ac 4766

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E eu, aonde eu venho?’; que signifique: ‘onde está agora a igreja?’ é o que se vê pela representação de ‘Rúben’, que é a fé da igreja no geral (n. 4731, 4734, 4761); e porque Rúben diz de si “E eu, aonde eu venho?” é significado: ‘onde está agora a fé da igreja?’, ou o que dá no mesmo, ‘Onde está agora a igreja?’ Que não há igreja onde não há o celeste José, isto é, o Senhor quanto ao Divino Vero (especificamente o Divino Vero que o Humano do Senhor é o Divino, e que a caridade é o essencial da igreja, por conseguinte, as obras da caridade), pode-se ver pelas coisas que, neste capítulo, sobre esses dois veros, foram demonstradas.
[2] Se este Divino Vero, que o Humano do Senhor é Divino, não for recebido, necessariamente daí se segue que há um Trino que deve ser adorado, mas não uma unidade, e também que metade do Senhor, a saber, o Seu Divino, mas não o Seu Humano. De fato, quem é que adora o que não é Divino? O que é a igreja onde o Trino é adorado um separadamente do outro, ou, o que é o mesmo, onde três são igualmente adorados? Pois ainda que se diga que três sejam um, ainda assim o pensamento distingue e faz três, e somente o discurso da boca diz um. Pondere cada um isso consigo: quando [nesse caso] se diz reconhecer e crer em um só Deus, não se pensa a respeito de três? E quando se diz que o Pai seja Deus, o Filho seja Deus e que o Espírito Santo seja Deus, e que eles também são distintos em pessoas e distintos quanto às funções, pode-se pensar que haja um só Deus, a não ser que dos três distintos entre si façam um por concordância e também por condescendência, visto que um procede do outro? Quando, portanto, três deuses são adorados, onde está então a igreja?
[3] Mas se se adorar somente ao Senhor, em Quem há um Trino perfeito, e em Quem está o Pai; e o Pai está n’Ele assim como Ele mesmo diz:
“Se em Mim não credes, credes nas obras, a fim de que conheçais e creiais que o Pai [está] em Mim e Eu no Pai” (João, 10:38);
“Quem vê a Mim vê o Pai: Não crês Felipe, que Eu [estou] no Pai e o Pai [está] em Mim? Crede-Me que Eu [estou] no Pai e que o Pai [está] em Mim” (João, 14:10, 11);
“Quem vê a Mim vê Aquele que Me enviou” (João, 12:45);
“Todas as Minhas [coisas] são Tuas, e as Tuas, Minhas” (João, 17:10);
então existe a Igreja Cristã, e ela existe quando permanece no que disse o Senhor:
“O primeiro de todos os preceitos é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus, o Senhor é um; por isso, amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de todas as tuas forças; este [é] o primeiro preceito; o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo; maior do que este, outro preceito não há” (Marcos, 12:29, 30, 31).
(Que o Senhor, nosso Deus, seja o Senhor, vê-se em Mt. 4:7, 10; 22:41, 42; Lc. 1:16, 17; João, 20:28; e que JEHOVAH, no Antigo Testamento, seja chamado o Senhor no Novo, n. 2921.)
[4] Se também este Divino Vero não é recebido na doutrina e na vida, que o amor para com o próximo, isto é, a caridade, é o essencial da igreja, e daí as obras da caridade, segue-se necessariamente que pensar o vero pertença à igreja, mas não pensar o bem, e que assim o pensamento do homem da igreja pode estar ao mesmo tempo na contradição e na oposição, a saber, que ele pode pensar o mal e ao mesmo tempo pensar o vero, assim, por pensar o mal estar com o diabo, e por pensar o vero estar com o Senhor, quando, entretanto, o vero e o mal nunca concordam.
“Ninguém pode servir a dois senhores, ou a um terá ódio, e ao outro amará” (Lc. 16:13);
Isto, quando a fé separada estabelece e também a vida confirma, seja qual for o modo como se fala a respeito dos frutos da fé, onde está então a igreja?

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