ac 4779

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E pôs pano de saco sobre os seus lombos’; que signifique o luto por causa do bem perdido, é o que se vê pela significação de ‘pôr um pano de saco sobre os lombos’, que tinha sido o representativo do luto por causa do bem perdido; porque os lombos significam o amor conjugal e, por conseguinte, todo amor celeste e espiritual (n. 3021, 3294, 4277, 4280, 4575); e isto pela correspondência, pois assim como todos os órgãos, membros e vísceras do corpo humano correspondem ao Máximo Homem, como foi demonstrado ao fim dos capítulos, assim, os lombos correspondem àqueles no Máximo Homem, ou céu, que estiveram no amor conjugal genuíno; e porque o amor conjugal é o amor fundamental de todos os amores; por isso, pelos lombos é significado, em geral, todo amor celeste e espiritual. Daí este rito, que pusessem um pano de saco sobre os lombos, quando estavam no luto sobre o bem perdido, porquanto todo bem pertence ao amor.
[2] Que tenham posto pano de saco sobre os lombos para testificar esse luto, pode-se ver pelos Históricos e pelos Proféticos da Palavra, por exemplo, em Amós:
“Converterei as vossas festas em luto, e todos os vossos cânticos em lamento, assim farei subir sobre todos os lombos o pano de saco, e sobre toda cabeça a calvície, e pô-la-ei como luto de unigênito, e as suas extremidades como em dia amargo” (8:10);
‘fazer subir sobre todos os lombos o pano de saco’ está no lugar do luto pela perda dos bens; ‘todos os lombos’ está no lugar de todos os bens do amor. Em Jonas:
“Creram os varões de Nínive em Deus, e por isso proclamaram um jejum, e vestiram panos de sacos desde o maior até o menor. E quando chegou a palavra ao rei de Nínive, levantou-se do seu trono, e tirou sua clâmide de sobre si, e cobriu-se com um pano de saco, e assentou-se sobre a cinza; e proclamou,... que se cobrissem de pano de saco os homens e a besta” (3:5, 6, 8);
é evidente que tinha sido um sinal representativo do luto sobre o mal por causa de Nínive, que pereceria; assim, sobre a perda do bem.
[3] Em Ezequiel:
“Um clamor soltarão sobre ti da sua voz, e clamarão amargamente, e farão subir o pó sobre as suas cabeças, nas cinzas se revolverão, e se revestirão sobre ti a calvície, e secingirão de panos de sacos” (27:30, 31);
trata-se de Tiro; cada uma dessas coisas foram representativas do luto por causa dos falsos e dos males, assim, por causa da perda dos veros e dos bens; ‘soltar um clamor’ e ‘clamar amargamente’ está no lugar de um lamento sobre o falso, ou seja, sobre a perda do vero (n. 2240); ‘fazer subir o pó sobre a cabeça’ está por ser danado por causa do mal (n. 278); ‘revolver–se nas cinzas’ é ser danado por causa do falso; ‘revestir-se de calvície’ é o luto por causa da ausência de vero para o homem natural (n. 3301 no fim); ‘cingir-se de panos de sacos’ é o luto por causa da ausência do bem para ele. Semelhantemente em Jeremias:
“Ó filha do meu povo, cinge-te de pano de saco, e revolve-te na cinza, um luto do unigênito faze para ti, um pranto de amarguras, porque de repente virá o devastador sobre nós” (6:26);
e em outro lugar, no mesmo:
“Assentar-se-ão na terra, calar-se-ão os anciãos da filha de Sião; farão subir o pó sobre a sua cabeça, cingir-se-ão de panos de sacos, as virgens de Jerusalém farão descer em terra a sua cabeça” (Lm. 2:10);
aqui são semelhantes representativos segundo os gêneros do bem e do vero que foram perdidos, como acima.
[4] Em Isaías:
“Profético a respeito de Moab.... Subirá a Bajith, e a Dibon nos [lugares] altos a chorar; Moab lamentará sobre Nebo e sobre Medba; em todas as cabeças dele [haverá] calvície, toda barba [será] raspada, nas suas praças cingiram se de panos sacos, sobre os seus tetos, e nas suas praças todo [mundo] lamentará, descendo em choro” (16:2, 3 [Em JFA, 15:2, 3]);
‘Moab’ está pelos que adulteram os bens (n. 2468); o luto sobre essa adulteração, que é significada por Moab, é descrito por meio de coisas tais que correspondem ao mal desse gênero; é por isso que se descreve quase do mesmo modo em Jeremias:
“[Em] toda cabeça [haverá] calvície, e toda barba [será] raspada, sobre todas as mãos [haverá] incisões, e sobre os lombos, panos de sacos, e sobre todos os telhados de Moab e nas suas praças, todo o luto” (48:37);
[5] Quando o rei Ezequias ouviu as blasfêmias que Rabsaké proferiu contra Jerusalém, ele rasgou as suas vestimentas, e ‘cobriu-se de pano de saco’ (Is. 37:1; 2Rs. 19:1). Como ele falara contra JEHOVAH, contra o rei e contra Jerusalém, por isso pelo luto é significado o que é contra o vero, pelo que ele ‘tinha rasgado as suas vestimentas’ (n. 4763), e contra o bem, pelo que ele ‘se cobriu com um pano de saco’, porquanto, na Palavra, onde se trata do vero também se trata do bem, por causa do casamento celeste, que é o do bem e do vero e do vero e do bem em cada coisa, como também em Davi:
“Converteste o meu luto [para mim] em dança em coro, abriste o meu pano de saco, e cingiste-me de regozijo” (Sl. 30:12);
aí se predica dos veros a ‘dança em coro’, e dos bens, o ‘regozijo’, como também em outras passagens na Palavra; assim, ‘abrir o pano de saco’ está por levantar o luto sobre o bem perdido.
[6] No Segundo livro de Samuel:
“Disse Davi a Joab e a todo o povo que [estava] com ele: Rasgai os vossos vestidos, e cinji[-vos] de pano de saco, e pranteai diante de Abner” (3:31).
Como o crime tinha sido cometido contra o vero e o bem, por isso Davi mandou que se rasgassem as vestimentas e que se cingissem de panos de sacos. Do mesmo modo, como Acab tinha procedido contra o equitativo e o justo (no sentido espiritual, contra o vero e o bem), logo que ele ouviu de Elias as palavras que seria destruído,
“rasgou suas vestimentas, e pôs o pano de saco sobre a sua carne, e jejuou, e deitou-se no pano de saco, e andou lentamente” (1Rs. 21:27).
[7] Que o ‘pano de saco’ seja predicado a respeito do bem perdido, pode-se ainda ver em João:
“Quando abriu o sexto selo, eis um terremoto grande se fez, e o sol se tornou negro como um pano de saco, e a lua toda se fez como sangue” (Ap. 6:12);
o ‘terremoto’ está no lugar da mudança de estado da igreja quanto ao bem e vero (n. 3355); o ‘sol’ está pelo bem do amor (n. 1529, 1530, 2441, 2495, 4060, 4300, 4696), é por isso que a respeito dele perdido se predica o ‘pano de saco’; a ‘lua’ está pelo vero da fé (n. 1529, 1530, 2120, 2495, 4060), de que se predica o ‘sangue’, porque o sangue é o vero falsificado e profanado (n. 4735).
[8] Como ‘vestir pano de saco’ e ‘revolver-se na cinza’ representava o luto sobre o mal e o falso, também representava a humilhação e também a penitência. Com efeito, a primeira coisa da humilhação é reconhecer que de si próprio não vem nada senão o mal e o falso, igualmente em relação à penitência, que não existe senão pela humilhação, e esta pela confissão do coração que por si próprio se é tal. Que ‘vestir pano de saco’ tinha sido um sinal de humilhação, veja-se 1Rs. 21:27, 28, 29; que seja um sinal de penitência, Mt. 11:21; Lc. 10:13; mas que não tenha sido outra coisa senão um representativo, assim, somente um externo que pertence ao corpo, mas não um interno que pertence ao coração, vê-se em Isaías:
“Será que curvaria como um junco a sua cabeça, e no pano de saco e na cinza deitaria? será que a isso chamarias jejum e o dia do beneplácito de JEHOVAH? Não [é] este o jejum que escolhi, de abrir os vínculos da malícia, ... repartir com o faminto pão? etc.” (58:5, 6, 7).

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