. ‘E foi Rubén, e se deitou com Bilhah, concubina de seu pai’; que signifique a profanação do bem por meio da fé separada; ‘e Israel ouviu’; que signifique que essa fé foi rejeitada, é o que se vê pela representação de ‘Rubén’, que é a fé pela doutrina e pelo entendimento, a qual é a primeira coisa da igreja (n. 3861, 3866); aqui, essa fé separada da caridade, do que se tratará na sequência; e pela significação de ‘deitar-se com Bilhah, concubina de seu pai’, que é a profanação do bem, pois cometer adultério significa perverter ou adulterar os bens (n. 2466, 2724, 3399); mas ‘deitar-se com a concubina do pai’ é profaná-los. E é o que também se vê pela significação de ‘Israel ouviu’, que é que essa fé foi rejeitada. No sentido próprio, que ‘Israel ouviu’ significa que a igreja espiritual tinha conhecido e aprovado isto, uma vez que por ‘ouvir’ é significado escutar, e por Israel, a igreja espiritual, mas que a verdadeira igreja não aprove, ver-se-á claramente pelas coisas que se dirão a respeito de Rubén; mas, no sentido interno, significa que essa fé foi rejeitada. Não se diz, de fato, o que Jacó tinha sentido e pensado a respeito dessa má e nefanda ação422, mas que ele tenha sido absolutamente averso e tenha tido horror, vê-se pela profecia dele a respeito de Rubén: “Rubén, tu [és] meu primogênito, o meu vigor e o começo da minha virtude, excelente em honra, e excelente em poder; leve423 como a água, não sejas excelente, porque subiste ao leito do teu pai; então profanaste; subiste à minha cama” (Gn. 49:3, 4); e que Rúben foi, por isso, privado da primogenitura, 1Cr. 5:1. Daí é evidente que por ‘Israel ouviu’ é significado que essa fé foi rejeitada; que a primogenitura seja a fé da igreja, foi visto (n. 352, 2435, 3325). A profanação do bem pela fé separada ocorre quando o vero da igreja e o seu bem são reconhecidos e cridos, mas ainda assim se vive contrariamente a eles; com aqueles, pois, que separam, no entendimento e na vida, as coisas que pertencem à fé daquelas que pertencem à caridade, o mal se conjunge com o vero e o falso com o bem, esta é a conjunção mesma que se chama profanação. É diferente entre aqueles que, embora saibam o que é o vero e o bem da fé, ainda assim não creem de coração. (Vejam-se as coisas que antes foram ditas e demonstradas, n. 301, 302, 303, 571, 582, 593, 1003, 1008, 1010, 1059, 1327, 1328, 2051, 2425, 3398, 3399, 3402, 3489, 3898, 4289, 4050; e que a profanação do bem pela fé separada foi representada por Cain, no fato de ele ter matado Abel; por Cam, que foi amaldiçoado por seu pai; e pelos egípcios, que estes foram submersos no Mar Vermelho, n. 3325; que, aqui, por Rubén, n. 3325, 3870). A fim de que aqueles que são da igreja espiritual pudessem ser salvos, o Senhor milagrosamente separou a parte intelectual deles da parte voluntária, e pôs no intelectual o poder de receber um novo voluntário (n. 863, 875, 895, 927, 1023, 1043, 1044, 2256, 4328, 4493). Quando, pois, o intelectual compreende e percebe o bem que pertence à fé e o apropria a si, e o voluntário do homem (isto é, o querer mal) ainda reina e comanda, então há a conjunção do vero e do mal, e do bem e do falso; esta conjunção é a profanação, e se entende por comer e beber indignamente na Santa Ceia, atos pelos quais são separados o bem, que é significado pelo ‘corpo’, e o vero, que é significado pelo ‘sangue’; com efeito, as coisas que foram assim conjuntas nunca podem ser separadas pela eternidade, razão por que eles permanecem em um inferno profundíssimo. Mas aqueles que sabem o que são o vero e o bem da fé, mas não acreditam neles de coração — como é o caso da maioria das pessoas nos dias de hoje —, não podem profanar, porque o entendimento não recebe e disso se imbui. [4] Trata-se aqui da rejeição desta fé separada, porque no que logo se segue se trata dos veros e bens em sua ordem genuína e, logo em seguida, da conjunção deles com o racional (ou intelectual). Os filhos de Jacó, que são logo nomeados são os veros e bens nessa ordem genuína, e Isaque é o racional (ou intelectual). A vinda de Jacó com os seus filhos para Isaque é, no sentido interno, essa conjunção com o intelectual.