. ‘E a terra, eis que é larga de espaço diante deles’; que signifique a extensão, a saber, do vero que pertence à doutrina, é o que se vê pela significação da ‘terra’, que é a igreja (do que se tratou logo acima, n. 4480); e pela significação de ‘larga de espaço’, que é a extensão quanto aos veros, assim, quanto às coisas que pertencem à doutrina. Na Palavra, as coisas que são descritas segundo as medidas significam, no sentido interno, não medidas, mas sim as qualidades do estado; as medidas, com efeito, envolvem os espaços, e na outra vida não há espaços, assim como não há tempos, mas há estados que lhes correspondem (n. 2625, 2837, 3356, 3387, 3404, 4321); e porque assim acontece, os comprimentos, as larguras e as alturas, que pertencem ao espaço medido, significam coisas tais que pertencem ao estado. Que o comprimento signifique o estado santo, a altura o bem, e a largura o vero, foi visto (n. 650, 1613, 3433, 3434); daí vem que pela ‘terra larga de espaço’ é significada a extensão do vero que pertence à doutrina na igreja. [2] Quem não sabe que existe na Palavra outro espiritual, que não é o que se manifesta no sentido da letra, não pode deixar de se admirar que se diga que pela ‘terra larga de espaço’ é significada a extensão do vero que pertence à doutrina da igreja; mas que, entretanto, assim acontece, pode-se ver pelas passagens onde a largura é mencionada na Palavra; por exemplo em Isaías: “Asshur irá por Judá, inundará e atravessará, até o pescoço atingirá, e serão as extensões das suas asas a plenitude da largura da terra” (8:8). Em Davi: “Ó JEHOVAH! Não me fechaste na mão do inimigo; fizeste estar na largura os meus pés” (Sl. 31:8). No mesmo: “Da angústia invoquei JAH, responderá a mim na largura” (Sl. 118:5). Em Habacuque: “Eu que excito os caldeus, nação amarga e célere, andando nas larguras de terra” (1:6); pelas larguras aí outra coisa não é significada senão o vero da igreja. [3] O motivo por que a ‘largura’ significaisso, é porque no mundo espiritual (ou no céu) o Senhor é o centro de todas as coisas, pois ali Ele mesmo é o Sol. Aqueles que estão no estado do bem, são interiores segundo a qualidade e a quantidade do bem em que estão; por isso a altura é predicada do bem. Aqueles que estão em um semelhante grau do bem, também estão em um semelhante grau do vero, e assim, por assim dizer, em uma semelhante distância, ou, como convém ser dito, na mesma periferia; vem daí que dos veros se predique a largura; por isso é que os anjos que estão com o homem, quando este lê a Palavra, não entendem outra coisa pela largura; por exemplo, nos históricos da Palavra, onde se trata da Arca, do Altar, do Templo, dos espaços fora das cidades, então pelas dimensões ali quanto aos comprimentos, às larguras e às alturas, percebem os estados do bem e do vero; do mesmo modo, onde se trata da nova terra, da Nova Jerusalém e do Novo Templo, em Ezequiel (caps. 40 –47), pelos quais são significados um céu e a Nova Igreja, como se pode ver a partir de cada uma das expressões ali. Do mesmo modo também em João, onde se diz da Nova Jerusalém, que ela será quadrangular, e que o seu comprimento será tão grande quanto a sua largura (Ap. 21:6). [4] As coisas que são interiores no mundo espiritual são descritas por meio de coisas superiores, e as que são exteriores, pelas inferiores (n. 2148), é que o homem não pode de outro modo compreender as coisas interiores e exteriores quando ele está no mundo, porque ele está no espaço e no tempo, e as coisas que pertencem ao espaço e ao tempo entraram nas ideias de seu pensamento, e pela maior parte [as] impregnaram. Por esse fato é ainda evidente que as coisas que pertencem às medidas, e que são limitações do espaço, como as alturas, os comprimentos e as larguras, são, no sentido espiritual, coisas que determinam os estados das afeições do bem e das afeições do vero.