ac 4748

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E os seus camelos levando aromáticos, e resina, e stacten’; que signifique os veros interiores naturais, é o que se vê pela significação dos ‘camelos’, que são em geral as coisas do homem natural que estão a serviço do homem espiritual, e especificamente os conhecimentos gerais no homem natural (n. 3048, 3171, 3114, 3143, 3145, 3156); e pela significação dos ‘aromáticos’, da ‘resina’ e da ‘stacten’, que são os veros interiores naturais conjuntos ali ao bem, a respeito dos quais se tratará. Entre os antigos, nos cultos deles, coisas suaves e odoríferas eram empregadas em seu culto sagrado, daí os incensos deles e perfumes. Coisas semelhantes eram também misturadas com óleos que eram ungidos. Mas hoje não se sabe de onde vinha isso, a causa é porque não se sabe absolutamente que as práticas que existiram no culto entre os antigos tinham tirado a sua origem das coisas espirituais e celestes que estão nos céus, que lhes tinham correspondido. O homem se afastara de tal modo das coisas espirituais e celestes, e imergira de tal modo nas naturais, mundanas e corporais, que ele está na obscuridade, e muitos no negativo de que exista alguma coisa espiritual e celeste.
[2] Que entre os antigos tenham sido empregados incensos e perfumes nos ritos sagrados, vem isso de que o odor corresponde à percepção, o odor fragrante449, como o dos aromáticos de vários gêneros, a uma percepção agradável e aceita, qual é a do vero proveniente do bem ou da fé proveniente da caridade; e a correspondência é mesmo tal que, na outra vida, todas as vezes que apraz ao Senhor, as percepções mesmas são vertidas em odores. (Ver a esse respeito as coisas que antes foram ditas pela experiência, n. 925, 1514, 1517, 1518, 1519, 3577, 4624 ao 4634.) O que especificamente aqui significam os ‘aromáticos’, a ‘resina’ e a ‘stacten’, pode-se ver por outras passagens onde são mencionados; em geral significam os veros interiores no natural, mas que provêm do bem ali, pois os veros por si próprios não fazem isso, mas é o bem que o faz por meio dos veros. Daí se tem as variedades segundo a qualidade do vero conjunto ao bem, por conseguinte, segundo a qualidade do bem, pois o bem tem a sua qualidade pelo vero.
[3] Como por ‘Gilead’ é significado o bem exterior tal qual o que pertence aos sentidos, e que se chama volúpia (n. 4117, 4124), e por ‘Egito’, no sentido bom, os conhecimentos, que são os veros externos do homem natural, correspondentes a esse bem, ou concordante com esse bem (n. 1462), é por isso que pelos ismaelitas de Gilead trazendo sobre camelos esses aromáticos ao Egito é significado que seus veros interiores provenientes de seus conhecimentos eram levados para os conhecimentos que são significados pelo Egito, dos quais se tratará na sequência. Os veros interiores são as conclusões oriundas dos veros exteriores ou dos conhecimentos, pois os conhecimentos do homem natural são os meios que servem para concluir e, assim, para intuir as coisas interiores do mesmo modo como alguém intui em sua fisionomia e na vibração da luz de seus olhos, e na vida do som de quando fala, e no gesto quando age.
[4] Como são tais os veros por meio dos quais o natural do homem é aperfeiçoado e também emendado, é por isso que aos aromáticos é atribuída deste modo a cura, assim como a resina em Jeremias:
“Será que não há resina balsâmica em Gilead? E não [há] médico ali? Por que não sobe a saúde do meu povo?” (8:22).
No mesmo:
“Sobe a Gilead e toma a resina, ó virgem, filha do Egito, em vão multiplicaste os medicamentos, não [há] cura para ti” (Jr. 46:11).
No mesmo:
“De súbito caiu Babel, e foi arruinada, uivai sobre ela, tomai resina para [sua] dor, talvez seja curada” (Jr. 51:8).
[5] Que coisas semelhantes signifiquem coisas espirituais, vê-se claramente em João:
“Os mercadores da terra chorarão e prantearão sobre Babel, porque ninguém compra mais as suas mercadorias; mercadoria de ouro e prata, e de pedras preciosas, e de pérolas e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlate, e toda madeira de tuia, e todo vaso de marfim, e todo vaso de madeira preciosíssima, e de bronze, de ferro, e de mármore, e canela, e perfumes e unguentos, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, jumentos, e ovelhas, e cavalos, e carros, e corpos e almas de homens” (Ap. 18:11–13);
essas mercadorias não teriam sido recenseadas de um modo tão específico, a não ser que cada uma significasse coisas tais que estão no Reino do Senhor e em Sua igreja, de outro modo seriam palavras sem nenhuma utilidade. Sabe-se que por ‘Babel’ são significados aqueles que desviaram todo culto do Senhor para o culto de si próprios, e, assim, os que estão em um interno profano quando estão em um externo santo; é por isso que as suas mercadorias significam as coisas que, por causa do culto de si, eles inventaram com estudo e artifício, e também as coisas doutrinais e as cognições do bem e vero extraídas da Palavra que eles perverteram em seu favor; assim, por cada uma das mercadorias que são especificamente mencionadas nessa passagem, e pela canela, os perfumes, os unguentos e o incenso, são significados os veros que provêm do bem; mas com os de Babel, os veros pervertidos e os falsos que vêm do mal.
[6] O mesmo ocorre a respeito das mercadorias de Tiro lembradas em Ezequiel:
“Judá e a terra de Israel foram teus negociantes em trigo de minnith e pannag, em mel e azeite, e resina, e deram ao teu negócio” (28:17);
aqui também pela ‘resina’ é significado o vero proveniente do bem; aquele que não crê no sentido interno da Palavra, para ele todas essas são palavras nuas, assim, vasos nos quais não há nada dentro, quando, todavia, há neles coisas Divinas, celestes e espirituais.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.