ac 4580

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Jacó erigiu um pilar no lugar em que [DEUS] falou com ele, um pilar de pedra’; que signifique a santidade do vero nesse Divino estado, é o que se vê pela significação do ‘pilar’, que é a santidade do vero, de que se tratará; e pela significação de ‘no lugar em que falou com ele’, que é nesse estado de que acima se tratou (n. 4578). Cumpre primeiro tratar da origem dos pilares que eram erigidos, e da razão de libarem sobre eles uma libação, e de derramarem óleo sobre eles.
[2] Os pilares que eram erigidos nos tempos antigos eram ou para sinal, ou para testemunho, ou para um culto; aqueles que eram para um culto eram ungidos e então eram santos, e ali também tiveram o seu culto, assim, nos templos, nos bosques, nas florestas debaixo das árvores, e em outros lugares. Este rito tirou o seu representativo de que, nos tempos antiquíssimos, erguiam-se pedras para [marcar] os limites entre as famílias das nações, a fim de que não se ultrapassasse esses limites para lhes fazer o mal, do mesmo modo como os levantaram também Labão e Jacó (Gn. 31:51, 52), para que eles não fossem transgredidos para fazer mal; era entre eles o direito das gentes [jus gentium]; e porque as pedras ali estavam nos limites, os antiquíssimos, que viam em cada uma das coisas que existem na terra um correspondente espiritual e celeste, quando viam essas pedras como limites, pensavam a respeito dos veros que são os últimos da ordem. Os pósteros deles, porém, aqueles que, nos objetos, consideravam menos o espiritual e o celeste, e mais o mundano, começaram a considerar com santidade esses objetos somente em razão da veneração do antigo; e, por fim, os pósteros dos antiquíssimos que viveram mais próximos, antes do dilúvio, que nas coisas terrestres e mundanas, como objetos, não viam mais nenhum espiritual nem celeste, começaram a santificar essas pedras, derramando libações sobre elas e ungindo-as com óleo, e então eram chamadas pilares, e eram empregadas para o culto.
[3] Tal coisa permaneceu, depois do dilúvio, na Igreja Antiga, que foi representativa, mas com essa diferença: que os pilares lhes serviam de meios para chegar ao culto interno; com efeito, as crianças e os meninos eram instruídos por seus pais a respeito do que eles representavam, e por esse modo eles eram conduzidos a conhecer as coisas santas, e a ser afetados das que esses pilares representavam; daí vem que, entre os antigos, havia nos templos, nos bosques e nas florestas, e sobre as colinas e montanhas, pilares para o culto. Quando, porém, o interno do culto pereceu inteiramente com a Igreja Antiga, e começaram a ter os externos como santos e Divinos, e, assim, a prestar-lhes um culto idolátrico, erigiram-se pilares para cada um dos deuses; e porque a posteridade de Jacó era muito propensa à idolatria, era-lhes proibido erguer pilares e não podiam ter bosques, e sequer podiam ter um culto sobre as montanhas e colinas, mas deviam reunir-se em um único lugar onde estava a Arca, e depois, onde esteve o Templo, assim, em Jerusalém, pois de outro modo qualquer família teria tido seus externos e ídolos que elas teriam adorado, e dessa forma um representativo de igreja não poderia ter sido instituído nessa nação. (Ver as coisas que anteriormente foram demonstradas a respeito dos pilares no n. 3727.) Por essas explicações, pode-se ver de onde surgiram os pilares e o que eles significaram, e que, quando eram empregados para o culto, que era o santo vero que por eles era representado; é também por isso que se diz que o pilar era de pedra, pois apedra significa o vero no último da ordem (n. 1298, 3720, 3769, 3771, 3773, 3789, 3798). Além disso, deve-se saber que o que é santo se predica principalmente do Divino Vero, pois o Divino está no Senhor, e o Divino Vero procede d’Ele (n. 3704, 4577) e chama-se santo.

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