. ‘E antes que se aproximasse deles; e maquinaram contra ele para o fazer morrer’; que signifique que [eles] queriam extinguir o Divino Espiritual, que procede do Divino Humano do Senhor, vê-se pela significação de ‘maquinar’, que é querer a partir de uma intenção depravada, pois aquilo que querem a partir de uma intenção depravada, isto maquinam; vê-se também pela significação de ‘fazer morrer’, que é extinguir; e pela representação de ‘José’, que é o Divino Espiritual, ou o Divino Vero, de que acima algumas vezes se tratou. Como o Divino Vero provém do Divino Humano do Senhor, por isso se diz “o Divino Espiritual que provém do Divino Humano d’Ele”. [2] Com isso assim se tem: Todo Divino Vero, que está em todo o céu, não procede de outra parte senão do Divino Humano do Senhor; o que procede do Divino mesmo, isto nunca pode influir imediatamente em anjo algum, pois é infinito; mas influi mediatamente por meio do Divino Humano do Senhor; é o que também se entende por essas palavras do Senhor: “A Deus ninguém jamaisviu, o Filho Unigênito, Que [está] no seio do Pai, Ele expôs” (João, I:18); por isso também o Senhor, quanto ao Divino Humano, é chamado Mediador. [3] Isto também desde a eternidade, uma vez que o Divino Ser, sem o influxo por meio do céu, e daí sem ter-Se tornado o Divino Existente, não pôde se comunicar com anjo algum, e menos com algum espírito, e ainda menos com algum homem. Que o Senhor, quanto ao Divino mesmo, seja o Divino Ser, e que quanto ao Divino Humano seja o Divino Existente, foi visto (n. 4687). O Humano mesmo do Senhor não poderia também receber influxo algum procedente do Divino Ser a não ser que n’Ele o Humano tivesse sido feito Divino, poisdeve ser Divino o que vai receber o Divino Ser. Por essas poucas palavras, pode-se ver que o Divino Vero não procede imediatamente do Divino mesmo, mas procede do Divino Humano do Senhor. [4] É mesmo esse Divino Humano que extinguem em si mesmos aqueles que militam em favor da fé só e que não vivem a vida da fé; eles creem, com efeito, que o Humano do Senhor é puramente um humano, não dissemelhante do humano de um outro homem; por isso também muitos dentre eles negam o Divino do Senhor, ainda que de boca O professem. Ao contrário, aqueles que vivem a vida da fé adoram o Senhor como Deus Salvador curvando os joelhos e com um coração humilde, nada pensando tirado da doutrina sobre a distinção entre a natureza Divina e a natureza Humana; eles fazem o mesmo na Santa Ceia. Daí se vê que entre eles o Divino Humano está nos corações.