. ‘E Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está perto de Siquém’; que signifique uma rejeição eterna, vê-se pela significação de ‘esconder’, que é rejeitar e sepultar como morto; e pela significação de ‘debaixo do carvalho’, que é pela eternidade, porquanto o carvalho, porque é uma árvore que atinge uma grande idade, quando se escondia alguma coisa debaixo dele, significava o perpétuo; e também significava o que era emaranhado, e, além disso, o que era falacioso e falso, uma vez que o ínfimo do natural é relativamente o emaranhado e falacioso, já que dos sentidos que pertencem ao corpo, assim, das falácias, ele tira o seu conhecimento e a sua volúpia; com efeito, pelo ‘carvalho’ é significado, especificamente, o ínfimo do natural, por conseguinte, no sentido bom, os veros e os bens que nele estão, e, no sentido oposto, os males e os falsos que nele estão. [2] Quando também os falsos são afastados no homem regenerado, eles são mesmo rejeitados para o ínfimo no natural, eis por que pela vista interior, quando o homem se tornou de um juízo maduro e perspicaz, e sobretudo quando ele é inteligente e sábio, esses falsos parecem repelidos para muito longe. Com efeito, no homem regenerado os veros estão no íntimo de seu natural, perto do bem que está ali como um pequeno sol; os veros que dependem desses veros estão distantes deles segundo graus de quase consanguinidade e de quase afinidade com o bem, e os veros falaciosos estão nas periferias exteriores, e os falsos foram rejeitados para as periferias mais externas. Tais coisas permanecem perpetuamente com o homem, mas estão nessa ordem quando o homem se deixa conduzir pelo Senhor. De fato, essa ordem é a ordem celeste, pois o céu mesmo está em uma tal ordem. Quando, porém, o homem não se deixa conduzir pelo Senhor, mas é guiado pelo mal, então elas estão na ordem oposta, então no meio está o mal com os falsos, para as periferias foram rejeitados os veros, e nas últimas periferias os veros Divinos mesmos; esta ordem é infernal, pois o inferno se acha em uma tal ordem; as periferias mais externas são os ínfimos do natural. [3] Que os carvalhos sejam os falsos que são os ínfimos do natural, é porque na Igreja Antiga, quando existia um culto externo representativo do Reino do Senhor, todas as árvores, fosse qual fosse o gênero, significavam algum espiritual ou algum celeste; assim como a oliveira e, daí, o azeite, as coisas que pertencem ao amor celeste; a videira e, daí, o vinho, as que pertencem à caridade e à fé procedente da caridade, e assim para as outras árvores, como o cedro, a figueira, o álamo, a faia, o carvalho; quanto à significação destas, demonstrou-se aqui e ali nas explicações. Daí vem que, na Palavra, as árvores sejam lembradas tantas vezes, e também em geral os jardins, bosques e florestas, e que nesses lugares se celebrava o culto debaixo de certas árvores. Como, porém, esse culto tornou-se idolátrico, e a posteridade de Jacó, entre os quais o representativo de igreja devia ser instaurado, fosse propensa à idolatria e fazia delas assim outros tantos ídolos, por isso, fora-lhes em consequência proibido ter um culto nos jardins e nos bosques, e debaixo das árvores que lá estavam, mas, apesar disso, as árvores retinham a sua significação. É, pois, daí que não só as árvores mais nobres como as oliveiras, as videiras, os cedros, mas também o álamo, a faia e o carvalho, significam, na Palavra, quando são nomeadas, cada uma, o que elas significavam na Antiga Igreja. [4] Que os carvalhos, no sentido bom, signifiquem os veros e os bens que são os ínfimos do natural, e, no sentido oposto, os falsos e os males, vê-se pelas passagens na Palavra onde eles são mencionados, quando tais passagens são entendidas no sentido interno; por exemplo, em Isaías: “[...] os desertores de JEHOVAH serão consumidos; porque se envergonharão pelos carvalhos que desejastes... e sereis como o carvalho que lança as suas folhas, e como o jardim, para o qual não [há] a água410” (1:28, 29, 30). No mesmo: “O dia de JEHOVAH Zebaoth [será] sobre todo elevado e humilde; e sobre todos os cedros do Líbano,... e sobre todos os carvalhos de Bashan” (Is. 2:12, 13); que o ‘dia de JEHOVAH’ não será sobre os cedros nem sobre os carvalhos, qualquer um pode saber, mas será sobre aqueles que são significados por essas árvores. No mesmo: “Quem forma um deus, corta para si cedros, e toma a faia e o carvalho, e se firma nas árvores da floresta” (Is. 44:14). [5] Em Ezequiel: “Reconheceis que Eu [sou] JEHOVAH, quando estiverem os trespassados deles no meio dos ídolos, ao redor dos altares deles, sobre toda colina alta, em todas as cabeças das montanhas, e debaixo de toda árvore verde, e debaixo de todo carvalho entrelaçado, lugar onde deram um odor de repouso a todos os seus ídolos” (6:13). Os antigos tiveram também um culto sobre colinas e sobre montanhas, porque as colinas e as montanhas significavam o amor celeste; mas quando o culto era feito por idólatras, como aqui, elas significam o amor de si e do mundo (n. 795, 796, 1430, 2722, 4210); e ‘debaixo das árvores’, porque significavam segundo as suas espécies, como acima foi dito; ‘debaixo do carvalho entrelaçado’ é aqui a partir dos falsos, que são os ínfimos do natural, pois eles estão no entrelaçamento (n. 2831). Em Oseias: “Sobre as cabeças dos montes sacrificam, sobre as colinas queimam incenso, debaixo do carvalho, do álamo e do carvalho-forte, porque boa [é] a sua sombra; por isso se escortam as vossas filhas, e as vossas noras cometem adultério” (4:13). Que ‘escortar’ seja falsificar os veros, e ‘cometer adultério’ seja perverter os bens, ver os n. 2466, 2729, 3399. Em Zacarias: “Abre, ó Líbano, as tuas portas, e o fogo devore os cedros. ...porque os magníficos foram devastados; uivai, ó carvalhos de Bashan, porque desce a floresta de Bazar” (11:1, 2).