. ‘E disse: Não o firamos, uma alma’; que signifique que [esse essencial] não deve ser extinto, porque é a vida da religião, é o que se vê pela significação de ‘ferir’, que é extinguir; e pela significação da ‘alma’, que é a vida (n. 1000, 1005, 1436, 1742), aqui, a vida da religião. Que o reconhecimento e a adoração do Divino Humano do Senhor seja a vida da religião, vê-se pelas coisas que logo acima foram ditas (n. 4731); e também por isto, que os homens são tais que eles querem adorar alguma coisa em que eles possam ter alguma percepção e algum pensamento, e mesmo coisas sensuais de que possam ter algum sentido, e não querem adorar a não ser que o Divino esteja nela. Isso é comum ao gênero humano; por isso os gentios adoram os ídolos em que eles creem que há o Divino, mas outros adoram homensdepois da morte, os quais eles creem serem ou deuses ou santos. Com efeito, nada pode ser estimulado no homem a não ser o que move seu sentido; aqueles que dizem reconhecer um Supremo Ente, do qual não têm nenhuma ideia de percepção, esses na sua maioria não reconhecem Deus algum, mas no lugar d’Ele, a natureza, e a natureza porque eles a compreendem. Um elevadíssimo número de eruditos dentre os cristãos são tais, e até por esta causa, porque eles não creem que o Humano do Senhor é Divino. Portanto, a fim de que os homens, que tinham se afastado tanto do Divino e tinham se tornado tão corporais não adorassem madeira nem pedras, nem homem algum depois da sua morte, e assim, por baixo dele, algum diabo, e não Deus mesmo porque não O poderiam perceber de nenhum modo, e assim perecesse o todo da igreja, e com a igreja o gênero humano, o Divino mesmo quis assumir o Humano e fazê-Lo Divino. Que os eruditos se acautelem, pois, para que não pensem a respeito do Humano do Senhor e não creiam, ao mesmo tempo, que este é Divino; se pensarem de outro modo444, eles se escandalizam e, por fim, nada creem.