. O olho é o órgão mais nobre da face, e ele comunica com o entendimento mais imediatamente do que os outros órgãos sensoriais do homem; ele também é modificado por uma atmosfera mais sutil do que a do ouvido, é mesmo por isso que a visão penetra para o sensório interno, que está no cérebro, por um caminho mais curto e mais interior do que é o da linguagem percebida pela orelha. Daí vem também que certos animais, por carecerem do entendimento, têm dois [órgãos] suprindo, por assim dizer, os cérebros, entre as órbitas de seus olhos. Com efeito, o intelectual deles depende de sua visão, mas não sucede o mesmo com o homem, que sobressai por um amplo cérebro, para que o seu intelectual não dependa de sua visão, mas a sua visão dependa de seu intelectual. Que a vista dependa do intelectual, é manifestamente claro por isto, que as afeições naturais do homem se estampem de um modo representativo na face; mas as afeições interiores, que pertencem ao pensamento, se mostrem nos olhos por uma certa chama de vida, e daí por uma vibração de luz que brilha segundo a afeição em que está o pensamento. Isto o homem também conhece e observa, ainda que não tenha sido instruído a respeito por ciência alguma. A causa é porque o seu espírito está em sociedade na outra vida com espíritos e anjos que o sabem por uma percepção evidente. Que cada homem esteja, quanto ao seu espírito, em sociedade com os espíritos e anjos, foi visto (n. 1277, 2379, 3644, 3645).