Texto
. ‘E estendeu a sua tenda desde além da torre Éder’; que signifique os interiores dele, é o que se vê pela significação de ‘estender a tenda’, que é a progressão do [estado] santo; aqui, para as coisas interiores. Que a ‘tenda’ seja o que é santo, foi visto (n. 414, 1102, 2145, 3312, 4391). Vê-se também pela significação de ‘além da torre’, que é para as coisas interiores, de que se tratará no que segue; e pela significação de ‘Éder’, que é a qualidade do estado, a saber, da progressão do [estado] santo para as coisas interiores; essa torre, desde o tempo antigo, teve essa significação, mas porque não ocorre mais o seu nome na Palavra, exceto em Josué (15:21), não se pode, como para os outros nomes, confirmar a sua significação a partir de passagens paralelas. Que ‘além da torre’ seja para as coisas interiores, é porque as coisas que são interiores são expressas por coisas altas e elevadas, assim, pelas montanhas, colinas, torres, telhados das casas, e coisas semelhantes; a causa é porque as coisas interiores se mostram, diante das mentes que tiram as suas ideias das coisas naturais do mundo pelos sentidos externos, como superiores (n. 2148).
[2] Que as ‘torres’ signifiquem as coisas interiores, pode-se ver também por outras passagens na Palavra, como em Isaías:
“O meu dileto tinha uma vinha no chifre do filho do azeite, a qual cercou e limpou de pedras, e plantou-a de vide nobre, e edificou uma torre no meio dela” (5:1, 2);
a ‘vinha’ está pela igreja espiritual; a ‘vide nobre’, pelo bem espiritual; ‘edificou uma torre no seu meio’, pelos interiores do vero. Semelhantemente também na parábola do Senhor, em Mateus:
“Um homem, pai de família, plantou uma vinha, e de uma sebe a cercou, e cavou nela um lagar, e edificou uma torre, e alugou-a aos lavradores” (Mt. 21:33; Mc. 12:1).
[3] Em Ezequiel:
“Os filhos de Arvad e o teu exército [estiveram] sobre as tuas muralhas ao redor, e os gamaditas estiveram nas tuas torres; suspenderam os seus escudos sobre as tuas muralhas ao redor; eles aperfeiçoaram a tua beleza” (Ez. 27:11);
aí se trata de Tiro, pela qual são significadas as cognições do bem e do vero, ou estes que estão nessas cognições; os ‘gamaditas em suas torres’ estão pelas cognições do vero interior.
[4] Em Miqueias:
“... [e] JEHOVAH reinará sobre eles no monte de Sião, desde agora e pela eternidade. E tu, ó torre do rebanho421, colina da filha de Sião, para ti virá, e retornará o reino interior, o reino da filha de Jerusalém” (4:7, 8);
aí se descreve o Reino celeste do Senhor, o íntimo dele pelo ‘monte de Sião’, que é o amor ao Senhor, o derivativo dele pela ‘colina da filha de Sião’, que é o amor mútuo, que no sentido espiritual é chamado caridade para com o próximo; pela ‘torre do rebanho’ os seus veros interiores do bem; daí vem que o Reino espiritual do celeste é significado pelo ‘Reino da filha de Jerusalém’. Em Davi:
“Alegrar-se-á o monte de Sião; exultarão as filhas de Judá por causa dos teus juízos. Rodeai Sião, e cercai-a, numerai as torres dela” (Sl. 48:12, 13[Em JFA, 48:11, 12]);
as ‘torres’ aí estão no lugar dos veros interiores, que defendem as coisas pertencentes ao amor e à caridade.
[5] Em Lucas:
“Qualquer um que não levar a sua cruz e não vier após Mim, não pode ser Meu discípulo. Qual, pois, de vos, quando quer edificar uma torre, sentando-se antes, não calcula a despesa, se tem as coisas pertinentes ao completo acabamento? [...] Ou, qual é o rei que, prosseguindo para travar contra um outro rei uma guerra, não, se sentando primeiro, consulta se é poderoso com dez mil ir ao encontro daquele que com vinte mil vem contra ele?” (14:27, 28, 31, 33);
aquele que não conhece o sentido interno da Palavra não tem uma opinião diferente senão que aí o Senhor falou por comparação, e que por ‘edificar uma torre’ e ‘fazer a guerra’ não se entendeu outra coisa, não sabendo que, na Palavra, todas as comparações são significativas e representativas, e que ‘edificar uma torre’ seja adquirir para si os veros interiores; e que ‘fazer a guerra’ seja combater a partir desses veros, pois ali se trata das tentações que sofrem aqueles que são da igreja, e ali são chamados ‘discípulos do Senhor’; essas tentações são significadas por ‘sua cruz’ que eles devem carregar; e que vençam não por si próprios nem pelo que lhes pertence, mas sim pelo Senhor, é significado por “quem não renega todas as suas faculdades não pode ser meu discípulo”; assim essas expressões são coerentes, mas se as coisas que são lembradas a respeito da torre e da guerra fossem entendidas somente comparativamente, sem um sentido interior, elas não seriam coerentes. Daí se torna claro que luz se tem pelo sentido interno.
[6] Os interiores daqueles que estão no amor de si e do mundo, portanto, os falsos a partir dos quais eles combatem e pelos quais confirmam sua religiosidade, também são expressos, no sentido oposto, como ‘torres’; por exemplo, em Isaías:
“A altivez dos varões será rebaixada, e JEHOVAH Zebaoth será exaltado sobre todo soberbo e altivo, e sobre todo elevado, e será humilhado; e sobre todos os cedros altos e elevados do Líbano, e sobre todos os carvalhos de Bashan, e sobre todos os montes altos, e sobre todas as colinas elevadas, e sobre toda torre elevada, e sobre toda muralha fortificada (2:11–18);
onde os interiores e os exteriores desses amores são descritos por meio de ‘cedros’, ‘carvalhos’, ‘montanhas’, ‘colinas’, ‘torre’ e ‘muralha’ (os falsos interiores, pela ‘torre’), portanto, também as coisas interiores por aquelas que são altas, mas com a diferença de que aqueles que estão nos males e nos falsos se creem elevados e acima dos outros, mas aqueles que estão nos bens e veros se creem menores e abaixo dos outros (Mt. 20:26, 27; Mc. 10:44). Mas ainda assim os bens e veros são descritos por meio de coisas altas, porque no céu eles estão mais próximos do Altíssimo, isto é, do Senhor. Além disso, as ‘torres’, na Palavra, são predicadas dos veros, as ‘montanhas’ porém, dos bens.