. ‘E eis uma comitiva de ismaelitas veio de Gilead’; que signifique aqueles que estão no bem simples, em que estão as nações, é o que se vê pela representação dos ‘ismaelitas’, que são os que estão no bem simples quanto à vida e, por conseguinte, no vero natural quanto à doutrina (n. 3263); e pela significação de ‘Gilead’, que é o bem exterior pelo qual o homem é primeiramente iniciado quando está sendo regenerado (n. 4117, 4124); daí se vê que pela ‘comitiva de ismaelitas vindo de Gilead’ é significado o bem tal qual com as nações, isto é, os que estão em tal bem simples. [2] O modo como essas coisas acontecem, pode-se ver pelas coisas que foram ditas até agora e pelas coisas que seguem; de antemão essas coisas devem ser somente relembradas. Aqueles que estão dentro da igreja e se confirmam contra os Divinos Veros, principalmente contra estes: que o Humano do Senhor é Divino, e que as obras da caridade em tudo contribuem para a salvação448. Se eles se confirmaram contra esses veros não só pela doutrina, mas também pela vida, eles se reduzem, quanto aos interiores, a um tal estado, que depois não podem ser, de modo algum, levados a recebê-los, pois as coisas que uma vez foram confirmadas pela doutrina e, ao mesmo tempo, pela vida, essas permanecem eternamente. Aqueles que não conhecem o estado interior do homem podem crer que quem quer que seja o indivíduo, seja qual for o modo pelo qual ele se tenha confirmado contra esses veros, ainda assim depois ele pode facilmente receber, contanto que se convença. Mas que isso seja impossível, foi-me permitido saber por semelhantes indivíduos na outra vida, por uma variada experiência. Com efeito, aquilo que é confirmado pela doutrina, isto reveste o intelectual, e aquilo que é confirmado pela vida, isto reveste o voluntário; aquilo que ficou enraizado em uma e na outra vida do homem, a saber, na vida de seu entendimento e na vida de sua vontade, isto não pode ser erradicado; a alma mesma do homem, que vive depois da morte, foi formada a partir dessas coisas, e ela é tal, que nunca se retira delas. Esta é também a causa de que a sorte daqueles que estão dentro da igreja, entre os quais assim acontece, é uma sorte pior do que a daqueles que estão fora da igreja; porquanto aqueles que estão fora da igreja, que são denominados gentios, não se confirmaram contra esses veros, porque não os conheceram, por isso os que dentre eles viveram uma mútua caridade recebem facilmente os Veros Divinos, se não no mundo, ainda assim na outra vida. (Vejam-se as coisas que foram relatadas por experiência a respeito do estado e sorte das nações e dos povos na outra vida, n. 2589 ao 2604). [3] Daí vem que, quando uma nova igreja é instaurada pelo Senhor, ela é instaurada, não entre os que estão dentro da igreja, mas sim entre aqueles que estão fora, isto é, entre os gentios; deles se trata diversas vezes na Palavra. Essas explicações são premissas, para que se saiba o que envolve que José tenha sido lançado por seus irmãos em uma cova, e que dali tenha sido extraído pelos midianitas e vendido aos ismaelitas. De fato, pelos ‘irmãos de José’ são representados aqueles, dentro da igreja, que se confirmam contra o Divino Vero, principalmente contra esses dois veros: que o Humano do Senhor é Divino, e [confirmando] que as obras da caridade nada fazem para a salvação [quando o correto deste segundo vero é o contrário]; e isso não só pela doutrina, mas também pela vida. Pelos ‘ismaelitas’, por sua vez, são representados os que estão no bem simples; e pelos ‘midianitas’ os que estão no vero desse bem. Dos midianitas, é lembrado que eles extraíram José da cova, dos ismaelitas, que eles o compraram; o que, porém, é significado pelo fato de que o conduziram ao Egito, e que ali [o] venderam a Potifar, camareiro do faraó, dir-se-á na sequência.