. ‘E veio Jacó a Isaque, seu pai’; que signifique o Divino Racional agora, ao qual ele foi conjunto, vê-se pela representação de ‘Jacó’, que é o Divino Natural no estado de que logo acima se tratou (n. 4604–4610); e pela representação de ‘Isaque’, que é o Divino Racional (n. 1893, 2066, 2072, 2083, 2630, 3012, 3194, 3210); a conjunção é significada pelo fato de Jacó ter vindo a ele. Na sequência, até o fim do capítulo, se trata da conjunção do Natural com o Racional; e porque assim é, o Natural, nas coisas que logo precederam, está descrito tal qual ele foi, a saber, que nele havia todas as coisas do bem e do vero; a sua qualidade foi significada pelos doze filhos de Jacó, pois, como se demonstrou, cada um deles representa alguma coisa geral do vero e do bem. [2] Quanto ao que diz respeito à conjunção do natural e do racional, de que se trata nas coisas que seguem, é necessário saber que o racional recebe os veros e os bens antes e mais facilmente do que o natural (n. 3286, 3288, 3321, 3368, 3498, 3513). Com efeito, o racional é mais puro e mais perfeito do que o natural, porque ele é mais interior, ou superior, e, considerado em si mesmo, ele está na luz do céu, a qual ele está adaptado; vem daí que o racional receba antes e mais facilmente do que o natural, as coisas que pertencem a essa luz, a saber, os veros e os bens, ou, o que é o mesmo, as coisas que pertencem à inteligência e à sabedoria. Ora, o natural é mais grosseiro e mais imperfeito, porque ele é exterior, ou inferior, e, considerado em si mesmo, ele está na luz do mundo, luz que em si nada tem da inteligência nem da sabedoria, exceto tanto quanto, pelo racional, ela as recebe da luz do céu; o influxo, do qual falam hoje os eruditos, não é outra coisa. [3] Ora, eis o que acontece com o natural: este, desde a primeira infância e meninice, recebe a sua qualidade das coisas que influem do mundo por meio das coisas sensuais externas, por meio delas e a partir delas o homem adquire o intelectual; mas porque então está nos prazeres do amor de si e do mundo e, por isso, nas concupiscências, tanto pelo hereditário quanto pelo ativo, é por isso que o intelectual que ele adquire então está repleto de tais coisas, e então as que são favoráveis aos seus prazeres ele as considera como bens e veros; por isso a ordem delas no natural é inversa ou oposta à ordem celeste. Quando ele se acha nesse estado, a luz do céu de fato influi por meio do racional, visto que é daí que ele tem que possa pensar, raciocinar e, na forma externa, agir decente e civilizadamente, mas ainda assim as coisas que pertencem à luz e que lhe conduzem para a felicidade eterna não estão no natural, já que os prazeres que dominam ali repugnam essas coisas. Com efeito, os prazeres do amor de si e do mundo são em si absolutamente opostos aos prazeres do amor para com o próximo e, portanto, aos prazeres do amor ao Senhor. Na realidade, ele pode conhecer as coisas que pertencem à luz ou ao céu, mas não pode ser por elas afetado senão tanto quanto isso o conduz a apoderar-se das honras e a obter ganho, assim, a não ser tanto quanto isso for favorável aos prazeres do amor de si e do mundo. [4] Daí se pode ver que no natural a ordem está absolutamente invertida ou oposta à ordem celeste; é por isso que, quando a luz do céu influi por meio do racional no natural, ela não pode outra coisa senão ser ou refletida ou sufocada ou pervertida. Daí vem agora, que o natural deve primeiramente ser regenerado, antes que possa se conjungir com o racional, pois, quando o natural está regenerado, as coisas que influem desde o Senhor por meio do céu e, portanto, por meio do racional no natural, são recebidas, porque concordam. Com efeito, o natural não é outra coisa senão o receptáculo do bem e do vero proveniente do racional, ou seja, procedente do Senhor por meio do racional. Por natural entende-se o homem externo, que é também chamado homem natural, e por racional, o interno. Estas explicações são premissas para que se saiba como acontece com as coisas que vão seguir, pois ali se trata da conjunção do Natural com o Racional.