao bem-querer. O homem é conduzido pelo Senhor na vida espiritual por meios quase semelhantes aos pelos quais o homem conduz os outros na vida civil. Na vida civil é coisa habitual recusar com o fim de que [a pessoa que oferece] faça a partir da afeição, assim, não só a partir do pensar, mas também do querer, afinal, se não aceitasse, o fim que se tem em intenção seria perdido, razão por que o fim insiste até que [a pessoa que oferece] pense nisso mais intensamente, e assim queira de coração. [2] Que na vida espiritual tal coisa não se manifeste como na vida civil, é porque há poucos em que o bem esteja conjungido com os veros, isto é, que sejam regenerados, e também os poucos que são regenerados não refletem e não podem refletir sobre tais coisas, pois não sabem o que é o bem espiritual, porque não sabem o que é a caridade nem o que é o próximo no sentido genuíno; e porque não sabem essas coisas, também não podem ter uma ideia interior do vero que pertence à fé. E, além disso, eles separam a vida espiritual da vida civil a tal ponto, que não ousam haurir da vida civil ideia alguma a respeito da vida espiritual. Eles ignoram absolutamente que essas duas vidas correspondem e que esta é representada naquela. Ainda mais, há alguns que nem admitem comparação entre elas, quando, todavia, as coisas assim se tem: que não se possa ter nenhuma ideia da vida espiritual a não ser pelas coisas que existem na vida civil, razão por que esta, sendo afastada, aquela cai de tal modo, que, afinal não se crê mais nela; é o que se pode ver claramente por isto, que não mais se crê que os espíritos e os anjos vivem entre si como os homens, que eles conversam entre si e que raciocinam a respeito do honesto e do decente, do justo e do equitativo, e sobre o bem e o vero do mesmo modo que os homens e muito mais perfeitamente; e menos ainda se crê que eles se veem mutuamente, ouvem, se examinam, se conjunjam em sociedades, coabitem e façam muitas outras coisas.