Texto
. ‘Caminharam de Bethel, e havia ainda uma região de terra para vir a Efrata’; que signifique que agora é o espiritual do celeste, vê-se pela significação de ‘caminhar de Bethel’, que é o contínuo da progressão do Divino desde o Divino Natural. Que ‘caminhar’ seja o contínuo, foi visto (n. 4554); aqui, no sentido supremo, é o contínuo da progressão do Divino.(Que ‘Bethel’ seja o Divino Natural, n. 4559, 4560.) Vê-se também pela significação da ‘região de terra para vir’, que é o intermediário, de que se tratará no que segue; e pela significação de ‘Efrata’, que é o espiritual do celeste no estado precedente, de que se tratará abaixo onde se falará de Belém, que é o espiritual do celeste em um estado novo; daí se dizer “Efrata, esta é Belém” (vers. seg. 19).
[2] Trata-se, nestes versículos, da progressão do Divino do Senhor para os interiores, pois o Senhor, quando fez Divino o Seu Humano, progrediu na mesma ordem em que, quando Ele faz novo o homem pela regeneração, o homem progride, a saber, do externo para os interiores, assim, do vero, que está no último da ordem, para o bem, que é interior e se chama bem espiritual, e daí para o bem celeste; mas essas coisas não podem cair no entendimento de quem quer que seja, a não ser que se saiba o que é o homem externo e o homem interno, e que aquele é distinto deste, embora pareçam ser como um quando o homem vive no corpo; então, a não ser que se saiba que o natural constitui o homem externo, e o racional, o homem interno; e, finalmente, a menos que se saiba o que é o espiritual e o que é o celeste.
[3] Essas coisas foram de fato algumas vezes explicadas, mas ainda assim aqueles que antes não tiveram ideia alguma, pela razão de não terem tido nenhum desejo de conhecer as coisas que pertencem à vida eterna, não podem ter nenhuma ideia delas. Estes dizem: “O que é o homem interno?” “Pode ser ele distinto do homem externo?” Depois: “O que vem a ser o natural e o racional?” “Não são um?” E, enfim: “O que vem a ser o espiritual e o celeste? Não é uma nova distinção? Ouvimos a respeito do espiritual, mas que o celeste fosse uma outra coisa não ouvimos”. Mas, não obstante, assim se tem as coisas: Aqueles que não adquiriram antes ideia alguma dessas distinções, pela razão que os cuidados do mundo e do corpo ocuparam todo o seu pensamento, e tinham tido desejo de saber outra coisa, ou por presumirem que basta saber os doutrinais como o vulgo, e que não é importante pensar além, porque — dizem eles —“vemos o mundo e não vemos a outra vida, talvez exista e talvez não exista”; esses, por serem tais, removem para longe de si essas distinções, já que sempre rejeitam de coração à primeira intuição.
[4] Como, entretanto, tais são as coisas que estão contidas no sentido interno da Palavra, e porque elas não podem ser explicadas sem os termos adequados, e não há termos mais adequados para exprimir as coisas exteriores do que pelo natural, e para exprimir as interiores senão pelo racional, e as coisas que são veros, pelo espiritual, e as que são bens, pelo celeste, não é possível deixar de pôr em uso essas palavras, pois sem palavras adequadas a coisa, não se pode descrever coisa alguma. A fim de que os que se acham, pois, no desejo de saber, tenham alguma ideia do que é o espiritualdo celeste, que Benjamin representa e que Belém significa, deve-se dizer em poucas palavras: No sentido supremo, tratou-se da glorificação do Natural do Senhor, e no sentido relativo, da regeneração do homem quanto ao seu natural; que Jacó tenha representado o homem da igreja quanto ao seu externo, e que Israel o representou quanto ao interno, por conseguinte, Jacó quanto ao seu natural exterior, e Israel quanto ao seu natural interno, é o que se demonstrou no que precede (n. 4286), pois o homem espiritual é proveniente do homem natural, mas o homem celeste proveniente do homem racional; e também se mostrou que a glorificação do Senhor procedeu dos externos para os interiores, do mesmo modo como procede a regeneração do homem, e que é para essa representação que Jacó foi nomeado Israel.
[5] Mas agora se trata de uma progressão ulterior para os interiores, a saber, para o racional, pois, como logo acima foi dito, o racional constitui o homem interno, o intermediário entre o interno do natural e o externo do racional é o que se entende pelo espiritual do celeste, significado por Efrata e Belém, e representado por Benjamin; esse intermediário traz alguma coisa do interno do natural, que é Israel, e do externo do racional, que é José; de fato, o que é intermediário deve trazer alguma coisa de um e do outro lado, de outro modo ele não pode servir como intermediário. Para que alguém de espiritual se torne celeste é necessário progredir por esse intermediário; subir sem um intermediário para os superiores não é possível.
[6] Aqui, no sentido interno, se descreve, pois, qual é a progressão por esse intermediário quando se diz que Jacó vem a Efrata e que ali Raquel pariu Benjamin. Daí é evidente que por ‘caminharam de Bethel, e havia ainda uma área de terra para vir a Efrata’ é significada a continuação da progressão do Divino do Senhor desde o Divino Natural até ao Espiritual do Celeste, que é significado por Efrata e Belém, e representado por Benjamin. O espiritual do celeste é esse intermediário de que se falou, dele se diz espiritual procedente do homem espiritual, que, considerado em si mesmo, é interior do natural; e procede do homem celeste, que, considerado em si mesmo, é racional. José é o exterior do racional, por isso é dele que se diz o celeste do espiritual proveniente do racional.