. ‘E o pai dele o chamou Benjamin’; que signifique a qualidade do espiritual do celeste, é o que se vê pela representação de Benjamin, que é o espiritual do celeste. O que é esse espiritual do celeste, explicou-se acima (n. 4585), a saber, que é o intermediário que está entre o espiritual e o celeste, ou entre o homem espiritual e o celeste. ‘Benjamin’, na língua original, significa ‘o filho da direita’, e pelo filho da direita é significado o vero espiritual que procede do celeste bem, e daí o poder, visto que do bem há poder pelo vero (n. 3563); o ‘filho’ é o vero (n. 489, 491, 533, 1147, 2623, 3373), e a ‘mão’ é o poder (n. 878, 3091, 3563); daí, a ‘mão direita’ é o extremo poder, a partir disso se vê o que significa sentar à direita de Deus, a saber, que é o estado do poder proveniente do vero que procede do bem (n. 3387); este, quando predicado do Senhor, é a Onipotência, e também o Divino Vero que procede do Divino Bem do Senhor (por exemplo: Sl. 110:1; Mt. 22:44; 26:63, 64; Mc. 14:61, 62; 16:19; Lc. 25:69; e porque é o Divino Poder, isto é, a Onipotência, por isso, ali se diz, à direita do poder, ou da virtude, de Deus). [2] Por esse modo se vê o que significa ‘Benjamin’ no sentido genuíno, a saber, que é o vero espiritual que procede do celeste bem, que é José; ambos, portanto, são ao mesmo tempo tal intermediário que está entre o homem espiritual e o homem celeste, como acima (n. 4585) foi dito. No entanto, esse bem e esse vero foram discriminados pelo celeste, que é representado por Judá, e pelo espiritual, que é representado por Israel, pois aquele é superior (ou interior), e este é inferior (ou exterior), pois são, como foi dito, o intermediário. Mas, uma ideia desse bem que é representado por José, e desse vero que, por Benjamin, ninguém pode ter a não ser aquele que é iluminado pela luz do céu. Os anjos têm disso uma ideia clara, porque as ideias do pensamento deles vêm todas da luz do céu que procede do Senhor, na qual eles veem e percebem coisas infindas que nunca o homem pode compreender, e menos ainda enunciar. Para ilustração, seja este ponto: [3] Todos os homens, quaisquer que eles sejam, nascem naturais com a faculdade de poder tornarem-se ou celestes ou espirituais, mas somente o Senhor nasceu espiritual celeste, e porque isso é assim, Ele nasceu em Belém, onde está o limite da terra de Benjamin, pois por Belém é significado o espiritual do celeste, e por Benjamin é representado o espiritual do celeste. Que somente o Senhor nasceu espiritual celeste, é porque o Divino estava n’Ele. Essas coisas nunca alguém que não estiver na luz do céu pode compreender; com efeito, aquele que estiver na luz do mundo, e tiver a partir dela a percepção, dificilmente sabe o que é o vero e o que é o bem, e menos ainda o que é subir por graus para os interiores do vero e do bem, assim ele nada sabe das inúmeras coisas que, em cada um desses graus, se apresentam diante dos anjos em uma luz como a do meio-dia; daí se pode ver qual é a sabedoria dos anjos relativamente à dos homens. [4] Há seis nomes que, nos Proféticos, onde se trata da igreja, ocorrem frequentemente, a saber, Judá, José, Benjamin, Efraim, Israel e Jacó416; aquele que não sabe o que do bem e do vero da igreja se entende, no sentido interno, por cada um desses nomes jamais pode conhecer algum dos arcanos Divinos da Palavra que estão nesses Proféticos; nem pode saber o que da igreja se entende, a não ser que saiba o que é o celeste, que é Judá, o que é o celeste do espiritual, que é José, o que é o espiritual do celeste, que é Benjamin, o que e o intelectual da igreja, que é Efraim, o que é o espiritual interno, que é Israel, o que é o espiritual externo, que é Jacó. [5] Quanto ao que diz respeito especialmente a Benjamin, como ele representa o espiritual do celeste, e José o celeste do espiritual, e assim, um e outro ao mesmo tempo, o intermediário entre o homem celeste e o homem espiritual, e daí, porque eles estão muitíssimo conjuntos, por isso também a conjunção deles, nos históricos a respeito de José, é descrita por meio destas palavras: que “José disse aos seus irmãos que trouxessem o irmão menor, senão, morreriam” (Gn. 42:20). Quando voltaram com Benjamin, e José “tinha visto Benjamin, seu irmão”, que tenha dito: “É este o vosso irmão menor? ... E disse: Deus seja propício a ti, meu filho; e apressou-se José, porquanto foram comovidas as vísceras dele para com seu irmão, e procurava para chorar, e, por isso, entrou no gabinete, e chorou ali” (Gn. 43:29, 30); que “multiplicou a porção de Benjamin mais do que as porções de todos, ao quíntuplo” (Gn. 43:34). Depois de dar-se a conhecer aos irmãos, “que tenha caído sobre o pescoço de Benjamin, seu irmão, e chorou, e Benjamin chorou sobre o pescoço dele” (Gn. 45:14); que “tenha dado a todos vestes de mudança, a Benjamin, porém, trezentos [ciclos] de prata e cinco vestes de mudança” (Gn. 45:22). [6] Por essas passagens, é evidente que José e Benjamin tenham sido muitíssimo conjuntos não porque fossem da mesma mãe, mas porque por eles é representada a conjunção espiritual entre o bem, que é José, e o vero, que é Benjamin; e porque esse bem e esse vero são, um e outro, o intermediário entre o homem celeste e o homem espiritual, por isso José não pôde ser conjunto com seus irmãos, nem com seu pai, senão por meio de Benjamin, porquanto sem o intermediário não há conjunção; foi por essa razão que José não se revelou antes. [7] Além disso, também em outras passagens na Palavra, principalmente na Palavra profética, por Benjamin é significado o espiritual vero que pertence à igreja; por exemplo, na profecia de Moisés sobre os filhos de Israel: “De Benjamin disse: O dileto de JEHOVAH, habitará confiadamente sobre ele, cobrindo sobre ele todo dia, e entre os ombros deles habitará” (Dt. 33:12); O ‘dileto de JEHOVAH’ é o vero espiritual que provém do bem celeste; desse bem junto de tal vero se predica ‘habitar confiadamente’, ‘cobri-lo todo dia’, e também ‘habitar entre os seus ombros’, visto que os ombros, no sentido interno, são o todo do poder (n. 1085), e a totalidade do poder vem do bem por meio do vero (n. 3563). [8] Em Jeremias: “Fugi, filhos de Benjamin, do meio de Jerusalém, e ao ressoar ressoai a buzina417, e sobre a casa da vinha proferi uma profecia, porque um mal espreita do norte, e uma quebra grande” (6:1); os ‘filhos de Benjamin’ estão pelo vero espiritual oriundo do celeste; ‘Jerusalém’, pela igreja espiritual, e também a ‘casa da vinha’ (ou Beth-Kerem); o ‘mal vindo do norte’ está pelo sensual do homem e, daí, o conhecimento. No mesmo: “Acontecerá [que]... se santificardes o dia de sabbath,... entrarão das cidades de Judá, e dos contornos de Jerusalém, e da terra de Benjamin, e da planície, e do monte, e do sul, oferecendo holocausto e sacrifício, e minchah, e incenso, e oferecendo o eucarístico à casa de JEHOVAH” (Jr. 17:24, 26); [9] Em outro lugar, no mesmo: “Nas cidades da montanha, nas cidades da planície, nas cidades do sul, e na terra de Benjamin, e nos contornos de Jerusalém, e nas cidades de Judá, ainda passaram rebanhos junto as mãos de quem conta” (Jr. 33:13); aí a ‘terra de Benjamin’ também está pelo espiritual vero que pertence à igreja; com efeito, todas as coisas pertencentes à igreja, desde o primeiro até o último grau, são significadas pelas ‘cidades de Judá’, os ‘contornos de Jerusalém’, a ‘terra de Benjamin’, a ‘planície’, a ‘montanha’ e o ‘sul’. [10] Em Oseias: “Ressoai a buzina em Gibeá, a trombeta em Ramah, vociferai em Bethaven; depois de ti, ó Benjamin; Efraim estará na solidão no dia da correção” (5:8, 9); Gibeá, Ramah, Bethaven, são coisas que pertencem ao vero espiritual procedente do celeste, que é Benjamin; com efeito, Gibeá era de Benjamin (Jz. 19:14), e também Ramah (Js. 18:25), e também Bethaven (Js. 18:12); ‘ressoar buzina e trombeta e vociferar’ está por anunciar que o intelectual da igreja, que é Efraim, foi desolado. [11] Em Obadias: “Tornar-se-á a casa de Jacó em fogo, e a casa de José uma chama, a casa de Esaú, palha, e os do sul herdarão a montanha de Esaú, e aqueles que [estão] na planície, os filisteus, e herdarão o campo de Efraim, e o campo de Samaria, e Benjamin, a Gilead” (vers. 18, 19); que, aqui, como em outras passagens, os nomes signifiquem coisas reais, vê se claramente, pois a não ser que se saiba o que significam a ‘casa de Jacó’, a ‘casa de José’, a ‘casa de Esaú’, a ‘montanha de Esaú’, os ‘filisteus’, o ‘campo de Efraim’, o ‘campo de Samaria’, ‘Benjamin’ e ‘Gilead’, e, além disso, o que significam ‘os do sul’, a ‘casa’, a ‘planície’, a ‘montanha’, o ‘campo’, nunca se compreenderá coisa alguma nessa passagem. As coisas que aí foram ditas historicamente também não foram feitas; mas quem conhece o que envolve cada um desses nomes descobrirá neles arcanos celestes; aí Benjamin é também o espiritual proveniente do celeste. [12] O mesmo acontece nesta passagem em Zacarias: “JEHOVAH será rei sobre toda a terra; nesse dia JEHOVAH será um, e o nome d’Ele um; ao redor estará toda a terra como a planície desde Gibeá até Rimmon, e habitará sob si, daí desde o portão de Benjamin até o lugar do primeiro portão, até o portão dos ângulos, e a torre de Hananeel, até os lagares do rei” (14:9, 10). Igualmente em Davi: “Pastor, dá ouvidos; [tu] que conduzes José como um rebanho, que assentas sobre os Querubins, diante de Efraim, e de Benjamin, e de Manassés, desperta o teu poder e vem à nossa salvação” (Sl. 80:2, 3 [Em JFA, 80:1, 2]). Do mesmo modo, na profecia de Deborah e de Barak: “JEHOVAH dominará para mim entre os fortes, de Efraim aqueles cuja raiz [está] em Amalek, depois de ti Benjamin nos teus povos, de Mahir descem os legisladores e de Zebulon, os que tiram o cetro do escriba” (Jz. 5:13, 14). [13] Em João: “Ouvi os números dos marcados, cento e quarenta e quatro mil marcados de toda tribo de Israel; da Tribo de Zebulon, doze mil marcados, da Tribo de José, doze mil marcados, da Tribo de Benjamin, de doze mil marcados” (Ap. 7:4, 8); Aí, pelas Tribos de Israel são significados os que estão nos bens e nos veros e, por isso, no Reino do Senhor, pois a ‘tribo’ e ‘doze’, ou, o que é o mesmo, ‘doze mil’, são todas as coisas do amor e da fé, ou todas as coisas do bem e do vero (n. 577, 2089, 2129, 2130, 3272, 3858, 3913, 3939, 4060); ali elas foram repartidas em quatro classes, das quais a última é dos doze mil marcados de Zebulon, e de José, e de Benjamin, porque pela Tribo de Zebulon é significado o casamento celeste (n. 3960, 3061), no qual está o céu, assim, no qual estão todas as coisas; José aí é o celeste do espiritual, ou o bem do vero, e Benjamin o vero desse bem, ou o espiritual do celeste; esse conjugal está no céu; daí vem que estes são nomeados por último. [14] Como por Benjamin deve ser representado o espiritual do celeste da igreja, ou o vero do bem, que é intermediário entre o bem celeste e o vero espiritual, é por isso que Jerusalém coube em herança aos filhos de Benjamin, pois Jerusalém, antes que Sião tivesse sido ali edificada, significava a igreja no geral. Que Jerusalém tenha sido concedida a Benjamin, vê-se em Josué (13:28), e em Juízes (1:21).