. ‘Esta é Belém’; que signifique no lugar daquele a ressurreição de um novo418 espiritual do celeste, é o que se vê pela significação de ‘Belém’, que é o espiritual do celeste no estado novo, pois Efrata é o espiritual do celeste no estado anterior (n. 4585); por que foi sepultada ali é significada a ressurreição do novo (n. 4593). Que Raquel tenha parido seu segundo filho, ou seja, Benjamin, em Belém, e ao parir morreu; depois, que Davi nasceu em Belém e ali foi ungido rei; e finalmente, que o Senhor ali nascera, é um arcano que ainda não foi revelado, e não pode ser revelado a alguém que não sabe o que é significado por Efrata e por Belém, nem o que foi representado por Benjamin, depois por Davi; principalmente a quem não sabe o que é o espiritual do celeste, uma vez que é este que é significado por esses lugares e representado por essas pessoas. [2] Que o Senhor nasceu ali e não em outro lugar, era porque somente Ele nasceu Homem Espiritual Celeste, mas todos os outros nascem naturais com a faculdade ou o poder de se tornarem, por meio da regeneração operada pelo Senhor, ou celestes ou espirituais. Que o Senhor nasceu Homem Espiritual Celeste, a causa era para que Ele pudesse fazer Divino o Seu Humano, e isso segundo a ordem desde o ínfimo grau até o supremo, e assim dispusesse em ordem todas as coisas que estão nos céus e que estão nos infernos. Com efeito, o espiritual celeste é o intermediário entre o natural, ou homem externo, e entre o racional, ou interno (ver acima n. 4585, 4592); assim, abaixo desse espiritual celeste estava o natural, ou o externo, e acima dele o racional, ou interno. [3] Aquele que não pode compreender essas coisas, este de modo algum compreenderá, seja qual for o meio pelo qual se faça a revelação, por que razão o Senhor nasceu em Belém. Com efeito, desde o tempo antiquíssimo, Efrata significou o espiritual do celeste, por isso, depois Belém também o significou; daí vem então que em Davi se digam estas palavras: “Jurou a JEHOVAH, fez voto ao forte de Jacó: Se419 entrarei na tenda da minha casa, se subirei sobre o estrado do meu leito, se darei sono aos meus olhos, às minhas pálpebras adormecimento, até [eu] encontrar um lugar para JEHOVAH, habitáculos para o forte de Jacó! Eis, ouvimos a respeito d’Ele em Efrata, encontramo-l’O nos campos da selva, entraremos nos habitáculos d’Ele, curvar-nos-emos [diante do] escabelo dos Seus pés” (Sl. 132:2–7); que essas palavras foram ditas a respeito do Senhor, é isso muito evidente; ‘ouvimos a respeito d’Ele’ e ‘encontramo-l’O’ se expressa aí, no fim, na língua original, pela letra ‘H’420 tomada do nome de JEHOVAH. [4] E em Miqueias: “Tu, Belém Efrata, pouco é que estejas entre as milhares de Judá, de ti Me sairá aquele que será Dominador em Israel, e a saída d’Ele [é] desde a Antiguidade, desde os dias de eternidade” (Mq. 5:1[Em JFA, 5:2]; Mt. 2:6). A partir dessas profecias o povo judeu sabia que o Messias, ou o Cristo, nasceria em Belém, como se vê em Mateus: “Herodes, tendo reunido todos os principais sacerdotes [potifices] e os escribas do povo, perscrutou deles onde o Cristo (Messias) haveria de nascer. Eles lhe disseram: Em Belém da Judeia” (Mt. 2:4, 5); e em João: “Os judeus disseram: Não diz a escritura que da semente de Davi e de Belém, cidade de onde [era] Davi, o Cristo (Messias) haveria de vir?” (7:42): Que também ali nasceu, vê-se em Mt. 2:1; Lc. 2:4, 5, 6, 7. Por isso também, e porque provinha de Davi, o Senhor é chamado rebento do tronco de Jessé; e raiz de Jessé (Is. 11:1, 10); com efeito, Jessé, pai de Davi, era de Belém, e Davi nasceu ali, e também foi [ali] ungido rei (1Sm. 16:1–14; 17:12); por isso Belém foi chamada ‘a cidade de Davi’ (Lc. 2:4, 11; João, 7:42). Por Davi é representado o Senhor principalmente quanto a Realeza, ou ao Divino Vero (n. 1888).