. ‘E libou uma libação sobre ele’; que signifique o Divino Bem que pertence ao Vero, vê-se pela significação da ‘libação’, que é o Divino Bem que pertence ao vero, de que se tratará na sequência, pois é necessário dizer o que é o bem que pertence ao vero. O bem que pertence ao vero é o que foi chamado, em outro lugar, bem que pertence à fé, e é o amor para com o próximo, ou caridade. Há dois gêneros universais do bem, um que é dito o bem da fé, e o outro que é chamado o bem do amor. É o bem da fé o que é significado pela ‘libação’, e o bem do amor o que o é pelo ‘óleo’ [ou ‘azeite’]. Aqueles que o Senhor conduz ao bem pelo caminho interno, esses estão no bem do amor; mas aqueles que [Ele conduz] pelo caminho externo, esses estão no bem da fé. Os homens da igreja celeste, do mesmo modo que os anjos do céu íntimo, ou terceiro céu, estão no bem do amor; mas os homens da igreja espiritual, e do mesmo modo os anjos do céu médio, ou segundo céu, estão no bem da fé. Daí vem que daquele bem se diga bem celeste, mas deste, bem espiritual. A diferença é a que há entre querer o bem a partir do bem-querer, e querer o bem a partir do bem-entender; este bem, portanto, a saber, o bem espiritual, ou o bem da fé, ou o bem do vero, é o que é significado pela ‘libação’; mas aquele, a saber, o bem celeste, ou o bem do amor, é o que [se entende] pelo ‘óleo’ [ou ‘azeite’] no sentido interno. [2] Que tais coisas sejam significadas pelo ‘óleo’ e pela ‘libação’, não se pode de fato ver a não ser pelo sentido interno, mas, ainda assim, qualquer um pode concluir que coisas santas foram por meio delas representadas, pois a não ser que as coisas santas tivessem sido por elas representadas, o que ‘libar uma libação’ e ‘derramar óleo sobre um pilar de pedra’ seria senão uma sorte de divertimento idolátrico? Do mesmo modo que se tem, quando se consagra um rei, o cerimonial, a saber, pôr uma coroa na cabeça, ungi-lo com óleo do chifre sobre a fronte e sobre os pulsos das mãos, dar-lhe um cetro na mão e, além disso, uma espada e chaves, revesti-lo de um manto de púrpura, e então assentá-lo sobre um assento de prata, fazê-lo depois montar a cavalo com os arautos de realeza, e fazer com que os principais do estado o sirvam à mesa, além de várias outras coisas. Essas coisas, a não ser que representassem as coisas santas, e pela correspondência com as coisas que pertencem ao céu e, por conseguinte, à igreja, não seriam senão tais quais as brincadeiras das crianças, mas em uma forma maior, ou como um divertimento teatral. [3] Mas, entretanto, todos esses ritos tiraram a sua origem dos tempos antiquíssimos, quando os ritos eram santos pelo fato de representarem coisas santas e corresponderem a coisas santas que estão no céu e, por conseguinte, na igreja. Hoje eles também são tidos como coisas santas não por isso, que se saiba o que eles representam ou as coisas a que eles correspondem, mas por uma interpretação como de emblemas que estão em uso; mas se se soubesse o que eles representam e a que coisa santa corresponde a coroa, o óleo, o chifre, o cetro, a espada [ensis], as chaves, a equitação sobre um cavalo branco, a refeição em que os principais do estado faziam o oficio de servos, pensar-se-ia nesse cerimonial muito mais santamente. Mas não se sabe isso, e o que mais admira, não se quer saber, de tanto que estão destruídos hoje, nas mentes, os representativos e os significativos que estão em tais cerimoniais e nos que estão em toda a parte na Palavra. [4] Que a ‘libação’ signifique o bem que pertence ao vero ou o bem espiritual, é o que se pode ver pelos sacrifícios nos quais a empregavam. Os sacrifícios se faziam ou do gado ou do rebanho, e eles eram representativos do culto interno do Senhor (n. 922, 923, 1823, 2180, 2805, 2807, 2830, 3519). Adicionava-se a eles a minchah e a libação; a minchah, que se compunha de flor de farinha misturada com azeite, significava o bem celeste, ou, o que é o mesmo, o bem do amor; o azeite, o amor ao Senhor; e a flor de farinha, a caridade para com o próximo. Mas a libação, que consistia em vinho, significava o bem espiritual, ou, o que é a mesma coisa, o bem da fé. Tanto um como o outro, a saber, a minchah e a libação significavam as mesmas coisas que o pão e o vinho na Santa Ceia. [5] Que a minchah e a libação fossem adicionados aos holocaustos e aos sacrifícios, vê-se em Moisés: “Farás dois cordeiros filhos de um ano a cada dia continuamente, um cordeiro farás de manhã, e o outro cordeiro farás entre as tardes; ...e um décimo de flor de farinha misturado de azeite batido, um quarto de um hin, e libação de um quarto de um hin de vinho para o primeiro cordeiro; assim também para o segundo cordeiro” (Êx. 29:38, 39, 40, 41). No mesmo: “Fareis, no dia em que moverdes o punhado das primícias da messe, um cordeiro íntegro, filho de um ano, em holocausto a JEHOVAH; do qual a minchah [será] de dois décimos de flor de farinha misturada com azeite, ...e a libação dele, vinho, um quarto de um hin” (Lv. 23:12, 13, 18). No mesmo: “No dia em que se cumprirem os dias do nazireado, ...oferecerá o seu presente a JEHOVAH, sacrifícios, bem como um cesto de asmos de flor de farinha, bolos misturados com azeite, e bolinhos de asmos untados com azeite, com as minchah’s deles e as libações deles” (Nm. 6:13, 14, 15, 17). No mesmo: “Sobre o holocausto farão uma minchah de flor de farinha, de um décimo misturado a um quarto de um hin de azeite, e vinho para a libação, um quarto de um hin, de um modo sobre o holocausto de um carneiro, e de outro modo sobre o de um boi” (Nm. 15:3, 4, 5, 11). No mesmo: “Para o holocausto contínuo farás a libação de um quarto de um hin para um cordeiro; no santo liba a libação de vinho a JEHOVAH’’ (Nm. 28:6, 7). [6] Ademais, a respeito das minchah’s e libações nos sacrifícios de diversos gêneros, ver Nm. 28:7 ao fim; 29:1 ao fim. Que a minchah e a libação tenham significado essas coisas, pode-se também ver por isto: que o amor e a fé façam todo o culto; e que o pão, que aí é a flor de farinha misturada com azeite, e o vinho, significam o amor e a fé, assim, o todo do culto, na Santa Ceia, de que se tratou (n. 1798, 2165, 2177, 2187, 2343, 2359, 3464, 3735, 3813, 4211, 4217). [7] Mas quando se afastaram do genuíno representativo do culto do Senhor, e se converteram aos outros deuses, e a eles libaram libações, então pelas libações eram significadas as coisas que são opostas à caridade e fé, a saber, os males do amor do mundo e os falsos, como em Isaías: “aquecestes[-vos] aos deuses debaixo de toda árvore verde, ...também para eles derramaste uma libação, ofereceste minchah” (57:5, 6); ‘aquecer[-se] aos deuses’ está por para as cobiças do falso (que os deuses sejam os falsos, n. 4402 no fim, 4544); ‘debaixo de toda árvore verde’ está por a partir da fé de todos os falsos (n. 2722, 4552); ‘derramar para eles libação e oferecer minchah’ é o culto desses falsos. No mesmo: “Vós que abandonastes JEHOVAH, que esqueceis a montanha da minha santidade, que pondes a Gad uma mesa em que encheis a Meni uma libação” (Is. 65:11). Em Jeremias: “Os filhos recolhem a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a massa para fazer bolos à rainha dos céus, e para libar libação a outros deuses” (7:18). [8] No mesmo: “Fazendo faremos toda palavra que saiu da nossa boca, em incensando à rainha dos céus, e libando para ela libações assim como nós fizemos e os nossos pais, e os nossos príncipes nas cidades de Judá e nas praças de Jerusalém” (Jr. 44:17, 18, 19); a ‘rainha dos céus’ são todos os falsos, pois o ‘exército dos céus’, no sentido genuíno, significa os veros, mas, no sentido oposto, os falsos; o mesmo acontece com o rei e a rainha, assim, a ‘rainha’ significa todos os falsos; ‘fazer-lhe libações’ é adorar. [9] No mesmo: “Os caldeus queimarão a cidade, e as casas sobre cujos tetos incensaram a Baal, e libaram libações a outros deuses” (Jr. 32:29); os ‘caldeus’ estão por aqueles que estão em um culto onde há o falso; ‘queimar a cidade’, por destruir e devastar os que estão nos doutrinais do falso; ‘incensar a Baal sobre os tetos das casas’, pelo culto do mal; ‘libar libações a outros deuses’, pelo culto do falso. [10] Em Oseias: “Não habitarão na terra de JEHOVAH, e voltará Efraim ao Egito e na Assíria o [que é] imundo comeram; não libarão a JEHOVAH o vinho” (9:3, 4); ‘não habitar na terra de JEHOVAH’ está por não estar no bem do amor; ‘Efraim voltará ao Egito’ é que o intelectual da igreja se tornará científico e sensual413; ‘na Assíria comerão o que é imundo’ são as impurezas e as coisas profanas provenientes do raciocínio; ‘não libarão a JEHOVAH libações de vinho’ significa que não haverá culto algum oriundo do vero. [11] Em Moisés: “Dir-se-á: Onde [estão] os deuses deles, a pedra em que confiaram, cuja gordura dos sacrifícios comeram, [e] beberam o vinho da libação deles? Levantem-se e os ajudem, ...” (Dt. 32:37, 38); os ‘deuses’ são os falsos como acima; que ‘comeram a gordura dos sacrifícios’ é que destruíram o bem do culto; ‘beberam o vinho das libações deles’ é que [destruíram] o vero do culto. As libações também são predicadas do sangue, em Davi: “Multiplicarão as dores deles, para outro se apressaram; não libarei as libações de sangue deles, e não trarei os nomes deles sobre os meus lábios” (Sl. 16:4); e por essas libações são significadas as profanações do vero, porquanto o sangue, nesse sentido, é a violência feita contra a caridade (n. 374, 1005) e a profanação (n. 1003).