ac 4424

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. O que as palavras do Senhor alegadas acima envolvem no sentido interno, pode-se ver sem necessidade de explicação. Com efeito, o Senhor ali não falou assim por meio de coisas representativas e significativas, mas por coisas comparativas. Deve-se dizer somente o que significam as palavras do último versículo, a saber:
“Dividi-lo-á, e porá a sua parte com os hipócritas; ali há pranto e ranger de dentes”.
‘Dividi-lo-á’ significa a separação e o afastamento de junto dos bens e dos veros; com efeito, os que estão nas cognições do bem e do vero, como estão aqueles que se acham dentro da igreja e, ainda assim, na vida do mal, esses se dizem divididos quando estão afastados dos bens e dos veros, pois as cognições do bem e do vero são separadas deles na outra vida, e eles são mantidos nos males e, portanto, também nos falsos. A causa é para que por meio das cognições do bem e do vero eles não comuniquem com o céu, e pelos males e, portanto, pelos falsos comuniquem com o inferno, e assim pendam entre um e outro; então também para que não profanem os bens e os veros, o que sucede quando eles são misturados com os falsos e os males. A mesma coisa é significada pelas palavras do Senhor àquele que tinha escondido o talento na terra.
“Tirai dele o talento e dai ao que tem dez talentos. Pois ao que tem será dado, para que tenha abundantemente; porém, do que não tem, mesmo o que tem será tirado” (Mt. 25:28, 29);
e também pelas palavras que o Senhor diz em outro lugar em Mateus, 13:12; depois em Marcos, 4:25, e em Lucas, 8:18.
[2] ‘E a sua parte com os hipócritas porá’ significa a sua sorte, que é a ‘parte’ com aqueles que por fora se mostram no vero quanto à doutrina e no bem quanto à vida, mas que por dentro nada creem do vero e nada querem do bem, que são os hipócritas; esses foram assim divididos; por isso é que quando os externos lhes são tirados, como sucede com todos na outra vida, eles se mostram tais quais eles são quanto aos internos, que, a saber, são sem fé e sem caridade; entretanto eles tinham feito ostentação de fé e de caridade, mas era para captar os outros a fim de adquirir honras, riquezas e reputação. Os que estão dentro de uma igreja devastada são quase todos tais, porque eles têm os externos, mas sem nenhum interno; daí a inundação de seus interiores, de que logo acima se tratou (n. 4423).
[3] ‘Ali haverá pranto e ranger de dentes’ significa o estado deles na outra vida; o ‘pranto’ é o estado quanto aos males, e o ‘ranger de dentes’, o estado quanto aos falsos. Com efeito, na Palavra, os ‘dentes’ significam os naturais ínfimos, no sentido genuíno, os veros desses naturais, e, no sentido oposto, os falsos desses naturais; os dentes também correspondem a esses veros e a esses falsos; é por isso que o ‘ranger de dentes’ é uma colisão dos falsos com os veros; os que estão inteiramente nos naturais, e que neles estão pelas falácias dos sentidos e nada creem que não veem pelos sentidos, deles se diz estarem no ranger de dentes, e também, na outra vida, parece-lhes estar, quando a partir das suas falácias eles tiram conclusões sobre os veros da fé. Em uma igreja vastada quanto ao bem e ao vero abundam tais homens. A mesma coisa é significada em outra parte pelo ranger de dentes, como em Mateus:
“Os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mt. 8:12);
os ‘filhos do Reino’ são aqueles que estão na igreja vastada; as ‘trevas’ são os falsos (n. 4418); com efeito, eles estão nas trevas quando se acham no nimbo nebuloso [ou nevoeiro espesso] de que se tratou acima; o ‘ranger de dentes’ é a colisão dos falsos com os veros ali. O mesmo acontece em outras passagens, como em Mateus, 13:42, 50; 22:13; 25:30, e Lucas, 13:28.
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