Texto
. ‘Eu [sou] o Deus Shaddai’; que signifique o estado passado da tentação e agora a Divina consolação, vê-se pela significação de ‘Deus Shaddai’, que é a tentação e, depois, a consolação. Com efeito, JEHOVAH, ou o Senhor, fora chamado, pelos antigos, Deus Shaddai relativamente às tentações e à consolação que vem depois delas (n. 1992, 3667); daí vem que ‘Deus Shaddai’ signifique o estado pretérito da tentação, e agora a Divina consolação. Que o estado pretérito, é porque antes por Jacó — sobretudo quando ele lutou com o Anjo (cap. 32:25 até o fim), e quando ele encontrou Esaú (cap. 33) — foram representadas as tentações; que agora seja a consolação, é porque por meio das tentações foi feita a conjunção do bem e do vero no natural; a conjunção mesma faz a consolação, porque a conjunção é o término das tentações; com efeito, qualquer um, quando se chega ao fim, de acordo com as dificuldades que sofreu nos intermediários, tem consolação.
[2] Deve-se saber que em geral toda conjunção do bem com o vero se faz por meio das tentações; a causa é que os males e falsos repugnam e, por assim dizer, se rebelam e de todo modo procuram impedir a conjunção do bem com o vero e do vero com o bem. Esse combate existe entre os espíritos que estão junto do homem, a saber, entre os espíritos que estão nos males e falsos e os espíritos que estão nos bens e veros; isso é percebido no homem como uma tentação como estando nele. Quando, pois, os espíritos que estão nos males e falsos são vencidos pelos espíritos que estão nos bens e veros, e aqueles são forçados a recuar, então há para estes regozijo procedente do Senhor por meio do céu; esse regozijo é também percebido pelo homem como uma consolação que está como nele. No entanto, o regozijo e a consolação existem não por causa da vitória, mas por causa da conjunção do bem e do vero; com efeito, toda conjunção do bem e do vero tem em si um regozijo, pois essa conjunção é o casamento celeste, no qual está o Divino.