ac 4535

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

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Livro de Gênesis
Trigésimo quinto capítulo
*4535. ANTES dos capítulos que precedem, desde o capítulo 26 até aqui, foram explicadas as coisas que o Senhor tinha predito sobre o Seu Advento ou sobre a CONSUMAÇÃO DO SÉCULO, e mostrou-se ali, algumas vezes, que pelo Seu Advento ou a Consumação do Século é significado o último tempo da igreja, que na Palavra é também chamado Juízo Final. Aqueles que não veem além do sentido da letra não podem saber outra coisa senão que o Juízo Final é a destruição do mundo, e isso sobretudo pelo Apocalipse, onde se diz [de João]:
“que viu um céu novo e uma terra nova, pois o precedente céu e a precedente terra passou406; e o mar não era mais”;
e, além disso, que
“viu a Cidade Santa, a Jerusalém Nova, descendo de Deus desde o céu” (21:1, 2).
E também pelas profecias de Isaías, onde semelhantemente:
“Eis, Eu que crio céus novos e uma terra nova: por isso não serão lembrados os precedentes, e não subirão sobre o coração: Alegrai-vos e regozijai-vos pela eternidade [por causa d]as coisas que Eu crio: Eis, Eu hei de criar [para] Jerusalém exultação, e [para] o povo dela alegria” (Is. 65:17, 18; 66:22).
[2] Aqueles que não veem além do sentido da letra não compreendem outra coisa senão que todo o céu com esta terra deve ser aniquilado [in nihilum casurum], e que então primeiro os mortos ressuscitarão, mas habitarão em um novo céu e sobre uma nova terra. No entanto, que a Palavra não deve ser aqui entendida assim, é o que se pode ver por muitas outras passagens na Palavra onde os céus e a terra são mencionados. Aqueles que têm alguma fé a respeito do sentido interno, estes podem ver manifestamente que por um novo céu e uma nova terra se entende uma nova igreja, que sucede quando a precedente passa (ver n. 1733, 1850, 3355), e que o céu é o interno dela, e a terra, o externo dessa igreja.
[3] Esse último tempo da igreja precedente, e esse primeiro tempo da igreja nova, é o que também é chamado a Consumação do Século, de que o Senhor falou em Mateus, cap. 24, e é o Advento do Senhor, pois então o Senhor se retira da igreja precedente e vem para a nova. Que seja isso a Consumação do Século, pode-se ainda ver por outras passagens na Palavra, por exemplo, em Isaías:
“Naquele dia... os restos voltarão, os restos de Jacó para o Deus poderoso; pois ainda que teu povo tenha sido, ó Israel, como a areia do mar, os restos voltarão dele; uma consumação [está] determinada, inundada [está] a justiça; pois uma consumação e uma decisão [é] o Senhor JEHOVIH Zebaoth que faz em toda a terra” (10:20, 21–23).
No mesmo:
“Agora não zombeis, para que não se agravem as vossas punições, porque ouvi a consumação e a decisão de junto do Senhor JEHOVIH Zebaoth sobre toda a terra” (Is. 28:22).
Em Jeremias:
“Assim disse JEHOVAH: Devastação será toda a terra, consumação porém não farei” (4:27).
Em Sofonias:
“Em angústias reduzirei os homens, e irão como os seus cegos, porque pecaram contra JEHOVAH; e derramar-se-á o sangue deles como o pó, e a carne deles como esterco; porque JEHOVAH [fará] consumação e certamente às presas fará com todos os habitantes da terra” (1:17, 18);
que nessas passagens a ‘consumação’ seja o último tempo da igreja, e que a ‘terra’ seja a igreja, é isso evidente por cada expressão.
[4] Que a ‘terra’ seja a igreja, é porque a terra de Canaã era a terra onde, desde os tempos antiquíssimos, tinha estado a igreja, e onde esteve depois com os descendentes de Jacó o representativo da igreja. Quando se diz que essa terra foi consumada, não é a nação ali que se entende, mas é a santidade do culto com a nação onde estava a igreja. Com efeito, a Palavra é espiritual, e a terra mesma não é espiritual, nem a nação que ali habita, mas sim aquilo que pertence à igreja. (Que a terra de Canaã tenha sido a terra onde estava a igreja desde os tempos antiquíssimos, foi visto, n. 567, 3686, 4447, 4454, 4516, 4517; e porque foi assim, é por isso que pela terra, na Palavra, é significada a igreja, n. 566, 662, 1066, 1067, 1262, 3355, 4447.) Daí se vê claramente o que se entende em Isaías por ‘fazer a consumação em toda a terra’, e, em Sofonias, por ‘fazer a consumação às pressas com todos os habitantes da terra’. Que a nação judaica, que foi habitante dessa terra, não tenha sido consumada, mas que seja o estado santo do culto entre eles que foi consumado, isso é notório.
[5] Que isto seja a consumação, vê-se ainda mais claramente em Daniel:
“Setenta semanas foram decididas sobre o teu povo, e sobre a cidade da tua santidade, para consumar a prevaricação, e para selar os pecados e para expiar a iniquidade, e para trazer a justiça do século, e para selar a visão e o profeta, e para ungir o santo dos santos. No meio da semana fará cessar o sacrifício e a oblação. Por fim sobre a ave da desolação [será] a desolação, e até à consumação e a decisão, fundirá sobre a devastação” (9:24, 27).
[6] Daí então se pode ver que pela consumação do século, a cujo respeito os discípulos perguntaram ao Senhor: “Qual será o sinal da Tua vinda e da consumação do século?” (Mt. 24:3), outra coisa não é significada senão o último tempo da igreja; e também por estas palavras do Senhor, que são as últimas no mesmo Evangelista:
“Jesus [disse] aos discípulos: Ensinando observai tudo que vos mandei; e eis [que] Eu estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28:20).
Que pelo Senhor fora dito que estaria com os discípulos até a consumação do século, é porque pelos doze discípulos do Senhor são significadas as mesmas coisas que pelas doze tribos de Israel, a saber, todas as coisas que pertencem ao amor e à fé, por conseguinte, todas as coisas da igreja (ver os n. 3354, 3488, 3858; quanto às doze tribos, n. 3858, 3926, 3939, 4060). Que haja consumação da igreja quando ali não há mais caridade, nem, por conseguinte, nenhuma fé, é o que já se demonstrou algumas vezes. Que nesta igreja, que é denominada Igreja Cristã, dificilmente reste alguma coisa da caridade e, por isso, dificilmente alguma coisa da fé, e que assim a consumação do século dela está próxima, é o que será, pela Divina Misericórdia do Senhor, demonstrado na sequência.
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