. ‘E o chamou El Elohe Israel’; que signifique a partir do Divino Espiritual, a saber, o culto interior, é o que se vê pela significação de ‘El Elohe’, de que se tratará; e pela significação de ‘Israel’, que é o espiritual (n. 4286, 4292). Eis o que se efetua em relação às coisas que foram ditas desde o versículo 17 deste capítulo até aqui: No sentido supremo deste capítulo, trata-se do Senhor, do modo como Ele fizera Divino o Seu Natural; como, porém, as coisas que, no sentido supremo, dizem respeito ao Senhor ultrapassam as ideias do pensamento do homem, pois essas coisas são Divinas, permite-se ilustrá-las por outras que caem mais perto nas ideias, a saber, explicando de que modo o Senhor regenera o natural do homem. Com efeito, no sentido interno, trata-se também aqui da regeneração do homem quanto ao seu natural, pois a regeneração do homem é a imagem da glorificação do Senhor (n. 3138, 3212, 3296, 3490); de fato, é segundo a ordem Divina que o Senhor Se glorificou, isto é, Se fez Divino, e é também de acordo com tal ordem que Ele regenera o homem, isto é, que Ele o faz celeste e espiritual. Trata-se aqui do modo como o Senhor o faz espiritual, pois Israel significa o homem espiritual. [2] O homem espiritual não é o homem interior racional, mas é o homem interior natural; o homem interior racional é o que é chamado celeste. Foi dito muitas vezes que diferença há entre o homem espiritual e o homem celeste. O homem se torna espiritual por isto, que nele são conjungidos os veros com o bem, isto é, as coisas que pertencem à fé com as que pertencem à caridade, e isso em seu natural; ali são conjungidos primeiro os veros exteriores com o bem, e em seguida os veros interiores. Neste capítulo, tratou-se da conjunção dos veros exteriores no natural desde o versículo 1 ao 17, e da conjunção dos veros interiores com o bem desde o versículo 17 até o fim. Os veros interiores não são conjuntos de outra maneira com o bem senão pela iluminação que influi por meio do homem interno no homem externo; a partir dessa iluminação os veros Divinos não se manifestam senão de um modo geral, por comparação, do mesmo modo que inúmeros objetos só se apresentam à vida como um todo obscuro sem distinção. Essa iluminação, a partir da qual os veros só se manifestam de um modo geral, foi significada pelas palavras de Esaú a Jacó: “Colocarei, peço[-te], contigo do povo que [está] comigo”, e pela resposta de Jacó: “Para que isto? [Que eu] ache graça aos teus olhos”, a respeito das quais deve-se ver os n. 4385, 4386. [3] Que o homem espiritual seja relativamente obscuro, foi visto (n. 2708, 2715, 2716, 3718, 2831, 2849, 2935, 2937, 3241, 3246, 3833); é esse homem espiritual que é representado por Israel (n. 4286); diz-se que ele é homem espiritual por isso, que a luz do céu, na qual há a inteligência e a sabedoria, influi nas coisas pertencentes à luz do mundo no homem, e faz com que as que pertencem à luz do céu sejam representadas nas que pertencem à luz do mundo e que assim elas correspondam. Com efeito, o espiritual, considerado em si mesmo, é a Divina Luz mesma que procede do Senhor, por conseguinte, a inteligência do vero e, portanto, a sabedoria; mas essa luz no homem espiritual incide nas coisas que pertencem à fé com ele e que ele crê serem veros; porém, no homem celeste ela incide no bem do amor. Mas estas explicações, ainda que sejam claras para aqueles que estão na luz do céu, são entretanto obscuras para aqueles que estão na luz do mundo, assim, para a maioria dos homens de hoje, e talvez de tal modo obscuras, que dificilmente são inteligíveis. Contudo, como se trata dessas coisas no sentido interno, e que elas são tais, não se deve deixar de abri-las; há de vir um tempo em que haverá iluminação. [4] Que o altar foi chamado ‘EL ELOHE ISRAEL’ e por este nome é significado o culto interior oriundo do Divino Espiritual, é porque, no sentido supremo, ‘El Elohe’ é o mesmo que o Divino Espiritual e também Israel. Que ‘Israel’ seja o Senhor quanto ao Divino Espiritual e, no sentido representativo, a igreja espiritual do Senhor, ou o que é o mesmo, o homem que é tal, foi visto (n. 4286, 4292). ‘El Elohe’, na língua original, significa ‘Deus Deus’, e estritamente de acordo com as palavras, ‘Deus dos deuses’. Na Palavra, JEHOVAH, ou o Senhor, em um grande número de passagens, é nomeado ‘El’, no singular, também ‘Eloah’, e também é chamado ‘Elohim’, no plural, e um e outro algumas vezes em um único versículo ou em uma só série. Aquele que não conhece o sentido interno da Palavra não pode saber porque tal coisa acontece. Que ‘El’ envolva uma coisa, e ‘Eloah’ outra, e ‘Elohim’ uma outra, cada um pode julgar por isto, que a Palavra é Divina, isto é, tira sua origem do Divino, e que seja assim inspirada [pelo Divino] quanto a todos os vocábulos, e mesmo quanto ao mínimo acento. [5] O que El envolve quando é nomeado, e o que Elohim envolve, pode-se ver pelas coisas que acima aqui e ali se demonstrou, a saber, que se diz El e Elohim(ou Deus) quando se trata do vero (n. 709, 2586, 2769, 2807, 2822, 3921, 4287); daí vem que, no sentido supremo, El e Elohim significam o Divino Espiritual, porque esse é o mesmo que o Divino Vero, mas com a diferença que por ‘El’ é significado o vero pela vontade e pelo ato, o que é a mesma coisa que o bem que pertence ao vero (n. 4337, 4353, 4390). Diz-se Elohim, no plural, porque pelo Vero Divino se entendem todos os veros que procedem do Senhor; daí também os anjos, na Palavra, são as vezes chamados Elohim ou deuses (n. 4295), como também se verá abaixo pelas passagens da Palavra que vão ser citadas. Agora como ‘El’ e ‘Elohim’, no sentido supremo, significam o Senhor quanto ao Vero, eles também significam o Senhor quanto ao Poder, pois o poder é predicado do vero, porquanto o bem age pelo vero quando exerce o poder (n. 3091, 4015), razão por que, onde na Palavra se trata do poder proveniente do vero, o Senhor é chamado ‘El’ e ‘Elohim’, ou ‘Deus’; daí vem ainda que, na língua original, ‘El’ significa também o Poderoso. [6] Que se diga El e Elohim, ou Deus, na Palavra, em toda a parte onde se trata do Divino Espiritual, ou, o que é o mesmo, onde se trata do Divino Vero e, portanto, do Divino Poder, pode-se ver ainda por estas passagens: Em Moisés: “Disse Deus a Israel em visões da noite: ... Eu [sou] o Deus dos deuses (El Elohe) do teu pai381; não temas de descer ao Egito, porque ali farei de ti uma grande nação” (Gn. 46:2, 3); nesta passagem, como se trata de Israel (a quem tornará uma grande nação) e, portanto, do vero e do poder do vero, se diz ‘El Elohe’, o que significa, no sentido mais próximo, Deus dos deuses. Que no sentido mais próximo Elohim sejam deuses, porque os deuses se dizem dos veros e do poder que daí provém, também se vê no mesmo: “Ali Jacó edificou um altar, e chamou o lugar El-Beth-El, porque ali lhe foram revelados os Elohim, ao fugir ele de diante do seu irmão”382 (Gn. 35:7); e em outra passagem no mesmo: “JEHOVAH nosso Deus383, Ele [é] o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores; o Deus (El) grande, poderoso e formidável” (Dt. 10:17); onde ‘Deus dos deuses’ é expresso por ‘Elohe Elohim’, e em seguida Deus é expresso por ‘El’, a Quem se atribui a grandeza e o poder. [7] Em Davi: “Deus (El) grande [é] JEHOVAH, e Rei grande sobre todos os deuses (Elohim), em cuja mão [estão] os aprofundamentos384 da terra, e as forças das montanhas [são] d’Ele’’ (Salmo 95:3, 4); aí se diz ‘Deus’(ou ‘El’) porque se trata Divino Vero e, por isso, do poder; depois se diz ‘deuses’, porque se trata dos veros que dali provêm; com efeito, o ‘rei’, no sentido interno, significa o vero (n. 1672, 2015, 2069, 2069, 3009, 3670). Daí se vê o que envolve a expressão ‘Rei grande sobre todos os deuses’; os ‘aprofundamentos da terra’ são também os veros da igreja, que são chamados ‘forças das montanhas’ por causa do poder procedente do bem. No mesmo: “Quem no céu comparar-se-á a JEHOVAH? [Quem] assemelhar-se-á a JEHOVAH entre os filhos dos deuses (Elim)? Deus (El) robusto no segredo dos santos ... Ó JEHOVAH, Deus Zebaoth, quem [é] forte igual a Ti, Jah,...” (Salmo 89:7, 8, 9 [Em JFA, 89:6, 7, 8]); aí os ‘filhos dos deuses’, ou ‘Elim’, são os Veros Divinos, vê-se que é a respeito deles que se predica o poder, pois se diz: “Deus (El) robusto, ó JEHOVAH, Deus dos exércitos, quem é forte igual a Ti”. [8] Igualmente nesta passagem no mesmo: “Dai a JEHOVAH, ó filhos dos deuses, dai a JEHOVAH glória e força” (Salmo 29:1). Em Moisés: “Caíram sobre as suas faces, e disseram: Ó Deus dos deuses (El Elohe) dos espíritos de toda carne,... ’’ (Nm. 16:22). Em Davi: “Eu disse: Vós [sois] deuses (Elohim), e todos vós [sois] filhos do Altíssimo’’ (Salmo 82:6; João, 10:34); onde ‘deuses’ se diz dos veros, pois os ‘filhos’ são os veros (n. 489, 491, 533, 1147, 2628, 3373, 3704). No mesmo: “Confesseis o Deus dos deuses (Elohe Elohim);... Confesseis o Senhor dos senhores;...’’ (Salmo 136:2, 3). Em Daniel: “Agirá pelo seu agrado, o rei, e elevar-se-á, e exaltar-se-á sobre todo deus (El) e sobre o Deus dos deuses (El Elohim) pronunciará coisas maravilhosas ...” (Dn. 11:36). Daí é evidente que ‘El Elohe’, no sentido mais próximo, é Deus dos deuses, e que ‘deuses’, no sentido interno, se diz dos veros que procedem do Senhor. [9] Que se diga El ou Deus no singular, quando se trata do poder que procede do Divino Vero, ou, o que é o mesmo, do Divino Espiritual do Senhor, pode-se ver por estas passagens em Moisés: “Seja para Deus (El) a minha mão para fazer contigo o mal ...” (Gn. 31:29); e em outro lugar: “[...] não [haverá] para Deus (El) uma mão” (Dt. 28:32). E em Miqueias: “[...] há para Deus (El) uma mão” (2:1); a ‘mão para Deus’ é a fim de que haja poder; que a ‘mão’ seja o poder, foi visto (n. 878, 3387); e que se predique a ‘mão’ do vero, n. 3091. Em Davi: “Porei no mar a mão d’Ele, e nos rios a destra d’Ele. Ele Me chamará, [dizendo:] Meu Pai [és] Tu, meu Deus (El), a rocha da minha salvação’’ (Sl. 89:16, 27 [Em JFA, 89:25, 26]); onde se trata do poder proveniente dos veros. No mesmo: “O ímpio diz no seu coração: Esqueceu-se Deus (El), ocultou as Suas faces, não verá na perpetuidade. Levanta[-Te], JEHOVAHDeus (El), erga a Tua mão, ... Por que o ímpio despreza a Deus (Elohim)? ...’’ (Salmo 10:11, 12, 13); igualmente. [10] No mesmo: “JEHOVAH [é] meu rochedo, e meu baluarte, e o meu libertador, ó meu Deus (El), minha rocha’’ (Salmo 18:3 [Em JFA, 18:2]). onde se trata do poder. Em Isaías: “O remanescente retornará, o remanescente de Jacó ao Deus (El) poderoso” (10:21). No mesmo: “Um menino nos nasceu, um Filho se nos deu, sobre cujos ombros [está] o principado, chamar[-se-]á o Nome d’Ele, Admirável, Conselheiro, Deus (El), Poderoso, Pai da eternidade; Príncipe da Paz’’ (Is. 9:5 [Em JFA, 9:6]). No mesmo: “Eis o Deus (El) da minha salvação, confiarei e não temerei, por que [é] a minha força” (Is. 12:2). No mesmo: “Eu [sou] Deus (El) também desde o dia, Eu mesmo, e ninguém [há] que arrebate da Minha mão; faço, e quem o retomará? (Is. 43:12, 13); aí se trata do poder. Em Jeremias: “O Deus (El) grande, poderoso, cujo nome [é] JEHOVAH dos exércitos’’ (Jr. 32:18). No segundo livro de Samuel: ‘’Com o meu Deus (El) transporei a muralha. Deus (El) íntegro [é] o caminho d’Ele; o discurso de JEHOVAH [é] puro; ... quem [é] Deus (El) além de JEHOVAH? quem [é] um rochedo além de nosso Deus (Elohim)? Deus (El) do refúgio da minha força ...” (2Sm. 22:30, 31, 32, 33). [11] Em Moisés: “Deus (El) não é varão para que minta, nem filho do homem para que Se arrependa; E Ele diria e não faria? ou ele teria falado, e não estabeleceria? Ele os tirou do Egito, [Ele] tem como a força de um unicórnio; naquele tempo se dirá a Jacó e a Israel: Que tem feito Deus [El]? (Nm. 23:19, 22-23); onde, no sentido interno, se trata do poder e do vero. E no mesmo: “Deus [El], que o tirou do Egito; Ele tem como a força de um unicórnio; [Ele] consumirá as nações de seus inimigos, quebrará seus ossos e esmagará seus dardos (Nm. 24:8). Que ‘chifres’ e ‘forças de um unicórnio’ significam o poder do vero proveniente do bem, foi visto (n. 2832); além de muitos outros lugares. Como a maioria das coisas na Palavra também tem um sentido oposto, assim também ‘deus’ e ‘deuses’, que são assim mencionados quando se trata do falso e do poder proveniente do falso, como em Ezequiel: “Os deuses (Elim) dosfortes falarão com ele no meio do inferno” (32:21). Em Isaías: “Tens estado no calor dos deuses (Elim) sob toda árvore verde” (57:5); onde ‘deuses’ se diz dos falsos. Semelhantemente em outros lugares. * * * * * * *