Texto
. ‘E a cova estava vazia, nenhuma água havia nela’; que signifique que então nada havia de vero, vê-se pela significação da ‘cova’, que são os falsos (n. 4728); da significação de ‘vazia’, que é onde nada há do vero porque nada há do bem, do que se tratará no que segue; e pela significação da ‘água’, que é o vero (n. 680, 739, 2702, 3058, 3424). Que ‘vazio’ seja onde nada há do vero porque nada há do bem, vê-se também em outras passagens da Palavra, como em Jeremias:
“Os grandes mandaram os menores por causa das águas; vieram às covas e não encontraram águas; voltaram com os vasos vazios, de vergonha e ignomínia foram afetados, e cobriram a sua cabeça” (14:3);
os ‘vasos vazios’ estão pelos veros em que não há o vero proveniente do bem. No mesmo:
“Devorou-me, confundiu-me Nabucodonosor, rei de Babel, constituiu-me vaso vazio, ...engoliu-me” (Jr. 51:34);
o ‘vazo vazio’ está por onde não há nenhum vero; ‘Babel’ está no lugar daqueles que vastam, isto é, que privam os outros de vero (n. 1327 no fim). No mesmo:
“Vi a terra, e eis vácua e vazia447; e para os céus, e nenhuma luz deles” (Jr. 4:23).
Em Isaías:
“Possui-la-ão o colhereiro e a águia pesqueira; e a coruja e o corvo habitarão nela; e estenderão sobre ela a linha da vacuidade, e o fio de prumo da inanidade” (34:11).
[2] No mesmo:
“Quebrada será a cidade da vacuidade, fechada será toda casa, para que ninguém entre; clamor sobre o vinho nas praças; ... exilado será o regozijo da terra, o resto na cidade, vastação” (Is. 24:10, 11, 12, 13);
Aqui o ‘vazio’ é expresso por outro vocábulo na língua original, que, todavia, envolve coisa semelhante. Que o vazio seja onde não há o vero porque não há o bem, vê-se claramente, no sentido interno, por cada palavra aí nessas passagens, a saber, pela significação da ‘cidade’, da ‘casa’, do ‘clamor’, do ‘vinho’, das ‘praças’. Em Ezequiel:
“Disse o Senhor JEHOVIH: Ai da cidade de sangues! Também Eu farei grande fogueira, colocando a panela sobre a brasa vazia, para que aqueça e ferva o seu bronze, e derreta nela a sua imundície, e se consuma a sua espuma” (24:9, 11).
Aqui se vê o que é o vazio; a ‘panela vazia’ é aquilo em que há “imundície e espuma”, isto é, o mal e o falso.
[3] É semelhante em Mateus:
“Quando o espírito imundo sai do homem, percorre os lugares áridos buscando descanso, mas não encontra; então diz: Voltarei à minha casa de onde saí, e quando chega e a acha vazia e limpa com vassouras, e preparada para si, então vai e ajunta consigo sete outros espíritos piores do que ele, e, tendo entrado, habitam ali” (12:43, 44, 45);
o ‘espírito imundo’ é a imundície da vida no homem, e são também os espíritos imundos que estão com ele, pois os espíritos imundos habitam na imundice da vida do homem; os ‘lugares áridos’, isto é, onde não há água, é onde não há veros; a ‘casa vazia’ são os interiores do homem repletos novamente de impurezas, isto é, de falsos provenientes do mal. Em Lucas:
“Deus aos famintos encheu de bens, e aos ricos enviou vazios” (1:53);
os ‘ricos’ são os que sabem um grande número de coisas, pois as riquezas, no sentido espiritual, são os conhecimentos, os doutrinais, as cognições do bem e do vero; são chamados ‘ricos vazios’ aqueles que sabem essas coisas e não as fazem, pois os veros para eles não são veros, porque estão sem o bem (n. 4736).