. ‘Não serão nossas?’; que signifique que serão semelhantes e de uma mesma forma, é o que se pode ver pela série, que é tal, que os bens e veros da Antiquíssima Igreja, que estavam ainda quanto a alguma parte em Hamor e Siquém e em suas famílias, concordavam com os bens e veros provenientes da Antiga Igreja entre os pósteros de Jacó, pois os ritos que foram instituídos entre os pósteros de Jacó outra coisa não eram senão externos que representavam e significavam os internos que tinham pertencido à Antiquíssima Igreja; daí vem que por ‘não serão nossas?’ ou as coisas que lhes pertenciam é significado que eles eram semelhantes e de uma mesma forma. [2] Mas o fato será ilustrado por um exemplo: O altar, sobre o qual se sacrificava, era o principal representativo do Senhor (n. 921, 2777, 2811); daí também ele era o fundamental do culto na Igreja Antiga que foi chamada Hebraica; eis por que todas e cada uma das coisas, de que era construído o Altar, representavam, como as suas dimensões, a saber, a altura, a largura e o comprimento, as suas pedras, a sua grade que era de arame, os seus chifres, depois o fogo que era conservado perpetuamente sobre o altar e, além disso, os sacrifícios e os holocaustos; as coisas que eles representavam, eram os veros e os bens que pertencem ao Senhor e que procedem do Senhor; esses veros e esses bens eram os internos do culto, que porque eram representados nesse externo, eram semelhantes aos veros e aos bens da Antiquíssima Igreja e de uma mesma forma. As dimensões, a saber, a altura, a largura e o comprimento, significavam em geral o bem, o vero e o estado santo daí procedendo (ver n. 650, 1613, 3433, 3434, 4482); as pedras significavam especialmente os veros inferiores (n. 1298, 3720); o bronze ou o arame, de que se compunha a grade que cercava o altar, significava o bem natural (n. 425, 1551); os chifres significavam o poder do vero que provém do bem (n. 2832); o fogo sobre o altar significava o amor (n. 934); os sacrifícios e os holocaustos significavam as coisas celestes e espirituais segundo as suas diferentes espécies (n. 922, 1823, 2180, 2805, 2807, 2830, 3519). Daí se pode ver que nesses externos estavam contidos os internos, e que, quanto aos internos, eles eram semelhantes; e o mesmo acontecia com todo o resto. [3] Mas aqueles que foram da Antiquíssima Igreja não prestavam atenção a essas coisas externas, porque eram homens internos, e porque o Senhor influía neles por uma via interna e lhes ensinava o que era o bem; as variedades e as diferenças do bem eram para eles os veros, e por isso eles sabiam o que representavam, no Reino do Senhor, todas e cada uma das coisas que estavam no mundo, pois o mundo inteiro ou toda a natureza é o teatro representativo do Reino do Senhor (n. 2758, 3483). Ao contrário, aqueles que eram da Igreja Antiga foram não homens internos, mas homens externos; é por isso que entre eles o Senhor não pôde influir nem ensinar, por uma via interna, o que era o bem; mas influía e ensinava por uma via externa; e isso, primeiro por tais coisas que representavam e significavam, daí nasceu a Igreja representativa; e depois por doutrinais do bem e do vero, que eram representados e significados, daí a Igreja Cristã; esta Igreja, a saber, a Igreja Cristã, em sua essência, é, quanto à forma interna, a mesma que a Igreja representativa, mas os representativos e os significativos desta foram ab-rogados depois que o Senhor veio ao mundo, pela razão que todas as coisas, em geral e em particular, representavam o Senhor e, consequentemente, as coisas que pertencem ao Seu Reino, pois estas procedem d’Ele e são, por assim dizer, Ele mesmo. [4] Contudo, entre a Antiquíssima Igreja e a Igreja Cristã, há tanta diferença como entre a luz do sol durante o dia e a luz da lua ou das estrelas durante a noite; porque ver os bens pelo caminho interno, ou anterior, é como ver no dia na luz do sol, enquanto ver pelo caminho externo, ou posterior, é como ver de noite na luz da lua ou das estrelas. Há uma diferença quase semelhante entre a Antiquíssima Igreja e a Antiga, os da Igreja Cristã somente poderiam estar em uma luz mais plena se neles reconhecessem os internos, ou se cressem e fizessem os veros e bens que o Senhor ensinou. O bem mesmo é para uma e outra o mesmo, mas a diferença consiste em vê-lo na claridade ou na obscuridade; os que veem na claridade veem inúmeros arcanos, quase como os anjos no céu, e são também afetados pelas coisas que eles veem; mas os que veem na obscuridade dificilmente veem alguma coisa sem uma dúvida, e ainda as coisas que eles veem se mesclam com as sombras da noite, isto é, com os falsos, e eles não podem ser afetados por elas interiormente. Ora, como o bem é o mesmo para uma e outra igrejas, e consequentemente também o vero, daí vem que por estas palavras, “não serão nossas?”, é significado que os bens e os veros eram semelhantes e de uma mesma forma. Com efeito, Hamor e Siquém, como acaba de ser dito, eram dos remanescentes da Antiquíssima Igreja, e a posteridade de Jacó era da Antiga Igreja que foi chamada Hebraica, mas somente nos externos desta igreja. Que, porém, Hamor e Siquém, seu filho, tenham pecado enormemente396 porque tinham recebido a circuncisão, ver-se-á na sequência (n. 4493).