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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Aconteceu, no dia terceiro’; que signifique o contínuo até o fim, é o que se vê pela significação do ‘dia terceiro’ [ou terceiro dia], que é o completo desde o começo até o fim (n. 2788), assim, também o contínuo. Que o ‘terceiro dia’ tenha essa significação, é o que dificilmente podem crer os que consideram serem os Históricos da Palavra somente históricos mundanos, e apenas serem santos porque estão no Códice Sagrado; mas, que não só os históricos mesmos da Palavra envolvam coisas espirituais e celestes, que não se manifestam na letra, mas também que isso aconteça do mesmo modo com as palavras e, além disso, com todos os números, mostrou-se nas explicações que precedem. Que a coisa assim aconteça, é o que, pela Divina Misericórdia do Senhor, se verá ainda melhor nos Proféticos, que não mantêm a mente no sentido da letra quanto à série do mesmo modo que os históricos. Mas que os números ternários399, do mesmo modo que os números septenários, bem como os números duodenários, também envolvam arcanos, é o que não pode não constatar aquele que escruta a Palavra quanto aos seus interiores. E se há arcanos nesses números, segue-se que os há também em todos os outros números que estão na Palavra, pois a Palavra é santa em toda a parte.
[2] Certas vezes, enquanto conversava com os anjos, apareceram-me números como escritos diante dos olhos, do mesmo modo que os que estão escritos num papel à luz do dia; e percebi que as próprias coisas de que eles falavam caíam nesses números; por essa experiência me foi dado saber que cada número na Palavra contém algum arcano; é o que se pode ver claramente por estas palavras em João:
“Mediu a muralha da Santa Jerusalém, cento e quarenta e quatro côvados, que é medida de homem, isto é, de anjo” (Ap. 21:17);
em outra passagem:
“Quem tem inteligência, conta o número da besta, pois é número de homem, a saber, o número dela é seiscentos e sessenta e seis” (Ap. 13:18);
que o número anterior, a saber, 144, venha de doze multiplicado por si mesmo, e que o número 666 venha do número ternário e do seno, isso é evidente; quanto ao que esses números envolvem de santo, pode-se ver pela santidade do número 12 (ver a respeito os n. 577, 2089, 2129 no fim, 2130 no fim, 3272, 3858, 3913), e a respeito da santidade do número ternário, n. 720, 901, 1825, 2788, 4010.
[3] Este número, a saber, o ternário, significa o completo até o fim, assim, um período grande ou pequeno, por isso ele foi recebido na Igreja representativa, e era empregado todas as vezes que tal coisa era significada, e também na Palavra, onde todas e cada uma das coisas têm uma significação, como se pode ver por estas passagens, em que se diz
“que iriam o percurso de três dias e sacrificariam” (Êx. 3: 18; 5:3);
“que [eles] se preparariam para o terceiro dia, porque no terceiro diaJEHOVAH desce sobre o monte de Sinai” (Êx. 19:11, 15, 16, 18);
“que da carne do sacrifício nada seria deixado para o terceiro dia” (Lv. 7:16, 17, 18; 19:6, 7);
“que sobre o imundo se espargiria a água de separação no terceiro dia e no sétimo dia” (Nm. 19:11 ao fim);
e
“que os que tocaram um morto na guerra deviam ser purificados no terceiro dia e no sétimo dia” (Nm. 31:19 ao 25);
“que Josué ordenou ao povo que passasse o Jordão dentro de três dias” (Js. 1:11; 3:2);
“que JEHOVAH chamou três vezes Samuel, e três vezes Samuel correu para Eli, e que na terceira vez Eli compreendeu que JEHOVAH chamava Samuel” (1Sm. 3:1 ao 8);
“que Jonathan disse a Davi que se ocultasse em um campo até a terceira tarde; e que Jonathan enviaria a ele no terceiro dia seguinte400, e revelaria a intenção de seu pai; e que Jonathan então lançaria ao lado da pedra três flechas. E que, depois disso, Davi se encurvou três vezes para a terra diante de Jonathan” (1Sm. 20: 5, 12, 19, 20, 35, 36, 41);
“que três coisas foram propostas a Davi, a fim de que delas escolhesse uma: ou a fome durante sete anos, ou fugir três meses diante dos inimigos, ou a peste na terra durante três dias” (2Sm. 24:11, 12, 13);
“que Roboão disse à assembleia de Israel, que pedia para ser aliviada do jugo de seu pai, que se fossem três dias e voltassem; e que vieram a Roboão no terceiro dia, como disse o Rei: Volteis a mim no terceiro dia” (1Rs. 12:5, 12);
“que Elias mediu-se sobre o filho da viúva três vezes” (1Rs. 17:21);
“que Elias tinha dito que derramassem água sobre o holocausto e a lenha pela terceira vez, e que [o] fizeram pela terceira vez” (1Rs. 18:34);
“que Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites” (Jn. 2:1 [Em JFA, 1:17]; Mt. 12:40);
“que o Senhor, falando de um homem que plantou uma vinha, [disse] que ele tinha enviado três vezes servos, e depois o filho” (Mc. 12: 2, 4, 5, 6; Lc. 20:12, 13);
“que [Ele disse] a respeito de Pedro, que ele O renegaria três vezes” (Mt. 26:34; João, 13:38);
“que Ele tenha dito a Pedro três vezes, “Me amas?” (João, 21:15, 16, 17).
Por estas passagens e muitas outras, na Palavra, pode-se ver que no número ternário havia um arcano, e que por isso esse número foi recebido entre as coisas significativas nas Igrejas Antigas. Que ele signifique um período inteiro da igreja e das coisas na igreja, assim, um período grande ou pequeno, isso é evidente; por conseguinte, significa o completo e, também, o contínuo até o fim, como se vê claramente em Oséias:
“JEHOVAHnos vivificará depois de dois dias, e no terceiro dia nos elevará e viveremos diante d’Ele” (6:2).

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