Texto
. ‘E disse-lhe a parteira: Não temas’; que signifique a percepção proveniente do natural, é o que se vê pela significação de ‘dizer’ nos históricos da Palavra, que é a percepção (n. 1791, 1815, 1819, 1822, 1898, 1919, 2080, 2619, 2862, 3395, 3509); e pela significação da ‘parteira’, que é o Natural. Que a parteira aqui seja o Natural, é porque, quando se sofre tentações interiores, isto é, quando o homem interior sofre tentações, então o natural equivale a uma parteira, pois a não ser que o natural ajude, nunca há parto do vero interior; com efeito, é o natural que recebe os veros interiores, como nascidos, no seio, visto que lhes dá o meio para que possam sair414. Assim se tem com as coisas que pertencem ao parto espiritual: que a recepção será totalmente no natural; a causa é porque, quando o homem está sendo regenerado, o natural é primeiro preparado para receber, e quanto mais este se torna receptível, tanto mais os veros e bens interiores podem sair e se multiplicar; essa também é a razão por que se o homem natural não foi preparado para receber os veros e bens da fé na vida do corpo, ele não pode os receber na outra vida, assim, não pode ser salvo; é isso que se entende por esta expressão comum entre o vulgo: como a árvore cai ela fica415, ou seja, assim como o homem morre assim ele se torna. Com efeito, na outra vida, o indivíduo tem consigo toda a memória natural, ou do homem externo, mas ali não lhe é permitido servir-se dela (n. 2469 ao 2494); razão por que ali ela é como um plano fundamental em que caem os veros e bens interiores; este plano, se não é receptível dos bens e veros que influem do interior, os bens e veros interiores são ou extintos, ou pervertidos, ou rejeitados. A partir dessas explicações, pode se ver que o natural equivale a uma parteira.
[2] Que o natural, enquanto recebe, quando o homem interior gera, seja equivalente a uma parteira, pode-se ver também pelo sentido interno das coisas lembradas sobre as parteiras que vivificaram, contra a ordem de faraó, os filhos das mulheres dos hebreus, a respeito das quais se fala assim em Moisés:
“Disse o rei do Egito às parteiras das hebreias,... e disse: Ao partejardes as hebreias, e virdes sobre os assentos, se esse [for] um filho, matá-lo-eis, e se essa [for] uma filha, será vivificada. E as parteiras temeram a Deus, e não fizeram como lhes falou o rei do Egito, vivificaram os nascidos; e o Rei do Egito chamou as parteiras, e disse-lhes: Por que fizestes esta palavra, e vivificastes os nascidos? E as parteiras disseram ao faraó: [É] porque as hebreias não [são] como as mulheres egípcias, pois elas [são] vivas, antes que venha a elas a parteira, e pariram; e Deus fez bem às parteiras, e multiplicou-se o povo e se tornou muitonumeroso. E aconteceu que, porque as parteiras temeram a Deus, e fez para elas casas” (Êxodo, 1:15-21);
pelas ‘filhas e filhos’, que as mulheres hebreias pariram, são representados os bens e veros da nova igreja; pelas ‘parteiras’, o natural tanto quanto ele recebe os bens e os veros; pelo ‘rei do Egito’, o conhecimento no geral (n. 1164, 1165, 1186) que extingue os veros, o que acontece quando o conhecimento entra, por um caminho oposto à ordem, nas coisas que pertencem à fé, nada crendo senão no que o sensual e científico dita. Que as ‘parteiras’ aí sejam as recepções do vero no natural, é o que se confirmará, pela Divina Misericórdia do Senhor, quando se explicar as coisas que pertencem àquele capítulo.