. ‘E se curvaram ao meu feixe’; que signifique a adoração, é o que se vê pela significação de ‘curvar-se’, que é o efeito da humilhação (n. 2153), por conseguinte, a adoração; e pela significação do ‘feixe de José’, que aqui é o doutrinal a respeito do Divino Humano do Senhor (n. 4686); assim, é o Divino Humano que eles adoraram, a saber, aqueles que estão no interior da igreja. Por outro lado, aqueles que são exteriores, isto é, os que são da fé separada, que nada menos adorem do que [o Divino Humano do Senhor], a fé separada da caridade tem isso consigo, porque, como acima foi dito, o Senhor está presente na caridade, pois a caridade é o meio que conjunge. O que é o vero sem o bem? e o que é o intelectual sem o voluntário? Assim, o que é a fé sem a caridade, ou o que é a confiança sem a sua essência? [2] Que aqueles que estão na fé separada da caridade nada menos adorem do que o Divino Humano do Senhor, é o que pude ver claramente pelos dessa fé que, do mundo cristão, vêm para outra vida, como muitos com os quais conversei; porque ali não são as bocas que falam, como no mundo, mas são os corações. Os pensamentos de cada um ali são comunicados muito mais abertamente do que por alguma linguagem no mundo, e ali não é concedido falar senão como pensam, assim, do mesmo modo como creem. Muitos deles, os que no mundo até fizeram prédicas sobre o Senhor, ali o negam completamente; e quando se pergunta por qual fim ou por qual causa fizeram prédicas sobre Ele e também O adoraram santamente na forma externa, descobre-se que eles procederam assim porque isso lhes era imposto por seu ofício, e porque assim eles lucraram com honras e riquezas, e que os que não fizeram prédicas, mas ainda assim O confessaram, que tenham agido assim porque nasceram na igreja, e teriam perdido a sua reputação se tivessem falado contra a religião. Nem sequer um do mundo cristão sabe que o Humano do Senhor é Divino, e dificilmente há alguém que saiba que é o Senhor, só, Quem governa o céu e o universo, e ainda menos se sabe que o Divino Humano d’Ele é tudo no céu. Que assim seja, não pôde ser abertamente revelado, porque fora previsto pelo Senhor, que a Igreja Cristã se desviaria da caridade para a fé, por conseguinte, se separaria d’Ele, e assim não apenas rejeitaria, mas também profanaria o santo que procede de Seu Divino Humano, pois a fé separada da caridade não pode proceder de outro modo. [3] Que a fé esteja hoje separada da caridade, é evidente; separam-se as igrejas conforme os dogmas, e quem crê diferentemente do que ensina o dogma é expulso da sua comunhão e também difamado; mas quem se entrega ao latrocínio, quem priva sem misericórdia os outros de seus bens, contanto que não seja por meios manifestos, quem maquina dolos contra o próximo, quem cobre de ignomínia as obras da caridade, e quem comete adultério, esse é ainda assim chamado cristão, bastando que ele frequente os sacramentos e que fale a partir da doutrina. Daí se vê que hoje é a doutrina que faz a igreja, mas não a vida, e que os frutos, que eles agregam à fé, estão somente na doutrina, e que nada há nas suas mentes.