Texto
. ‘Jacó habitou na terra das peregrinações do seu pai, na terra de Canaã’; que signifique o Divino Natural do Senhor, que está em concordância sob o Divino Bem Racional, é o que se vê pela significação de ‘habitar’, que é viver (n. 1293, 3384, 3613, 4451); pela representação de ‘Jacó’, que, no sentido supremo, é o Divino Natural do Senhor (n. 3305, 3509, 3525, 3544, 3576, 3599, 3775, 4234, 4009, 4286, 4538, 4570); da representação de ‘Isaque’, que é aqui o ‘pai’, que é o Divino Racional do Senhor quanto ao bem (n. 1893, 2066, 2630, 3012, 3194, 3210); e pela significação da ‘terra de Canaã’, que, no sentido supremo, é o Divino Humano do Senhor (n. 3038, 3705); daí vem, pois, que ‘Jacó habitou na terra das peregrinações do seu pai, na terra de Canaã’ significa o Divino Natural do Senhor vivendo ao mesmo tempo, ou concordando, sob o Divino Bem Racional, no Divino Humano. Tratou-se anteriormente, no cap. 35 (vers. 22–26), do natural do Senhor, que todos os Divinos estavam então nele (ver n. 4602 ao 4610); e no mesmo capítulo (vers. seg. 27–29), tratou-se da conjunção do Divino Natural do Senhor com o Seu Divino Racional, (n. 4611–4619); agora, aqui, é a conclusão, a saber, que o Divino Natural levava uma vida concordante sob o Divino Bem Racional.
[2] Diz-se sob o Divino Bem Racional, porque o natural vive sob ele, pois o racional é superior ou interior, ou, segundo a fórmula habitual da linguagem, ele é anterior, enquanto o natural é inferior ou exterior, por conseguinte, posterior; assim, o natural está subordinado ao racional; e mesmo quando eles estão em concordância, o natural não é senão o geral do racional, porque então tudo que o natural possui não lhe pertence, mas pertence ao racional; a diferença é somente tal qual a que existe entre as coisas particulares e o seu geral, ou tal como a que existe entre as coisas singulares e a forma delas, na qual as coisas singulares aparecem como uma só. Sabem os eruditos que o fim é tudo na causa, e que a causa é tudo no efeito, de sorte que a causa é o fim formado, e que o efeito é a causa formada, e que, assim, o efeito perece inteiramente se se retira a causa, e que a causa perece inteiramente se se retira o fim, e que, além disso, a causa está sob o fim, e o efeito sob a causa; acontece coisa semelhante com o natural e o racional.