. ‘E rasgou as suas vestimentas’; que signifique o luto, é o que se vê pela significação de ‘rasgar as vestimentas’, que é o luto, a saber, por causa do vero inteiramente perdido, ou porque a fé era nula. Na Palavra, principalmente na Palavra histórica, lê-se muitas vezes que as vestimentas tinham sido rasgadas, mas não se sabe hoje de onde isso vem, e também não se sabe que isso era um representativo da dor por causa do vero, que foi perdido; isso se tornara, portanto, um representativo da dor, porque as vestimentas significavam os veros, como se demonstrou (ver o n. 4545). Na sequência deste capítulo também se diz que quando Jacó reconheceu a túnica de seu filho, ‘rasgou as suas vestimentas’ (vers. 34), pelo que é significado o luto pelo vero perdido completamente. É semelhante em outras passagens na Palavra, por exemplo, quando Rabshakeh, enviado por Senaqueribe, rei de Asshur, pronunciou ultrajes contra Jerusalém, então Eliakim, que estava sobre a casa do rei, e Shibna, o escriba, e Joah, o intérprete, ‘tendo rasgado as vestimentas’, anunciaram essas palavras ao rei Ezequias; do que foi ouvido, também o rei ‘rasgou suas vestimentas, e cobriu-se de saco’ (Isaías, 36:22; 37:1; 2Rs. 18:37; 19:1). As palavras ultrajantes que ele pronunciou eram contra Deus, o rei e Jerusalém, assim, contra o Divino Vero, como se vê ainda melhor pelo sentido interno dessa passagem. Daí vinha, em razão do luto, serem rasgadas as vestimentas. [2] Quando Jehudi lia, diante do rei, o volume do livro que tinha escrito Jeremias, diz-se que o rei o lançou no fogo, e que o rei e os seus servos que ouviram todas essas palavras ‘não rasgaram as suas vestimentas’ (Jr. 36:23, 24); que não tenham rasgado suas vestimentas, era porque não tinham estado em luto por causa do Divino Vero não aceito. Quando os emissários falaram mal da terra de Canaã, que então Josué, filho de Num, e Kaleb, filho de Jefuneh, ‘tenham rasgado as vestimentas, e falado contra eles’ (Nm. 14:6), envolve uma semelhante coisa, pois a terra de Canaã significa o Reino do Senhor, e falar contra esse Reino é dizer o falso contra o Divino Vero. Quando a Arca de Deus foi capturada pelos filisteus, e ambos os filhos de Eli estavam mortos, um varão do combate, correndo a Siló, ‘com as vestimentas rotas’ e pó sobre a cabeça (1Sm. 4:11, 12), significava o luto a respeito do Divino Vero e do Divino Bem, porque a Arca representando o Reino do Senhor e, no sentido supremo, o Senhor mesmo e, daí, o santo da igreja, as vestimentas rasgadas significavam o luto sobre o Divino Vero perdido, e o pó sobre a cabeça sobre o Divino Bem. [3] A respeito de Samuel e de Saul, lê-se que “quando Samuel se voltava para ir-se, Saul agarrou a aba da túnica dele que se rasgou; por isso, disse-lhe Samuel: Rasgou JEHOVAH o Reino de Israel de sobre ti hoje e deu-o ao teu companheiro; não voltarei contigo, porque repudiaste a palavra de JEHOVAH, e repudiou-te JEHOVAH, para que não sejas Rei sobre Israel” (1Sm. 15:26, 27, 28); que Saul tenha rasgado a aba da túnica de Samuel representava isso que Samuel disse, a saber, que o Reino seria arrancado dele, e que ele não seria mais o rei de Israel, pois o ‘reino’, no sentido interno, significa o Divino Vero (n. 1672, 2347, 4691); o mesmo sucede com o rei e a realeza (n. 1672, 1728, 2015, 2069, 3009, 3670, 4575, 4581); e com o reino e o rei de Israel especificamente, porque por ‘Israel’ é representada a Realeza do Senhor. E igualmente o que é lembrado de Jeroboão e de Ahiah [Aías], o profeta: “Quando Jeroboão saia de Jerusalém e encontrou-o Ahiah, o profeta, no caminho, quando este [estava] vestido de vestimenta nova, e ambos sós no campo; tomou Ahiah a vestimenta nova, que [estava] sobre ele, e rasgou-a em doze pedaços, e disse a Jeroboão: Toma para ti dez pedaços, pois assim disse JEHOVAH, o Deus de Israel: Eis Eu que rasgo [o reino] da mão de Salomão, e dar-te-ei dez tribos” (1Rs. 11:29, 30, 31). [4] Do mesmo modo se diz que as vestimentas foram rasgadas quando Saul foi morto em batalha, do que se trata no Segundo Livro de Samuel: “Quando Saul foi morto em batalha, no terceiro dia, um varão veio do campo, cujas vestimentas [estavam] rasgadas; e quando ouviu Davi a respeito da morte de Saul, pegou Davi as suas vestimentas e as rasgou, e [também] todos os servos que [estavam juntos] com ele” (1:2, 10, 11, 12); por este fato foi representado o luto por causa do Divino Vero perdido e lançado fora pelos que estavam na fé separada, porque pela Realeza era significada o Divino Vero, como acima foi dito, e pelos filisteus, por quem Saul foi morto, eram representados aqueles que estavam na fé separada (n. 1197, 1198, 3412, 3413), o que também se vê pela lamentação de Davi sobre ele no mesmo capítulo (vers. 18 ao 27). [5] Quando “Absalão feriu a seu irmão Ammon, e que o boato chegou até Davi, que Absalão tinha ferido todos os filhos do Rei; Davi rasgou a suas vestimentas, e deitou-se em terra, e todos os servos dele estando presentes rasgaram as vestimentas” (2Sm. 13:28, 30, 31); isso também se fez por causa da representação, porque os veros que provêm do Divino tinham sido inteiramente perdidos; os ‘filhos do rei’, no sentido interno, significam esses veros. Quando “Davi fugia por causa de Absalão, Hushar, o Arbita, foi ao encontro dele tendo a sua túnica rasgada” (2Sm. 15: 32), igualmente, pois, pelo ‘rei’, principalmente por ‘Davi’, na Palavra, é representado o Divino Vero. O mesmo sucedeu “quando Elias pronunciou a Achab, rei de Israel, as palavras de JEHOVAH, e anunciou-lhe que ele seria extirpado por causa do mal que fizera, então Achab rasgou as suas vestimentas, e pôs um saco sobre sua carne” (1Rs. 21:27, 28, 29). [6] Que a ruptura ou o rasgamento das vestimentas tenha representado o luto pela perda do vero, vê-se pelas seguintes passagens: “Hilkias, o sacerdote, encontrou o livro da lei na casa de JEHOVAH, quando o leu Shafan, diante do rei Josias, e quando ouviu o rei as palavras do livro da lei, rasgou as suas vestimentas” (2Rs. 22:11); é evidente, por causa da Palavra, isto é, do Vero Divino, há tanto tempo perdido, e obliterado no coração e na vida. Quando o Senhor confessou que Ele era o Cristo, o Filho de Deus, que o grão sacerdote rasgou as suas vestimentas, dizendo: “Blasfemou completamente” (Mt. 26:63, 64, 65; Mc. 14:63, 64); isso significava que o sumo sacerdote não tinha acreditado em outra coisa senão que o Senhor tinha falado contra a Palavra e, assim, contra o Vero Divino. [7] Quando Elias subiu em um turbilhão, Eliseu vendo, tomou suas vestes e rasgou-as em dois pedaços; e apanhou a túnica de Elias, que descera em cima dele, e feriu as águas, e foram divididas de um e outro lado, e passou Eliseu (2Rs. 2:11, 12, 13, 14). Que Eliseu então rasgou as suas vestes em dois pedaços, era por causa do luto porque a Palavra, isto é, do Divino Vero tinha sido perdido, porquanto por Elias é representado o Senhor quanto Vero, isto é, ao Divino Vero (n. 2762); que a túnica tenha descido de Elias e apanhada por Eliseu representava que Eliseu continuaria a representação. Que a ‘túnica’ seja o Divino Vero, foi visto (n. 4677); razão também por que a vestimenta que se rasgara em um tal luto era a túnica, como se vê por algumas das passagens citadas. Como a vestimenta significava o vero da igreja e, no sentido supremo, o Divino Vero, por isso era ultrajante andar com vestimentas rasgadas, exceto se fosse por tal luto, como se vê pelo que se fez aos servos de Davi pelo rei dos filhos de Ammom, Hanun, que lhes cortou a metade da barba, e as vestimentas deles pelo meio até as nádegas; motivo pelo qual não foram admitidos diante de Davi (2Sm. 10:4, 5).