Texto
. ‘E Hamor, pai de Siquém, saiu a Jacó, para falar com ele’; que signifique a consulta sobre o vero dessa igreja, vê-se pela representação de ‘Hamor, pai de Siquém’, que é o vero que pertence aos antigos (n. 4430, 4431); pela representação de ‘Jacó’, que é a Igreja Antiga externa, de que acima se tratou (n. 4439); e pela significação de ‘falar com ele’, que é consultar; daí por essas palavras é significada a consulta sobre o vero dessa igreja.
[2] Aquele que não sabe que, na Palavra, os nomes significam coisas reais, deve ficar admirado que por estas palavras, “Saiu Hamor, pai de Siquém, a Jacó para falar com ele”, é significada a consulta do vero da igreja entre os antigos com o vero que era segundo a Igreja Antiga a ser instaurado entre os pósteros de Jacó; mas não ficará admirado aquele que sabe que tal é o sentido interno da Palavra, nem mesmo aqueles que tornaram para si conhecido o modo de escrever entre os antigos a partir dos livros deles. Com efeito, fora comum entre os antigos introduzir as coisas reais como se fossem pessoas que conversam, por exemplo, a sabedoria, a inteligência, os conhecimentos e coisas semelhantes; e também lhes pôr nomes pelos quais elas eram significadas. Os deuses e os semideuses dos antigos não foram outra coisa; do mesmo modo as personagens que foram inventadas para que arranjassem as coisas reais de uma forma histórica.
[3] Os antigos sábios [veteres sophi] tomaram esse costume da Antiga Igreja, que se dispersou por grande parte do mundo asiático (n. 1238, 2385); pois os que eram da Igreja Antiga arranjavam as coisas sagradas por meio de coisas representativas e significativas. Ora, a Antiga Igreja obteve isso da boca dos antiquíssimos, que existiam antes do dilúvio (n. 920, 1409, 1977, 2896, 2897); e estes o possuíam do céu, pois eles tiveram comunicação com o céu (n. 784, 1114 ao 1125). Com efeito, o primeiro céu, que é o último dos três, se acha em tais representativos e tais significativos; daí vem que a Palavra foi escrita em um tal estilo. Mas a Palavra, mais do que os outros escritos da antiguidade, tem isto de peculiar, que todas as coisas representam, em uma série contínua, as coisas celestes e espirituais do Reino do Senhor, e, no sentido supremo, o Senhor mesmo; e que mesmo os históricos sejam também tais, e que, mais ainda, sejam correspondências reais, e estas contínuas pelos três céus desde o Senhor.