ac 4453

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Percorrei-a negociando, e possuí nela’; que signifique os dogmas provenientes do geral que deviam consentir, é o que se vê pela significação de ‘negociar’, que é adquirir para si cognições e também comunicá-las (n. 2967); daí, ‘percorrer a terra negociando’ é entrar nas cognições do bem e do vero; que são significadas por Siquém, filho de Hamor, e por sua cidade; e pela significação de ‘possuir nela’, que é fazer um e, por conseguinte, consentir, pois os que possuem juntos a terra, esses fazem um e consentem. Que ‘negociar’ seja adquirir cognições para si e também comunicá-las, é porque no céu, onde a Palavra é percebida segundo o sentido interno, não há nenhum outro negócio, pois ali não há ouro nem prata nem nenhuma de tais coisas com as quais se negocia no mundo; por isso é que quando a palavra ‘negociar’ é lida na Palavra, entende-se isto no sentido espiritual, e é percebida uma coisa tal que corresponde, em geral, à aquisição e à comunicação das cognições, e em específico o que é nomeado; por exemplo, se o ouro é nomeado, entende-se o bem do amor e da sabedoria (n. 113, 1551, 1552); se é a prata, entende-se o vero que pertence à inteligência e à fé (n. 1551, 2048, 2954); se são as ovelhas, os carneiros, os cabritos e os cordeiros, pelos quais se negociavam antigamente, se entendem coisas tais que são significadas pelas ovelhas, os carneiros, os cabritos e os cordeiros, e assim por diante.
[2] Por exemplo, em Ezequiel:
“[...] Diz a Tiro, a habitante sobre a entradas do mar; a negociante dos povos para as muitas ilhas [...] Társis [foi] tua mercadora pela multidão de todas as riquezas; em prata, em ferro, em estanho e chumbo forneceram os teus mercados. Javã, Tubal e Meshech, estes [eram] teus negociadores; em alma de homem e vasos de bronze fizeram o teu comércio. [...] Os filhos de Dedan [eram] os teus negociantes; as ilhas numerosas [eram] a mercadoria da tua mão. A Síria [foi] a tua mercadora na multidão das tuas obras;... Judá e a terra de Israel, esses [eram] os teus negociantes em trigo, minnith, e pannag, e mel e azeite, e em bálsamo, fizeram o teu comércio. Damasco [foi] a tua mercadora na multidão das tuas obras, pela multidão de todas as riquezas, no vinho de Hesbon e na lã de Sahar. Dã e Javã forneceram o fio nas tuas feiras. Dedan tua negociadora em vestidos de liberdade para o carro. A Arábia e todos os príncipes de Kedar, [eram] eles os mercadores da tua mão, em cordeiros e carneiros e bodes, nessas coisas [foram] os teus mercadores;... Os negociantes de Sheba e de Ramah, [eram] eles os teus negociantes no melhor de toda especiaria; e por toda pedra preciosa e pelo ouro fizeram os teus negócios. Haran e Canneh e Éden [eram] os negociadores de Sheba, Asshur [e] Kilmad [eram] tuas negociantes. Estes [eram] os teus negociantes em coisas perfeitas em peças de jacinto e bordado, e com tesouros de vestidos preciosos, amarrados por cordas e em caixas de cedro, para a tua mercadoria: [Os navios de Társis [eram] tuas turmas para a tua mercadoria] donde cheia estás, e te fizeste muito honrada no coração dos mares [...]” (27:1 até o fim).
[3] Por essas e muitas outras passagens na Palavra, é evidente que os negócios, os comércios, as mercadorias e a recompensa não são outra coisa senão as coisas que pertencem às cognições do bem e do vero. Com efeito, que relação haveria entre a Palavra profética e os negócios de Tiro a não ser que por tais negócios fossem significadas coisas celestes e espirituais? E porque é assim, pode-se ver manifestamente que não só pelas recompensas são significadas coisas diferentes, mas também pelas nações mencionadas nessas passagens são significados aqueles entre os quais estão tais coisas; então que não se possa saber o que significam senão pelo sentido interno, por exemplo, o que significam Társis, Javã, Thubal, Mesheh, os filhos de Dedan, a Síria, Judá, Israel, Dã, Javã, Dedan, a Arábia, Sheba, Ramah, Haran, Canneh, Éden, Asshur, Kilmad; também o que significam as suas recompensas, como a prata, o ferro, o estanho, o chumbo, os vasos de bronze, o trigo, o minnith, o pannag, o mel, o azeite, o bálsamo, o vinho de Hesbon, e a lã de Zahar, o fio, os vestidos de liberdade para o carro; os cordeiros, os carneiros, os bodes, a especiaria, a pedra preciosa, o ouro, as peças [glomeres] de jacinto, o bordado, as cordas e as caixas de cedro. Essas coisas e outras semelhantes significam os bens e os veros que pertencem à igreja e ao Reino do Senhor, ou antes, às cognições desses bens e veros; por isso é que nessa passagem se tratou de Tiro, pela razão que por Tiro são significadas as cognições (n. 1201); e porque tais recompensas, ou seja, os bens e veros, estão na igreja e no Reino do Senhor, também a terra de Canaã (pela qual a igreja e o Reino do Senhor são significados), desde o tempo antiquíssimo, foi assim chamada, derivada da palavra recompensa ou mercadoria, pois, na língua original, Canaã significa isso. Pelo que agora acaba de ser dito, vê-se o que é significado por ‘negociando, percorrer a terra’.

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