Texto
. ‘E instou com ele, e aceitou’; que signifique que pelo bem que pertence ao vero ela era insinuada por meio da afeição inspirada pelo Divino Bem, é o que se pode ver pelo que foi explicado desde o n. 4364 até aqui. A afeição mesma inspirada pelo Divino Bem ao bem que pertence ao vero foi atestada por isto, que instou com ele (ver acima o n. 4366). Quanto ao que diz respeito à afeição do vero de que se tratou nesses versículos, além disso é necessário saber que essa afeição parece proceder do vero e, assim, estar no vero; ela provém, porém, do bem e não do vero, pois no vero nada há de vida exceto a que procede do bem. Acontece com essa afeição que parece provir do vero o que acontece com a vida que está no corpo, a qual, entretanto, pertence não ao corpo, mas à alma; e nem mesmo à alma, mas por meio da alma ela procede do primeiro da vida, isto é, do Senhor; e, no entanto, ela parece pertencer ao corpo; e acontece também com isso como com uma imagem em um espelho, a qual aparece no espelho, quando na verdade ela pertence à efígie que influi.
[2] Que tal seja o sentido interno dessas palavras e das precedentes, é o que na realidade não se manifesta aos que fixam a sua mente nos históricos, pois eles pensam a respeito de Esaú e de Jacó, e no presente enviado antes [ao encontro de Esaú], não sabendo que por Esaú é representado o Divino Bem do Natural, e por Jacó, o Vero que deve ser conjungido aí ao Divino Bem, e que aqui por sua conversação amistosa é significada a afeição inspirada no Vero pelo Bem. Contudo, os anjos não entendem de outro modo esses históricos quando eles são lidos pelo homem, porquanto os anjos não têm outra ideia senão a ideia espiritual, na qual se verte neles o sentido histórico; assim correspondem os pensamentos angélicos com os pensamentos humanos; são tais correspondências perpétuas que fazem com que a Palavra seja santa e Divina, pois o sentido literal se torna espiritual assim pela subida, e isto até o Senhor, onde ele é Divino. É isso que é a inspiração.