. Mas é necessário saber que a vida sensitiva dos espíritos é dupla, a saber, real e não real; uma se distingue da outra nisso, que tudo aquilo que aparece àqueles que estão no céu é real, mas tudo aquilo que aparece àqueles que estão no inferno não é real. Com efeito, tudo que vem do Divino, isto é, que procede do Senhor, é real, pois vem do Ser mesmo das coisas e da Vida em Si; mas tudo que vem do proprium do espírito não é real, porque não vem do Ser das coisas nem da Vida em Si. Aqueles que estão na afeição do bem e do vero, esses estão na Vida do Senhor, portanto, na vida real, pois no bem e no vero o Senhor está presente por meio da afeição; mas os que estão no mal e no falso pela afeição, esses estão na vida do proprium, assim, na vida não real, pois no mal e no falso o Senhor não está presente. O real se distingue do não real nisso, que o real é ativamente tal qual aparece, e que o não real não é ativamente tal qual aparece. [2] Aqueles que estão no inferno têm igualmente sensações, e não sabem outra coisa senão que a coisa realmente ou ativamente seja assim conforme eles sentem; mas mesmo assim, quando eles são inspecionados pelos anjos, então as mesmas coisas aparecem como fantasmas e se dissipam, e eles mesmos aparecem não como homens, mas como monstros. A mim se permitiu conversar com eles a esse respeito, e alguns deles diziam crer serem essas coisas reais, porque as veem e as tocam, acrescentando que o sentido não pode enganar. Mas foi concedido responder que, essas coisas não são de modo algum reais, seja qual for o modo como elas lhes apareçam como reais, e que isso acontece por isso, porque eles estão nos contrários ou nos opostos ao Divino, a saber, nos males e falsos; e, além disso, eles mesmos, enquanto estiverem cobiças do mal e nas persuasões do falso, não passam de fantasias quanto aos pensamentos, e que ver alguma coisa pelas fantasias é ver as coisas que são reais como não reais, e as coisas que não são reais como reais; e que a não ser que, pela Divina Misericórdia do Senhor, lhes fosse outorgado sentir assim, eles não teriam nenhuma vida sensitiva, por conseguinte, nenhuma vida, pois o sensitivo faz o todo da vida. Relatar todas as experiências sobre esse assunto, seria encher um grande número de páginas. [3] Acautelem-se, pois, quando vierem à outra vida, para que não sejam iludidos, visto que os maus espíritos sabem apresentar diversas ilusões diante dos que chegam recentemente do mundo, e se não podem enganar, ainda assim tentam, por meio de tais ilusões, persuadir que nada há de real, mas que todas as coisas são ideais, até mesmo as que estão no céu.