. Um certo dia, tive com espíritos uma conversa a respeito da vida, a saber, que ninguém tenha por si mesmo coisa alguma que pertença à vida, mas que ela procede do Senhor, ainda que se veja viver por si próprio (n. 4320). E então o primeiro assunto foi sobre o que é a vida, a saber, que é entender e querer, e porque todo entender se refere ao vero, e todo querer, ao bem (n. 4409), que a inteligência do vero e a vontade do bem seja a vida. Mas espíritos raciocinadores diziam — há, com efeito, espíritos que podem ser chamados raciocinadores, porque raciocinam a respeito de todas as coisas para concluir se é assim; eles estão ordinariamente na obscuridade a respeito de toda a verdade — diziam eles, pois, que os que não estão em nenhuma inteligência do vero nem em vontade alguma do bem, vivem apesar disso, e até creem viver mais do que os outros. Mas concedeu-se responder a eles que a vida dos maus lhes parece de fato como a vida, mas que, apesar disso, é uma vida que é denominada morte espiritual, o que eles podiam saber por este fato: que entender o vero e querer o bem é a vida que procede do Divino, então que entender o falso e querer o mal não pode ser a vida, porque os males e os falsos são contrários à vida mesma. [2] Para que fosse evidenciado, mostrou-se qual tinha sido a vida deles, a qual quando foi vista, apareceu um lume semelhante ao que vem de um fogo de carvão, mas tomado de fumaça. Quando eles estão nesse lume, não podem ter outra opinião senão que a vida de seu pensamento e de sua vontade é a única a vida, e isso ainda mais por causa disso, que a luz da inteligência do vero, a qual pertencia à vida mesma, não pode de modo algum aparecer-lhes, por isso que desde que eles vêm para essa luz, o lume deles torna-se tenebroso, a ponto de não poderem absolutamente ver coisa alguma, assim, também nada perceber. Mostrou-se também qual era então o estado da vida deles, por meio da abstração do prazer deles que provinha do falso, o que se faz na outra vida pela separação dos espíritos em cuja sociedade eles estão. Tendo sido feito isso, eles apareceram com uma face lívida como cadáveres, de tal modo que se teria podido dizer que eles eram imagens da morte [mortis effigies]. Quanto ao que diz respeito à vida dos animais, tratar-se-á, pela Divina Misericórdia do Senhor, em particular.