ac 4444

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Para ouvi-los, e os varões se doeram, e [ele] os enfureceu muito’; que signifique que eles estavam no mal contra o vero da igreja entre os antigos, é o que se vê pela significação de ‘se doer e se enfurecer muito’, que aqui é estar no mal; que seja contra o vero da igreja entre os antigos, é o que se segue, porque era contra Siquém, filho de Hamor, por quem é significado o vero entre os antigos, como acima (n. 4430, 4431) foi dito. Que tenham estado no mal, é isso evidente pelas coisas que seguem, a saber, que eles tinham falado com fraude (vers. 13); e em seguida, depois que Siquém e Hamor aquiesceram às palavras deles, eles os mataram (vers. 26 ao 29); daí vem que aqui por ‘doer-se e enfurecer-se muito’ é significado que eles estavam no mal. Parece como se tivesse havido um zelo, porque ele tinha se deitado com a irmã deles, de acordo com as palavras que seguem imediatamente:
“Porque fez uma loucura em Israel, ao se deitar com a filha de Jacó, e assim não se devia fazer”
e no fim do capítulo:
“disseram: Será que ele fará a nossa irmã como a uma meretriz?” (vers. 31);
mas não era zelo. Com efeito, o zelo nunca pode existir em alguém que está no mal, mas existe somente naquele que está no bem, pois o zelo tem em si o bem (n. 4164).
[2] De fato a religiosidade que existia na posteridade deles teve em si o bem, visto que todas e cada uma das coisas de que ela se compunha representavam coisas celestes e espirituais, que pertencem ao Reino do Senhor; mas quanto àqueles que estavam nessa religiosidade, nada se teve do bem, porquanto eles estiveram somente nos externos sem os internos, como acima se mostrou. Tem-se isto como com a religiosidade dessa nação, na qual estão ainda hoje; eles reconhecem Moisés e os Profetas, assim, a Palavra; ora, isso é santo em si, mas quanto a eles não é santo, uma vez que aí em cada coisa eles consideram a si próprios, e assim eles fazem mundana, e até terrestre, a Palavra, pois não sabem que nela há alguma coisa de celeste, eles nem se preocupam com isso. Aqueles que se acham em tal estado não podem estar no bem quando estão em sua religiosidade, mas estão no mal, afinal nada de celeste influi, pois o celeste é extinto neles.
[3] Segundo a Lei conhecida também na Antiga Igreja, estava prescrito que aquele que pressionasse uma virgem daria um dote e tomá-la-ia por esposa, segundo estas palavras em Moisés:
“Se um varão tiver persuadido uma virgem que não [for] noiva, e deitar[-se] com ela, com dote a dotará para si por esposa; se o pai dela recusando recusar a dá-la a ele, prata pesará, quanto [for] o dote das virgens” (Êx. 22:15, 16 [Em JFA, 22:16, 17]);
e em outra:
“Se um varão tiver encontrado uma moça virgem, que não for noiva, e a tiver prendido, e tiver se deitado com ela, e tiverem sido surpreendidos, dará, o varão que se deitou com ela, ao pai da moça cinquenta [peças] de prata, e ser-lhe-á por esposa, porque pressionou-a, e não poderá repudiá-la durante todos os seus dias” (Dt. 22:28, 29);
Que essa mesma lei tenha sido conhecida dos antigos, vê-se manifestamente pelas palavras de Siquém ao pai e aos irmãos da menina:
“E disse Siquém ao pai dela e aos irmãos dela: Ache eu graça aos vossos olhos, e o que disserdes a mim, darei. Multiplicai muito sobre mim o dote e o presente, e darei como me disserdes a mim, e que me deis a menina para mulher” (vers. 11, 12).
E porque Siquém quis cumprir essa lei, e os irmãos de Dinah consentiriam se ele se tornasse como eles circuncidando todo macho, segundo as palavras que se seguem:
“Contudo, nisto consentiremos a vós: se sois como nós, para que vos seja circundado todo macho; e daremos as nossas filhas a vós, e as vossas filhas tomaremos para nós, e habitaremos convosco, e seremos um povo só’’ (vers. 15, 16);
daí resulta evidentemente que eles agiram não pela Lei, portanto, não a partir do bem, mas contra a lei, por conseguinte, a partir do mal.
[4] É verdade que pela Lei eles não deviam contrair casamentos com as nações, a respeito do que se fala em Moisés:
“Não tomeis das filhas delas para os teus filhos, e [que] não escortem as filhas delas após os deuses deles, e façam escortar os teus filhos após os deuses deles” (Êx. 34:16);
e neste:
“Não contraíras afinidade com as nações; a tua filha não darás ao filho deles, e a filha deles não tomarás para o teu filho. Por isso: que seria desviado389 o teu filho de após Mim, para servir a outros deuses” (Dt. 7:3, 4);
mas esta lei foi decretada a respeito das nações idólatras, a fim de que por meio dos casamentos eles não se desviassem [deflecterent] do culto verdadeiramente representativo para um culto idolátrico, pois quando eles se tornaram idólatras, não puderam mais representar as coisas celestes e espirituais do Reino do Senhor, mas representaram as coisas opostas, tais como são as coisas infernais, uma vez que então eles evocavam do inferno algum diabo que eles adoravam, e ao qual eles aplicavam os representativos Divinos, razão por que se diz: “Para que não se escortem após os deuses deles”; depois, por essa razão, porque pelas nações eram significados os males e os falsos, com os quais os bens e os veros que aqueles representavam não deviam ser misturados, nem, por conseguinte, as coisas diabólicas e infernais com as celestes e espirituais (n. 3024 no fim).
[5] Nunca, porém, se lhes foi vetado contrair matrimônios com as nações que aceitaram o culto deles, e que, depois de terem sido circuncidadas, reconheciam JEHOVAH; a elas chamavam ‘peregrinos peregrinando com eles’, a respeito dos quais assim se diz em Moisés:
“Seperegrinar contigo um peregrino, e quiser fazer a Páscoa a JEHOVAH, seja lhe circundado todo macho, e então aproximar[-se-]á para fazê-lo, e será como o habitante da terra;... Uma lei única haverá para o habitante e o peregrino que peregrinar no meio de vós” (Êx. 12:48, 49);
e em outro lugar:
“Quando tiver peregrinado convosco um peregrino, e for fazer a Páscoa a JEHOVAH, segundo o estatuto da Páscoa, e segundo e estatuto dela, assim fará. Um só estatuto haverá entre vós, tanto para o peregrino quanto para o indígena da terra” (Nm. 9:14);
que se diga peregrinos peregrinando no meio deles e com eles, era porque ‘peregrinar’ significava ser instruído, e assim o ‘peregrino’ significava aqueles que se deixam instruir nos estatutos e nos doutrinais. Que ‘peregrinar’ e ‘peregrino’ signifiquem isto, foi visto (n. 1463, 2025, 3672). No mesmo:
“Que se tiver peregrinado convosco um peregrino,... que tiver feito uma ignição de odor de repouso a JEHOVAH, do mesmo modo que fizerdes assim [ele] fará. Quanto à assembleia, [haverá] um só estatuto para vós e para o peregrino que peregrina, estatuto de eternidade para as vossas gerações; quais [sois] vós, tal [será] o peregrino diante de JEHOVAH. Uma só lei e um só juízo haverá para vós e para o peregrino peregrinando convosco’’ (Nm. 15:14, 15, 16);
depois, em outra passagem:
“Como o indígena dentre vós, será para vós o peregrino peregrinando convosco’’ (Lv. 19:34);
“Um só juízo haverá para vós, qual [é] para o peregrino tal será para o indígena” (Lv. 24:22).
[6] Que esse estatuto tinha sido conhecido não apenas por Jacó e pelos filhos dele, mas também de Siquém e Hamor, vê-se pelas palavras deles; é que os estatutos, os juízos e as leis, que foram dados a nação israelita e judaica, não eram novos, mas eram tais quais os que tinham existido precedentemente na Antiga Igreja, e na segunda Antiga Igreja que foi denominada Igreja Hebraica do nome de Éber, como se demonstrou aqui e ali. Que seja daí que essa lei lhes tenha sido conhecida, vê-se pelas palavras dos filhos de Jacó:
“Os filhos de Jacó disseram a Hamor e a Siquém: Não podemos fazer essa palavra, dar a nossa irmã a um varão que tem prepúcio, porque isso é opróbrio para nós. Contudo, nisto consentiremos a vós, se sois como nós, para que vos seja circuncidado todo macho. E daremos as nossas filhas a vós, e as vossas filhas tomaremos para nós, e habitaremos convosco, e seremos um povo só” (vers. 14, 15, 16);
e pelas palavras de Hamor e Siquém, que não somente consentiram, mas se fizeram também circundar, eles e todo macho de sua cidade (vers. 18–24).
[7] Daí se torna claro que Siquém se tornara tal qual o peregrino de que se trata na Lei; e que assim ele poderia tomar por mulher a filha de Jacó; portanto, os filhos de Jacó, matando-os, cometeram um crime abominável390, o que também é atestado por Jacó antes de sua morte (Gn. 49:5–7). Que não só Judá, mas também Moisés, e depois os reis dos judeus e dos israelitas, bem como muitos dentre o povo, tenham casado com esposas dentre as nações, vê-se pelos históricos da Palavra; e não há dúvida que elas tenham recebido os estatutos, os juízos e as leis deles, e tenham sido reconhecidas como peregrinas.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.