. ‘E viu-a Siquém’; que signifique o vero, é o que se vê pela representação de ‘Siquém’, que é o vero, aqui o vero da igreja desde o tempo antigo; que este [vero] seja representado por Siquém, vem disso, que havia ainda, no meio dessa nação, da qual era Siquém, remanescentes da igreja [reliquiæ Ecclesiæ]. Que essa nação tenha estado entre as nações probas, vê-se pela sinceridade a partir da qual falou Hamor e Siquém a Jacó e aos seus filhos (vers. 8, 9, 10, 11, 12) e pela condescendência para que Siquém recebesse Dinah como esposa (vers. 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24), e porque assim o vero da igreja era representado por eles. E, além disso, a cidade de Siquém foi o primeiro local para Abrão, quando ele veio da Síria para a terra de Canaã (Gn. 12:6); e agora ela é também o primeiro para Jacó vindo também da Síria, onde ele armou uma tenda, fez cabanas e erigiu um altar (Gn. 33:17, 18, 19, 20). Que pelas viagens ou as peregrinações de Abrahão e de Jacó foram representadas as progressões nos veros da fé e nos bens do amor, referentes ao Senhor, no sentido supremo, e referentes ao homem que está sendo regenerado pelo Senhor, no sentido relativo, é o que se tem demonstrado algumas vezes; daí, por ‘Siquém’ foi significado o primeiro da luz (n. 1440, 1441); por conseguinte, o vero interior, porquanto esse vero é o primeiro da luz. [2] Mas neste capítulo, no sentido interno, trata-se dos pósteros de Jacó, do modo como eles extinguiram neles mesmos este primeiro da luz ou o vero interior. Neste sentido, que é o sentido interno histórico, os filhos de Jacó significam toda a sua posteridade. Com efeito, no sentido interno da Palavra, trata-se unicamente das coisas que pertencem ao Reino do Senhor, assim, das coisas que pertencem à Sua igreja; os filhos mesmos de Jacó não constituíam igreja alguma, mas são os pósteros deles, e isso não antes senão depois que eles saíram do Egito, e na realidade não antes senão depois que eles chegaram à terra de Canaã. [3] Além disso, quanto ao que diz respeito a essa cidade que deriva seu nome de Siquém, ela antigamente tinha sido chamada Salém, como se vê no capítulo precedente (33): “Jacó veio àSalém, cidade de Siquém, que [está] na terra de Canaã” (vers. 18). Que por ‘Salém’ seja significada a tranquilidade, e que pela ‘cidade de Siquém’ sejam significados os veros interiores da fé, e que o homem venha ao estado da tranquilidade quando chega a esses veros, foi visto (n. 4393). Logo em seguida, porém, a mesma cidade foi chamada Siquém, como se pode ver em Josué: “Os ossos de José, que os filhos de Israel fizeram subir do Egito, eles sepultaram em Siquém, na parte do campo que Jacó comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem kesithis” (24:32); e nos Livros dosJuízes: “Disse Gaal, filho de Ebed, aos cidadãos de Siquém: Quem é Abimeleque, e quem é Siquém, para que sirvamos a ele? Não [é] filho de Jerabal, e Zebul o prefeito dele? Servi aos varões de Hamor, pai de Siquém, e por que serviríamos a este?” (9:28). [4] A mesma cidade, depois, foi chamada de Sicar, como se vê em João: “Jesus veio a uma cidade de Samaria denominada Sicar, perto do campo que Jacó deu a José, seu filho; estava ali a fonte de Jacó” (4:5, 6). Que por essa cidade seja significado o vero interior, é isso evidente por essas passagens e por outras em que ela é nomeada; e também em Oseias: “Gilead, cidade de obreiros de iniquidade, manchada de sangue. E como as turbas386 ao esperar o varão, [assim é] a sociedade de sacerdotes, [que] matam no caminho para Siquém387, porque cometeram ato criminoso; na casa de Israel vi uma coisa medonha” (6:8, 9, 10); onde ‘matam no caminho para Siquém’ significa que extinguem os veros até os interiores, assim, todas as coisas externas. A extinção do vero interior é também significada por isso: que Abimeleque tenha destruído essa cidade e nela tenha semeado sal (Juízes, 9:45).