. Que há uma correspondência da visão ocular com a vista intelectual, é o que se mostra de forma manifesta aos que refletem. Com efeito, os objetos do mundo, que tiram todos alguma coisa da luz do sol, entram pelos olhos e se colocam na memória, e isso evidentemente sob uma figura visual semelhante, pois as coisas que são daí reproduzidas são vistas por dentro; daí a imaginação do homem, cujas ideias são denominadas ideias materiais pelos filósofos. Quando esses objetos se mostram ainda mais interiormente, eles apresentam o pensamento, e isso também sob alguma figura visual, porém mais pura, e as ideias desse pensamento são denominadas imateriais e também intelectuais. É nitidamente claro que há uma luz interior, em que está a vida, por conseguinte, a inteligência e a sabedoria, luz que ilumina a vista [ou visão] interior e vai ao encontro das coisas que entraram pela vista externa; e também que a luz interior opera segundo a disposição das coisas que ali estão pela luz do mundo. As coisas que entram pelo ouvido são mudadas também no interior em figuras semelhantes de coisas visuais que provêm da luz do mundo.