. ‘E expirou Isaque, e morreu’; que signifique a suscitação no Divino Natural, é o que se vê pela significação de ‘expirar’ e de ‘morrer’, que é a suscitação425 (n. 3326, 3498, 3505). Com efeito, na Palavra, quando se faz menção da morte de alguém, isso significa, no sentido interno, o último dele e o novo em um outro, assim, a continuação; por exemplo, quando se faz menção lembrando da morte dos reis de Judá e de Israel, ou da morte dos sumos sacerdotes, no sentido interno, é o fim da representação por eles e a continuação em outro, assim, a suscitação; e mesmo aqueles que estão na outra vida, e então junto ao homem, quando essas passagens são lidas, não compreendem uma morte, porque ali eles não sabem o que é morrer, por isso em seu lugar eles percebem o contínuo em um outro. Além disso, quando o homem morre, não morre a não ser quanto ao corporal que lhe servira para o uso na terra, mas continua a vida quanto ao seu espírito no mundo onde as coisas corpóreas não são mais de uso algum. [2] Que por ‘expirou Isaque e morreu’ seja significada a suscitação no Divino Natural, é porque o Racional não tem vida a menos que o Natural corresponda (n. 3493, 3621, 3623); tem-se isto assim como ocorre com a visão do olho, esta, se não tem fora de si objetos que vê, perece, assim também acontece com os outros sentidos; acontece igual coisa se os objetos são absolutamente contrários, porque eles introduzem a morte; e também acontece o mesmo com o veio de uma fonte do qual nenhuma água sai, resultando daí que ele se fecha. É o que também acontece com o racional, se não houver no natural recepção de sua luz, a sua vista perece, por isso que os conhecimentos no natural são os objetos da vista do racional; objetos que, se forem contrários à luz, isto é, à inteligência do vero e à sabedoria do bem, a vista do racional também perece, pois não pode influir em coisas contrárias a si, de onde resulta que o racional naqueles que estão nos males e nos falsos fica obstruído, de sorte que não se abre por ele comunicação com o céu, a não ser por fendas, por assim dizer, a fim de que estejam na faculdade de pensar, de raciocinar e de falar. Daí vem que o natural, para que possa se conjungir com o racional, deve ser preparado para a recepção, o que acontece por meio da regeneração feita pelo Senhor, e então, quando se conjunge, o racional vive no natural, pois no natural ele vê os seus objetos, como foi dito, como a vista do olho nos objetos do mundo. [3] De fato, o racional tem em si uma vida distinta da vida do natural, mas ainda assim o racional está no natural assim como um homem em sua casa, ou uma alma em seu corpo. O mesmo sucede nos céus; o céu íntimo, ou terceiro céu, na realidade vive distinto dos céus que estão abaixo dele, no entanto, a não ser que houvesse recepção no segundo, ou céu médio, a sabedoria ali seria dissipada, e igualmente, a não ser que houvesse recepção da luz e da inteligência desse segundo céu no último, ou primeiro céu, e por fim [recepção deste primeiro céu] no natural do homem. A inteligência desses céus também se dissiparia se o Senhor não providenciasse para que a recepção se fizesse em outra parte. É por isso que os céus foram formados pelo Senhor de modo que um sirva de recepção ao outro, e que, por fim, o homem, quanto ao seu natural e a seu sensual, sirva de última recepção, porque aí o Divino está no último da ordem e passa ao mundo. Se, portanto, o último concorda ou corresponde com os anteriores, então estes anteriores estão ao mesmo tempo no último, pois as coisas que são as últimas são os receptáculos das anteriores a si, e aí estão ao mesmo tempo as coisas sucessivas. Por esse modo se vê claramente o que se entende pela suscitação no Divino Natural.