. ‘E foi José atrás de seus irmãos, e achou-os em Dothan’; que signifique que eles estavam nas coisas específicas dos falsos princípios, vê-se pela representação de ‘José’, que é o Senhor quanto ao Divino Vero (n. 4669); pela representação dos ‘irmãos dele’, que são a igreja que se desvia da caridade para a fé e, por fim, para a fé separada (n. 4665, 4672, 4679, 4680, 4690); e pela significação de ‘Dothan’, que são as coisas específicas dos falsos princípios (n. 4720). Daí é evidente que essas palavras significam que ele os encontrou nas coisas específicas dos falsos princípios. [2] Para que se saiba o que se entende por coisas específicas dos falsos princípios, sejam para ilustração alguns doutrinais da Igreja que reconhece a fé só [solam fidem] como princípio, a saber: que o homem é justificado pela fé só, que nele então todos os pecados são apagados; que pela fé só, mesmo na última hora de sua vida, ele é salvo; que a salvação é somente uma admissão no céu pela graça [ex gratia]; que as crianças também são salvas pela fé; que os gentios, por não terem a fé, não são salvos; além de muitos outros [pontos doutrinais]. Esses e semelhantes [pontos doutrinais] são específicos do princípio a respeito da fé só. Se, porém, a igreja reconhecesse a vida da fé como princípio, ela reconheceria a caridade para como próximo e o amor ao Senhor, portanto, as obras da caridade e do amor, e então todas essas coisas específicas cairiam, e em vez da justificação ela reconheceria a regeneração, de que o Senhor fala em João: “A menos que alguém seja gerado de novo443, não pode ver o Reino de Deus” (3:3); e reconheceria que a regeneração acontece por meio da vida da fé, não portanto pela fé separada. Esse homem também não reconheceria que todos os pecados dele são então apagados, mas sim que, pela Misericórdia do Senhor, deles se é retirado e mantido no bem e, daí, no vero; e assim, que todo bem procede do Senhor, e todo mal de si próprio; ele também não reconheceria que é salvo pela fé na última hora de sua vida, mas sim pela vida da fé que permanece nele; nem reconheceria que a salvação é somente uma admissão no céu pela graça, porque o céu não é negado pelo Senhor a ninguém, mas, se a vida dele não for tal que possa estar conjunto com os anjos, que dali fuja por si próprio (n. 4674); nem reconheceria que as crianças são salvas pela fé, mas que, na outra vida, elas são instruídas nos bens da caridade e nos veros da fé pelo Senhor, e assim sejam recebidas no céu (n. 2289 ao 2308); não reconheceria que os gentios, porque não têm a fé, não sejam salvos, mas que a vida deles permanece neles, e que os que viveram em uma caridade mútua são instruídos nos bens da fé e são igualmente recebidos no céu; os que estão no bem da vida também querem isto e creem (n. 2589 ao 2604); assim também em vários outros pontos. [3] A Igreja que reconhece por princípio a fé só, nunca pode saber o que é a caridade, nem sequer o que é o próximo, assim, nem o que é o céu; e ela fica admirada que de algum modo alguém diga que a felicidade da vida depois da morte e o regozijo no céu são o Divino que influi no bem-querer e no bem-fazer aos outros, e que a felicidade que daí provém e a bem-aventurança excedam toda a percepção, e que a recepção desse influxo nunca pode existir em alguém que não vivera a vida da fé, isto é, que não estivera no bem da caridade. Que a vida da fé salva, o Senhor ensina abertamente em Mateus (cap. 25, do vers. 31 até o fim), e também muitas vezes em outras passagens, e daí também é o que ensina a fé simbólica chamada de Atanásio, onde se diz no fim: “Cada um dará conta das suas obras; o que fizera o bem entrará para a vida eterna, o que, porém, fizera o mal entrará para o fogo eterno”.