ac 4692

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E aumentaram ainda o ódio por ele por seu sonho e por suas palavras’; que signifique um desprezo e uma aversão ainda maior, por causa da prédica do vero, a saber, aqui sobre o Divino Humano do Senhor, é o que se vê pela significação de ‘aumentar’438, que é mais; pela significação de ‘odiar’, que é desprezar e ter aversão (do que se tratou acima, n. 4681); pela significação do ‘sonho’, que é a prédica (n. 4682, 4685); e pela significação das ‘palavras’, que são os veros. Que as ‘palavras’ sejam os veros, é porque todo vero no céu provém do Senhor, por isso as ‘palavras’, no sentido interno, significam os veros, e a Palavra, em geral, todo o Divino Vero.
[2] No que diz respeito a coisa mesma, é o supremo entre os veros que a igreja que separou a fé de junto da caridade despreza principalmente, e ao qual tem aversão, a saber, que o Humano do Senhor é Divino. Todos os que foram da Antiga Igreja e que não separaram a caridade de junto da fé creram que o Deus do Universo era o Divino Homem, e que Ele mesmo era o Divino Ser, daí também O nomeavam JEHOVAH; eles sabiam isto pelos antiquíssimos, então também porque Ele aparecera a muitos de seus irmãos como Homem; eles sabiam ainda que todos os ritos e coisas externas da igreja deles O representavam. Mas aqueles que eram pela fé separada não puderam crer nisso, porque não puderam compreender de que maneira o Humano podia estar no Divino, nem que o amor Divino fazia isso, pois tudo que eles não compreendiam de alguma ideia tirada dos sentidos externos do corpo eles consideravam nada ser. A fé separada da caridade tem isso consigo, pois fecha neles o interno da percepção, porque não existe intermediário pelo qual há influxo.
[3] A Igreja Judaica, que sucedeu, na realidade acreditou ser JEHOVAH Homem e também Deus, porque Ele aparecera a Moisés e aos profetas como um homem, por isso denominavam JEHOVAH a cada um dos anjos que aparecia; mas ainda assim não tiveram d’Ele outra ideia senão a que os gentios tinham de seus deuses, aos quais os judeus preferiam JEHOVAH DEUS, porque podia fazer milagres (n. 4299), não sabendo que JEHOVAH era o Senhor na Palavra (n. 2921, 3035), e que era o Divino Humano do Senhor que todos os seus ritos representavam. A respeito do Messias, ou Cristo, eles não pensavam outra coisa senão que seria um profeta muito grande, maior do que Moisés, e um Rei muito grande, maior do que Davi, que os introduziria na Terra de Canaã com estupendos milagres. Quanto ao Seu Reino celeste, nada quiseram ouvir, e isso porque nenhuma outra coisa compreendiam senão as coisas mundanas, pois estavam separados da caridade.
[4] A Igreja Cristã de fato adora o Humano do Senhor como Divino no culto externo, sobretudo na Santa Ceia, porque o Senhor disse que o Pão ali era o Seu corpo e o Vinho era o Seu Sangue; mas na doutrina [os cristãos] não fazem Divino o Seu Humano, pois distinguem entre a natureza Divina e a natureza humana; vem isso também desse motivo, que a igreja se desviou da caridade para a fé e, por fim, para a fé separada; e como eles não reconhecem o Humano do Senhor como Divino, um grande número dentre eles se escandalizou, e negam o Senhor de coração (n. 4689), quando, todavia, a coisa assim se tem: que o Divino Humano do Senhor é o Divino Existente que procede do Divino Ser (do que acima se tratou n. 4687), e que o Senhor mesmo é o Divino Ser, pois o Divino Ser e o Divino Existente são um, assim como também o Senhor o ensina claramente em João:
“Disse Jesus a Felipe: [Há] tanto tempo estou convosco, e não Me conheceste; quem vê a Mim vê o Pai. Não crês, que Eu [estou] no Pai e o Pai está em Mim? Crede-Me, que Eu [estou] no Pai, e o Pai em Mim” (14:9, 10, 11);
e também em outras passagens. Com efeito, o Divino Existente é o Divino mesmo procedente do Divino Ser, e em imagem ele é Homem, porque o céu, de que ele é o todo, representa o Máximo Homem, como se disse acima (n. 4587), e se demonstrou ao fim do capítulo, onde se trata da correspondência de todas as coisas que existem no homem com o Máximo Homem.
[5] Na realidade, o Senhor nasceu como qualquer outro homem, e teve o humano fraco da mãe, mas o Senhor expeliu completamente esse humano, ao ponto que não fosse mais o filho de Maria, e em Si mesmo Ele Fez Divino o Humano, o que se entende pelo fato de ter sido Ele glorificado; e também [Ele] mostrou a Pedro, a Thiago e a João que era o Divino Homem, quando Se transfigurou.

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