ac 4493

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E circuncidaram todo macho, todos os que saem pelo portão da cidade dele’; que signifique a aproximação para as coisas externas, vê-se pela significação de ‘circuncidar todo macho’, que é, por esse modo, ser iniciado nos representativos e significativos dos pósteros de Jacó somente quanto aos externos (n. 4486); e pela significação de ‘sair pelo portão da cidade’, que é afastar-se da doutrina da igreja entre os antigos (do que se tratou acima, n. 4492); e porque o afastamento da doutrina e aproximação para os externos é significado, por isso se diz duas vezes, “os que saem do portão da cidade dele”, e não ao mesmo tempo (como em outro lugar) “os que entravam por ele”, pois por ‘entrar’ é significada a aproximação para a doutrina e o afastamento dos externos, mas aqui é o contrário.
[2] Deve-se dizer como tais coisas acontecem: Os homens da Antiquíssima Igreja, de cujos remanescentes eram Hamor e Siquém junto com as suas famílias, eram absolutamente de outro e diferente gênio e índole que os varões da Antiga Igreja. Com efeito, os homens da Antiguíssima Igreja tiveram um voluntário no qual estava a integridade, mas não sucedeu o mesmo com os varões da Antiga Igreja; por isso é que o Senhor pôde influir nos homens da Antiquíssima Igreja por meio do voluntário, assim, por uma via interna, mas não pôde nos varões da Antiga Igreja, porquanto nestes o voluntário tinha ficado inteiramente perdido; mas o Senhor influía no intelectual deles, assim, não por uma via interna, mas sim por uma via externa, como acima (n. 4489) foi dito. Influir pelo voluntário é influir pelo bem do amor, pois todo bem pertence à parte voluntária; mas influir pelo intelectual é influir pelo vero da fé, pois todo vero pertence à parte intelectual; nesta parte, a saber, na intelectual, o Senhor, nos varões da Antiga Igreja, formou uma nova vontade quando Ele os regenerou. Que os bens e os veros tenham sido implantados na parte voluntária dos homens da Antiquíssima Igreja, foi visto (n. 895, 927); mas que eles tenham sido implantados na parte intelectual dos varões da Antiga Igreja, n. 863, 875, 895, 927, 2124, 2256, 4328; que a nova vontade se forma na parte intelectual, n. 928, 1023, 1043, 1044, 4328; que exista paralelismo entre o Senhor e entre o bem no homem, mas não entre o Senhor e o vero, n. 1831, 1832, 2718, 3514; e que daí os varões da Antiga Igreja estiveram relativamente no obscuro, n. 2708, 2715, 2935, 2937, 3246, 3833. Por essas distinções, pode-se ver que os homens da Antiquíssima Igreja foram absolutamente de um outro gênio e de uma índole diferente dos varões da Antiga Igreja.
[3] Daí vinha que os que eram da Antiquíssima Igreja foram homens internos, e não tiveram nenhum dos externos do culto, e que os que eram da Antiga Igreja foram homens externos, e tiveram os externos do culto: porquanto aqueles, pelos internos, viam os externos como na luz do sol de dia, e estes, pelos externos, viam os internos como na luminosidade da lua e das estrelas de noite; é por isso que também o Senhor aparece no céu àqueles como Sol, e a estes como Lua (n. 1521, 1529, 1530, 1531, 2441, 2495, 4060); são aqueles que, nas explicações, se chamam celestes, mas estes, os que se chamam espirituais.
[4] Para que se esclareça qual fora a diferença, seja este exemplo: O homem da Antiguíssima Igreja, se tivesse lido a Palavra histórica ou profética, teria visto, sem uma instrução prévia, ou sem nenhuma explicação, o seu sentido interno, e isso a tal ponto que as coisas celestes e espirituais, que pertencem ao sentido interno, logo se apresentariam, e dificilmente ele teria visto alguma coisa do sentido da letra; assim, o sentido interno estaria para ele na claridade, mas o sentido da letra, na obscuridade; ele teria sido como o que ouve falar e compreende o sentido sem prestar atenção às palavras daquele que fala. Mas o homem da Antiga Igreja, se tivesse lido a Palavra, não teria podido sem uma instrução prévia, ou sem uma explicação, ver o seu sentido interno, assim, o sentido interno teria ficado para ele na obscuridade, mas o sentido da letra, na claridade. Ele teria sido como aquele que ouve falar e se limita pelo pensamento às palavras, e durante esse tempo não presta atenção ao sentido, que então para ele perece. Porém, o homem da Igreja Judaica, quando lê a Palavra, nada compreende além do sentido da letra, ele não sabe que há um sentido interno, e também nega [que haja um]. É semelhante hoje com o homem da Igreja Cristã.
[5] Pode-se ver agora qual a diferença que houve entre os representados por Hamor e Siquém (os quais, por serem remanescentes da Antiquíssima Igreja, estiveram nos internos e não nos externos) e entre os que são significados pelos filhos de Jacó, que estiveram nos externos e não nos internos; e, mais ainda, pode-se ver que Hamor e Siquém não teriam podido se aproximar dos externos, e aceitar as coisas que estavam entre os filhos de Jacó, exceto se os seus internos estivessem fechados, e se tivessem sido fechados, eles teriam perecido eternamente.
[6] É essa a razão secreta397 pela qual Hamor, Siquém, junto com as famílias deles, foram mortos, o que de outro modo não teria sido permitido. Isso, porém, não retira a culpa dos filhos de Jacó por terem cometido um crime enorme. Eles não tinham nenhum conhecimento desse arcano, e não tiveram isso por fim. Cada um é julgado segundo o fim, ou a intenção; que a intenção deles foi de fraudar, é o que se diz manifestamente no versículo 13; e quando uma tal coisa é permitida pelo Senhor, isso se faz pelos maus e pelos infernais que os impelem a fazê-lo; mas todo mal que os maus intendem e fazem aos bons, o Senhor o converte em bem; aqui, era para que Hamor, Siquém, junto com as suas famílias fossem salvos.

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