. ‘E apegara[-se] a alma dele a Dinah’; que signifique a propensão para a conjunção, é o que se vê pela significação de ‘apegar a alma’, que é a propensão; que seja para a conjunção, é evidente, porque as coisas que pertencem ao amor conjugal, no sentido interno, envolvem a conjunção espiritual, que é a do vero com o bem e do bem com o vero. Que as coisas que pertencem ao amor conjugal, no sentido interno, envolvam essa conjunção, é porque o amor conjugal tira sua origem do casamento do vero com o bem e do bem com o vero (ver n. 2618, 2727, 2728, 2729, 2737, 2803, 3132); daí também, na Palavra, as adulterações do bem se entendem pelos adultérios, e as falsificações do vero pelas escortações (n. 2466, 2729, 2750, 3399). Sendo assim, pode-se ver que por todas as coisas que são lembradas sobre Siquém e sobre Dinah neste capítulo, não se entende, no sentido interno, outra coisa senão a conjunção do vero representado por Siquém com a afeição do vero representada por Dinah, e que assim por estas palavras, “apegara[-se] a alma dele a Dinah”, é significada a propensão para a conjunção. Como em todo este capítulo se trata do amor conjugal [de Siquém] para com Dinah, e que a pretendesse como mulher, e porque por essas coisas que pertencem ao amor conjugal é significada a conjunção espiritual, permite-se confirmar a partir da Palavra, que os casamentos e as coisas que pertencem aos casamentos não envolvem aí outra coisa: Em João: “Regozijemo-nos e exultemos, e demos glória a Ele, porque veio o tempo das núpcias do Cordeiro, e a Esposa d’Ele ataviou-se; ... bem-aventurados aqueles quesão chamados à ceia das núpcias do Cordeiro” (Ap. 19:7, 9). No mesmo: “Vi a Cidade Santa, Jerusalém nova, descendo de Deus, do céu, ataviada como uma noiva ornada para o seu marido. [...] Um dos sete anjos falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposado Cordeiro. Levou-me em espírito sobre uma montanha grande e alta, e mostrou-me a cidade grande, a santa Jerusalém descendo do céu de junto de Deus” (Ap. 21: 2, 9, 10); que pelos esponsal e conjugal aqui não é significada outra coisa senão a conjunção do Senhor com a igreja, e isto por meio do vero e bem, é o que se vê manifestamente, pois a Cidade Santa e a Nova Jerusalém não são outra coisa senão a igreja. (Que a ‘cidade’ seja o vero da igreja, foi visto, n. 402, 2266, 2449, 2451, 2712, 2943, 3216; que ‘Jerusalém’ seja a igreja espiritual, n. 402, 2117, 2654). Em Malaquias: “Perfidamente agiu Judá, e a abominação foi feita em Israel e em Jerusalém, porquanto Judá profanou a santidade de JEHOVAH, porque amou e desposou-se com a filha de um deus estranho. JEHOVAH testemunhou entre ti e entre a esposa da tua juventude, contra a qual tu perfidamente agiste” (2:11, 14, 15); onde ‘amar e desposar a filha de um deus estranho’ é conjungir-se com o falso em lugar do vero, que é ‘a esposa da juventude’. Em Ezequiel: “Tomaste os teus filhos e as tuas filhas, aos quais pariste para mim, e sacrificaste para serem devorados: Será que [há] pouco das tuas escortações? [...] Filha de tua mãe tu [és], que desdenhas o seu marido e os seus filhos; e irmã tu [és] das tuas irmãs, que desdenharam os seus maridos e os seus filhos” (16:20, 45); aí se trata das abominações de Jerusalém, as quais, porque provinham dos males e falsos, são descritas naquele capítulo por meio de tais coisas que são contrárias ao casamento, a saber, por adultérios e escortações; os ‘maridos’, que elas desdenharam, são os bens, os ‘filhos’ são os veros, e as ‘filhas’, as afeições desses veros. Em Isaías: “Canta, ó estéril que não parira! Ressoa com canto e jubila, [tu que] não tiveste dor de parto! Porque [são] muitos os filhos da desolada, mais do que os filhos da casada. [...] do opróbrio da tua viuvez não [te] recordarás mais, porque o teu marido [é] o teu feitor, JEHOVAH Zebaoth [é] o nome d’Ele, e o teu Redentor, o Santo de Israel, Deus de toda a terra é chamado; pois como uma mulher deixada e aflita de espírito JEHOVAH te chamou, e [como] uma mulher da juventude quando é repudiada, disse o teus Deus. [...] Todos os teus filhos [serão] ensinados por JEHOVAH, e [será] nula a paz dos teus filhos” (54:1, 5, 6, 13); porque pelo ‘casamento’ é significada a conjunção do vero e do bem e do bem e do vero, pode-se ver o que é significado pelo ‘marido’ e a ‘esposa’, pelos ‘filhos’ e as ‘filhas’, pelas ‘viúvas’, pelas ‘repudiadas’, e por ‘parir’, ‘ter dores de parto’, ‘ser desolada’, ‘ser estéril’, pois essas coisas pertencem ao casamento; a respeito de cada uma dessas coisas, o que significam no sentido espiritual, mostrou-se muitas vezes nas explicações. No mesmo: “Por causa de Sião não [me] calarei, e por causa de Jerusalém não aquietarei; ... Não se dirá de ti mais a abandonada, mas a tua terra se chamará a casada; ... pois se agradou em ti JEHOVAH, e [com] a tua terra se casará. Porque [como] se casará o jovem com a virgem, [assim] casar-se-ão em ti os teus filhos, e [haverá] regozijo do noivo sobre a noiva, regozijar-se-á sobre ti o teu Deus” (Is. 62:1, 4, 5); quem não conhece o sentido interno da Palavra, pode opinar que tais expressões na Palavra são somente comparações, tais quais há muitas na linguagem comum, e que por isso a igreja é comparada a uma filha, a uma virgem, e a uma esposa;assim, o que pertence à fé e à caridade, ao que pertence ao casamento; mas, na Palavra, todas as coisas são representativas das coisas espirituais e das celestes, e são reais correspondências, porquanto a Palavra desce do céu, e pelo fato de descer dali, ela é em sua origem o Divino celeste e espiritual ao qual correspondem as coisas que pertencem ao sentido da letra; daí vem que as coisas pertencentes ao casamento celeste, que é a conjunção do bem e do vero, caem nas correspondências, assim, nas que pertencem aos casamentos na terra. Vem também daí que o Senhor tenha assemelhado o Reino dos céus, isto é, o Seu Reino no céu e o Seu Reino na terra, que é a igreja, com “um homem, rei, que fez as bodas de seu filho, e a elas convidou muitos” (Mt. 22:2 e seguintes); e também com “dez virgens, que tomando lâmpadas, saíram ao encontro do Noivo” (Mt. 25:1 e seguintes). E o Senhor também chama de filhos das núpcias àqueles que são da igreja: “Disse Jesus: E podem os filhos das núpcias se afligir enquanto o Noivo está com eles? Virão, porém, dias, quando será retirado deles o Noivo, e então jejuarão” (Mt. 9:15). Vem também daí que a afeição do bem e a afeição do vero são denominadas o regozijo e a alegria do noivo e da noiva, porque o regozijo celeste vem das afeições e está nessas afeições; por exemplo, em Isaías: “Casar-se-ão em ti os teus filhos, e haverá regozijo do noivo sobre a noiva, regozijará sobre ti JEHOVAH, teu Deus” (62:5). Em Jeremias: “Voz de regozijo e voz de alegria e a voz do noivo e a voz da noiva, a voz dos que dizem: Confesseis JEHOVAH, porque JEHOVAH [é] bom” (33:2). No mesmo: “Farei cessar das cidades de Judá e das praças de Jerusalém a voz de regozijo e a voz de alegria, a voz de noivo e a voz de noiva, porque na vastação se evadirá a terra” (Jr. 7:34; 16:9; 25:10). E em João: “A luz da lâmpada não brilhará mais na Babilônia, e voz de noivo e de noiva não se ouvirá nela mais” (Ap. 18:23). Como na terra só casamentos pelo amor verdadeiramente conjugal correspondem ao casamento celeste, que é o do bem e do vero, é por isso que as leis [promulgadas], na Palavra, sobre os esponsais e os casamentos correspondem inteiramente às leis espirituais do casamento celeste; por exemplo, que se casassem com uma só esposa (Marcos, 10:2 ao 8; Lucas, 16:18); porquanto assim se dá no casamento celeste, a saber, que um bem não possa ser conjungido senão ao seu vero, e um vero, ao seu bem; se o bem fosse conjungido a um outro vero que não fosse o seu, ele não subsistiria de modo algum, mas se dispersaria e, portanto, pereceria. Na igreja espiritual a esposa representa o bem e o varão representa o vero, mas na igreja celeste o marido representa o bem e a esposa representa o vero; e, o que é um arcano, não só eles os representam, mas até na realidade lhes correspondem. As leis que foram decretadas, no Antigo Testamento, sobre os casamentos também têm igualmente uma correspondência com as leis do casamento celeste (por exemplo, as que estão em Êx. 21:7–11; 22:15, 16; 34:16. Nm. 36:6; Dt. 7:3, 4; 22:28, 29); e também as leis sobre os graus proibidos (Lv. 18:6 a 20). Pela Divina Misericórdia do Senhor, falar-se-á em outro lugar de cada uma dessas leis. Que os graus e as leis dos casamentos tiram a sua origem das leis do vero e do bem que pertencem ao casamento celeste, e que elas se referem a ele, é o que se vê em Ezequiel: “Os sacerdotes levitas não tomarão a si por esposa a viúva ou a repudiada, mas virgens da semente da casa de Israel; e tomarão a viúva que tiver sido viúva de um sacerdote” (Ez. 44:22); aí se trata da Cidade Santa, a Jerusalém nova, e da Canaã Celeste; é evidente que é o Reino do Senhor e a Sua igreja, por conseguinte, que pelos Levitas não são significados os Levitas, nem a viúva e a repudiada uma viúva e uma repudiada, mas significam coisas tais quais a que eles correspondem.